quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

GIRO PELO MUNDO

 

Manifestantes protestam contra ações anti-imigrantes do ICE no centro de Minneapolis, Minnesota

Manifestantes protestam contra ações anti-imigrantes do ICE no centro de Minneapolis, Minnesota

Roberto Schmidt/AFP

Minneapolis virou o retrato de um país à beira do limite

Irineu Machado, do UOL

O que está acontecendo em Minnesota deixou de ser uma questão de política migratória para se tornar uma crise constitucional e humanitária. A cidade de Minneapolis está ocupada por agentes federais, e a tensão atingiu o nível máximo após a morte de dois cidadãos americanos pelas mãos do Estado.

O fato: O enfermeiro Alex Pretti, 37, foi morto a tiros por agentes da Patrulha de Fronteira. A narrativa oficial da administração Trump — chamando-o de "terrorista doméstico" e "assassino em potencial" — colapsou nas últimas 48 horas.

A contradiçãoVídeos verificados mostram Pretti segurando um celular, não uma arma, quando foi derrubado. Sua arma (legalizada) foi removida antes dos disparos.

O relatório vazado: A agência Associated Press revelou que um documento interno do DHS (Departamento de Segurança Interna) enviado ao Congresso dos EUA confirma que dois agentes dispararam suas pistolas - modelos Glock 19 e 47 - após um grito de "ele tem uma arma!", contradizendo a tese de que ele empunhava o armamento contra os agentes.

A outra vítima: Renee Good, também cidadã americana, foi morta pelo ICE dentro de seu carro. O governo alegou que ela usou o veículo como arma, mas vídeos mostram o agente se afastando das rodas antes de atirar.

 

A reação: A indignação é palpável. O governador Tim Walz e o prefeito Jacob Frey exigem o fim da "Operação Metro Surge". Enquanto isso, democratas na Câmara ameaçam o impeachment da Secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, se ela não for demitida imediatamente. A resposta de Trump? "Ela está fazendo um trabalho muito bom".

Análise: dois Estados Unidos em colisão

 

Em texto publicado no The Guardian, o ex-secretário do Trabalho dos EUA Robert Reich afirma que os Estados Unidos atingiram um ponto de inflexão sobre o fascismo. Não há mais meio-termo, argumenta Reich. Segundo ele, o país parece estar inclinando-se simultaneamente em duas direções opostas:

 

• O estado policial fascista: A normalização de execuções extrajudiciais e a ocupação militarizada de cidades por agentes descritos como "veículos de terror estatal" sugerem uma descida ao que Reich classifica textualmente como o "estado policial fascista de Trump", impulsionada por uma base republicana que, no entanto, começa a fraturar diante das mentiras flagrantes sobre Minneapolis.

• A solidariedade contra o fascismo: Em resposta ao medo, surge uma "repulsa em massa" e uma união comunitária para "derrotar o fascismo de Trump". Em Minneapolis, vizinhos organizam redes de vigilância contra o ICE, protegem mesquitas e entregam comida. Como disse um morador: "Isso vai muito além de um protesto. É uma nova maneira de viver aqui".

Geopolítica: Tambores de guerra no Oriente Médio

Enquanto os olhos estão em Minnesota, uma vasta frota de combate norte-americana liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou ao Oriente Médio.

O cenário: O Irã enfrenta protestos massivos com mais de 6.000 mortos na repressão do regime. Trump ameaça atacar se as execuções continuarem, embora sua retórica oscile entre a agressão e o desejo de um "acordo".

 

O bloqueio árabe: Em um revés diplomático impressionante, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos informaram aos EUA que não permitirão o uso de seu espaço aéreo ou território para ataques contra o Irã, temendo serem alvos de retaliação.

 

Consequência: Isso limita severamente as opções militares de Trump, forçando uma dependência maior de porta-aviões e bombardeiros de longo alcance.

Tecnologia e sociedade: o fim da inocência

O cerco às big techs apertou globalmente nesta semana, revelando um futuro digital cada vez mais regulado e, paradoxalmente, mais invasivo.

 

França bane redes sociais: A Assembleia Nacional francesa aprovou o banimento de redes sociais para menores de 15 anos. Macron declarou: "O cérebro das nossas crianças não está à venda."

O escândalo da Meta: Documentos internos revelam que Mark Zuckerberg aprovou pessoalmente permitir que chatbots de IA tivessem conversas "mais picantes" e sexuais, ignorando alertas de sua equipe de segurança sobre o risco para menores.

Google lê seus emails: A nova "Inteligência Pessoal" do Gemini quer acesso ao seu Gmail e a seus arquivos no Google Photos. O risco de vazamento de dados contextuais é real — imagine sua IA mencionando dados médicos em um email para seu chefe, cita como exemplo reportagem do The Washington Post sobre os riscos desses acessos.

Perguntas & respostas - O caso do menino Liam

 

Para entender a dimensão humana da crise migratória.

O que aconteceu? Liam Ramos, um menino de 5 anos, foi detido pelo ICE voltando da escola em Minneapolis. A imagem dele com sua mochila do Homem-Aranha sendo levado tornou-se o símbolo da repressão.

Qual a justificativa do governo? O DHS alega que o pai de Liam fugiu e o "abandonou", forçando os agentes a cuidarem da criança. Eles dizem que o levaram para comer fast-food.

O que dizem as testemunhas? A escola e a família negam veementemente. Dizem que o pai não fugiu e que os agentes tentaram usar a criança como "isca" para bater na porta de casa e prender mais familiares.

Onde eles estão? Estão detidos em Dilley, Texas, um centro com histórico de água podre e comida com insetos. Um juiz federal bloqueou a deportação imediata, mas eles continuam presos.

PELO MUNDO

Diplomacia do petróleo: O México cancelou o envio de petróleo para Cuba. A presidente Sheinbaum jura que é uma "decisão soberana", mas o timing coincide perfeitamente com as ameaças de Trump de cortar a ajuda à ilha.

O presente de Neil Young: Em solidariedade à Groenlândia (que sofreu ameaças de "tomada de posse" pelos EUA), o cantor Neil Young liberou todo o seu arquivo musical de graça para os habitantes da ilha.

Natureza em colapso: No sul da África, o aardvark (porco-da-terra) entrou para a lista de espécies ameaçadas. A mudança climática está encolhendo seu habitat.

Terror nos trilhos: Na Ucrânia, um drone russo atingiu um trem de passageiros, matando 5 pessoas. Zelensky chama o ato de terrorismo puro.

Itália furiosa: A presença de agentes do ICE para "ajudar na segurança" das Olimpíadas de Inverno em Milão gerou revolta. O prefeito de Milão foi direto: "Esta é uma milícia que mata."

Frase

Estou 100.000% arrependido... Trump tinha em mente uma limpeza étnica." — Sergio Amezcua, pastor em Minneapolis que votou em Trump e agora alimenta 16 mil famílias atingidas pelas batidas do ICE.

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