quinta-feira, 9 de abril de 2026

Master declarou pagamentos a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e outros

 

Amanda Perobelli - 18.nov.2025/Reuters


Carolina Juliano

Documentos enviados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que investiga o Crime Organizado apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer, Antônio Rueda, ACM Neto e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski. Dados obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo indicam que o Master pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos primeiros mandatos de Lula e ex-titular da Fazenda de Temer, e R$ 14 milhões à empresa de Guido Mantega, ex-ministro na pasta econômica em gestões petistas, de 2024 a 2025. O banco também informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Rueda, presidente nacional do União Brasil. Empresas da família do governador do Paraná, Ratinho Júnior, também estão na lista e receberam R$ 24 milhões entre 2022 e 2025. Leia detalhes das transações.

Ex-secretário de Bolsonaro atua na defesa de Vorcaro. Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro, está trabalhando na defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, por meio de sua empresa, a WF Comunicação. Segundo os documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, a empresa recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do Master em 2025. Wajngarten diz que foi contratado pelo banco no primeiro semestre do ano passado e que atua diretamente com a defesa, participando de reuniões em que são discutidas as estratégias de comunicação de Vorcaro. Braço-direito de Bolsonaro, após o término do governo ele se tornou assessor do PL, mas foi demitido em maio do ano passado, após serem divulgadas mensagens dele com críticas a uma possível candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à Presidência. Saiba mais.

Lula diz que aconselhou Moraes a se declarar impedido no caso Master. O presidente disse ontem que o escândalo do Banco Master prejudicou a imagem do Supremo Tribunal Federal e que ele aconselhou o ministro Alexandre de Moraes sobre o assunto. Em entrevista ao ICL Notícias, Lula contou sobre uma conversa que teve com o ministro sobre o caso e a preocupação com os impactos na eleição, e que o aconselhou a não jogar fora a sua biografia. Ele também contou que pediu ao ministro alguma mensagem "que passe para a sociedade uma firmeza" e sugeriu ao ministro que falasse: "'Eu [Moraes] só prometo que, aqui na Suprema Corte, no caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar ou qualquer coisa". O escritório de advocacia de Viviane Barci assinou, em fevereiro de 2024, um contrato com o Master prevendo honorários mensais de R$ 3,6 milhões por três anos — um total de R$ 129 milhões. Leia mais.


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