sexta-feira, 7 de agosto de 2015

INTIMADOS: Promotoria Pública de Açailândia poderá pedir indiciamento de vereadores investigados em esquema de propina.

Após as oitivas de várias testemunhas e as investigações forem se aprofundando a MP de Açailândia poderá ajuizar ação e até pedir o afastamento imediato dos vereadores denunciados em esquema de propina envolvendo uma grande indústria de aço instalada na cidade de Açailândia.

Tribuna_530

Dos dez vereadores investigados no esquema de propina, somente 09 estão no exercício do mandato. O vereador Sergiomar foi cassado pela justiça eleitoral por compra de votos.

Nove dos 17 vereadores que ora exercem os seus mandatos legislativos, haja vista, um deles já ter sido cassado por compra de votos, que perfazem um total de 10 parlamentares, estão sendo investigados pela acusação de receber propina para aprovar projetos de lei. Trata-se do Procedimento Administrativo n° 01/2014 – 1° PJ/Açai, instaurado para apurar a conduta dos vereadores, onde consta o depoimento de Adriano Sousa da Rocha.

Relembre o Esquema

Adriano, morto misteriosamente, era sobrinho do atual presidente da Câmara Municipal de Açailândia. Anselmo Rocha, contou em depoimento à promotoria ter recebido do tio e sacado na boca do caixa, um cheque no valor de R$ 5.000,00 do esquema de propinagem. O depoimento de Adriano ocorreu na sede da Promotoria, localizada na Vila Ildemar, no dia 23 de maio de 2014, era uma sexta feira, às 10 horas da manhã.

O delator do esquema afirmou que Anselmo Rocha ao lhe entregar o cheque pediu a ele que mantivesse a transação bancaria em segredo e “não contasse nem a sua própria mãe”. Ao receber o cheque, Adriano Rocha, afirma que constatou que a titular era uma pessoa jurídica, ou seja, uma empresa, citando a Meca Móvel Construções, que seria do então vice-prefeito de Açailândia, Juscelino Oliveira, PP.

Dando continuidade as suas declarações para a Promotora de Justiça, Adriano Rocha diz que foi até a agência bancária e sacou o valor que constava no cheque, R$ 5.000,00 (Cinco mil reais). Desta quantia ele relata ter entregado ao seu tio, vereador Anselmo Rocha, R$ 4.500,00 (Quatro mil e Quinhentos reais), ficando com R$ 500,00, o que seria o pagamento pelo favor.

Segundo consta no termo de declarações, Adriano Rocha afirmou que dias após realizar esta operação se encontrou com Anselmo Rocha, no Armazém do vereador, já que além de parlamentar, Anselmo é comerciante atividade paralela que mantém além do mandato. Durante a conversa classificada como informal, o vereador teria confessado que o cheque era pagamento para aprovação de um projeto de lei que havia sido negociado com o empresário mineiro Ricardo Nascimento.

Ainda na conversa com seu tio, Adriano Rocha, afirma ter sido informado de que a empresa MecaMóvel Construções, teria recebido o valor de R$ 50.000,00 (Cinquenta mil reais), da Aciaria Aço Verde e depois esta teria distribuído dez cheques no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para os dez vereadores. O denunciante cita em seu depoimento os seguintes parlamentares: Diomar Freire, Pastor Vagnaldo, Márcio Aníbal, Carlinhos do Fórum, Fátima Camelo, Fabio Pereira, Bento Camarão, Professor Pedro, Sergiomar de Assis e Anselmo Rocha.

Parte dos vereadores citados como recebedores de propina aparecem em fotos visitando as instalações da Aciaria Aço Verde. Adriano Sousa disse acreditar que todos os cheques foram sacados ainda em dezembro de 2014. E relatou que no momento em que Anselmo lhe contou o passo a passo do esquema, o mesmo estava sozinho com ele em seu armazém.

Conforme o depoimento, em janeiro de 2014, novamente o vereador ligou para Adriano ir trocar outro cheque, dessa mesma negociação, mas como ele teriade morado a chegar, Anselmo recomendou que um dos seus filhos fosse trocar o cheque.

