quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Dino pede vista e suspende discussão de relatório da PF sobre Moraes

 

15.set.2026 Ministro Alexandre de Moraes, em sessão do STF

15.set.2026 Ministro Alexandre de Moraes, em sessão do STF

Rosinei Coutinho/STF


Asdrúbal Figueiró

Com o pedido de vista do ministro Flávio Dino, a sessão do STF para analisar o relatório da PF com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes foi suspensa antes mesmo da discussão do mérito. Agora, Dino tem até 90 dias para devolver o processo.

O julgamento foi interrompido quando os ministros votavam uma questão de ordem levantada por Gilmar Mendes, pedindo que a discussão fosse feita na mesma sessão que discutirá as acusações de Moraes a Mendonça. Mendes também questionou a relatoria de Fachin.

Quando a sessão foi interrompida, havia quatro votos (Mendonça, Fachin, Cármen Lúcia e Fux) a favor da manutenção do cronograma proposto por Fachin contra três pelo julgamento na mesma sessão (Gilmar Mendes, Moraes e Zanin).

Flávio Dino indicou que seguiria Gilmar Mendes, mas, como pediu vista, seu voto não foi registrado.

A sessão ocorreu em meio ao vazamento de novas mensagens obtidas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com citações que levantam suspeitas envolvendo os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Os diálogos obtidos pelo UOL fazem referência a pagamentos mensais ao filho de Nunes Marques, negociações comerciais e encontros com o filho de Luiz Fux. Há também mensagens de um advogado próximo a Mendonça comemorando um voto do ministro em mensagem a Vorcaro: "Deu certo. Eu lhe disse. Ganhamos".

Logo na abertura, Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar da sessão, alegando que sua posição de presidente do TSE durante as eleições exigia imparcialidade. Dias Toffoli também se absteve, alegando razões de "foro íntimo".

No começo da sessão, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes acusaram André Mendonça de ter feito uma manobra para interferir nas eleições a favor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de ter aplicado dois pesos e duas medidas na condução do caso Master.

"Há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos", disse Gilmar, que também chamou Mendonça de "pixuleco, boneco eleitoral", em referência ao uso da imagem dele por bolsonaristas nas manifestações de 7 de Setembro.

Mendonça reagiu. "Não seja leviano, não aponte o dedo para mim", disse.

Josias de Souza comparou a sessão do STF a uma discussão em um "bar de quinta instância", com as facções de Alexandre de Moraes e André Mendonça engalfinhadas.

"No lance mais violento, Gilmar Mendes partiu para cima de Mendonça. Acusou-o de atirar contra Moraes perto do 7 de Setembro por razões eleitorais."

Ricardo Kotscho usou outra imagem para definir a sessão: "reunião de condomínio".

" Uma coisa vergonhosa, mal organizada, bagunçada. Parecia reunião de condomínio, não a do Supremo Tribunal Federal."

Segundo Natália Portinari, a defesa de Daniel Vorcaro espera que o embate entre os ministros aumente a chance de aprovação de uma nova proposta de delação premiada do ex-banqueiro.

"Os advogados acompanham a divisão do Supremo para saber qual dos lados sairá vencedor. A partir disso, devem calcular o que oferecer num novo "cardápio" de delação."

Alexandre Borges diz que o clima no campo bolsonarista é de absoluta festa com a guerra interna no STF.

"Eles acham que é uma crise que melhora o momento deles. Acham que crise no STF significa voto antissistema, voto oposicionista, voto para eles."

No campo lulista, o clima é diferente, informa Tatiana Farah.

"A avaliação no entorno do presidente Lula é de que não há um desfecho bom para a campanha à reeleição do petista na crise que arrastou o STF (Supremo Tribunal Federal) e seus ministros."

Para Leonardo Sakamoto, há um processo claro de interferência nas eleições brasileiras patrocinado por André Mendonça. Na sua opinião, isso não significa que Moraes não deva ser investigado, mas que Mendonça também precisa ser questionado.

"Estou querendo dizer que isso tem problema dos dois lados. E, se for atacada a questão só de um lado, a democracia vai ficar manca, capenga e vai ter problemas."

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