O referido cheque seria de R$ 3.800,00 (Três mil e oitocentos reais), tendo sido entregue a Adriano somente trezentos reais, mas como o mesmo não viu o cheque, não soube dizer ao certo o valor expresso. Esse cheque também foi emitido pela a empresa Mecamóvel Construção.

Anselmo ainda teria, segundo depoimento, afirmado que havia mais dinheiro para ser recebido, a respeito da aprovação do projeto de lei que permitia a instalação da Aciaria, pois o valor combinado para cada vereador seria R$ 20.000.00 (Vinte mil reais), porém como vazou informações sobre a negociação, não soube mais sobre o pagamento.

O vazamento de informações citados pelo denunciante teria sido o momento em que o suposto recebido de propina por parte dos vereadores passou a ser levantado por setores da imprensa, leia-se, Blog´s. Naquele momento as suspeitas foram levantadas como se tratando de um “PropinAço”, uma alusão a propina e a origem do dinheiro, Aciaria que em funcionamento produziria 600 mil toneladas de vergalhões e fio máquina, ao ano.

Adriano Sousa relatou ainda que viu o vereador Anselmo recebendo uma ligação da vereadora Diomar Freire. Na ocasião perguntou sobre o restante do dinheiro da negociação citada, mas como o parlamentar alegou não saber, o mesmo ligou para um sócio da empresa que aparece como fornecedora dos cheques, perguntando sobre quando iria sair o restante do dinheiro da negociação da aprovação do projeto de lei. Do outro lado da linha o homem teria dito não saber a resposta.

Os fatos narrados por Adriano Sousa, só eram até então de conhecimento da esposa dele, da vereadora Lenilda, irmã de Anselmo e de seu esposo, ex-deputado estadual Irmão Carlos.

Adriano relatou ainda que enquanto ia trocar cheques presenciou pessoas de confiança de vereadores também na agência, provavelmente realizando saques da mesma negociação. Dias após conceder o depoimento Adriano Sousa faleceu misteriosamente.

PREFEITA DENUNCIA E VIRA ALVO DE CPI

No dia 20 de março de 2015 durante entrevista coletiva a prefeita eleita do município de Açailândia, Gleide Lima Santo, PMDB, denunciou o esquema ilegal de recebimento de propina montado pelos vereadores para a população. Diomar Freire, Pastor Vagnaldo, Márcio Aníbal, Carlinhos do Fórum, Fátima Camelo, Fabio Pereira, Bento Camarão, Professor Pedro e Anselmo Rocha apontados pelo denunciante como recebedores de propina trataram então de instalar uma comissão processante de investigação que foi alvo de inúmeras interrupções pela justiça por estar eivada de vícios, e, finalmente, com votos e manifestações antecipadas em redes sociais, inclusive do relator vereador Pedro Coelho cassaram o mandato legítimo da prefeita Gleide Santos, no último dia 21 de julho.

Tribuna_530

Como o número de 10 vereadores investigados pelo esquema de propina e denunciado em entrevista coletiva pela prefeita Gleide Santos, já havia sido reduzido para 09, haja vista, a cassação do vereador Sergiomar de Assis por compra de voto, havia a necessidade de capitanear pelo menos mais três votos, que totalizariam 12, suficientes para a cassação sumária do mandato de Gleide.

Entra em ação o grande articulador da câmara de Açailândia, experiente, 05 mandatos consecutivos, conhecedor de todos os meandros da Casa de Leis do Município, além de que, tem uma ligação íntima com o vice-prefeito, principal interessado na cassação de Gleide Santos.

Aluísio que pousa de bom moço, na verdade é uma raposa velha e mostrou isso, enganando até os próprios colegas, que o digam Fábio Pereira, Canarana e Fânio Manio que votaram pela cassação do mandato da prefeita Gleide, mas não foram agraciados pela divisão do bolo.

A velha raposa emplacou os votos que restavam para a cassação da prefeita Gleide Santos e foi agraciado com nada mais nada menos, que a Secretaria de Infraestrutura e Urbanismo de Açailândia. Apesar da pasta ter outro titular, quem manda mesmo na infraestrutura do Município é o vereador Aluísio.

Outros vereadores também foram agraciados com outras pastas, mas esse é outro assunto para a semana que vem.

Nenhum comentário: