terça-feira, 22 de setembro de 2026

GIRO PELO MUNDO

 

Plenário da ONU durante a 81ª Assembleia Geral, em Nova York

Plenário da ONU durante a 81ª Assembleia Geral, em Nova York

Shannon Stapleton/Reuters

Em guerra com o Irã, Trump discursa hoje na ONU

Do UOL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz hoje seu discurso anual na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no primeiro dia de pronunciamentos dos chefes de Estado. Segundo auxiliares da Casa Branca, ele deve dizer que os EUA nunca foram tão respeitados e se apresentar como promotor da paz no mundo.

Trump chega à ONU com a popularidade em queda, a pouco mais de um mês das eleições legislativas de novembro, e com o país envolvido há quase oito meses em uma guerra contra o Irã, iniciada com um ataque conjunto de EUA e Israel. O conflito se espalhou pela região e praticamente fechou o Estreito de Hormuz, rota de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo antes da guerra, o que fez disparar o preço dos combustíveis.

Também estão na pauta da reunião a guerra na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, os riscos da inteligência artificial e a falta de recursos da própria ONU.

Irã oferece reabrir o Estreito de Hormuz em troca do fim do bloqueio americano

O Irã pode reabrir o Estreito de Hormuz em até sete dias se os EUA reduzirem a pressão militar e suspenderem o bloqueio aos portos iranianos, disse à agência Reuters um alto funcionário do governo iraniano, sob condição de anonimato. Segundo ele, Washington precisa anunciar oficialmente que busca uma saída diplomática e aceitar um cronograma de negociação.

A proposta teria sido entregue aos americanos por mediadores em 16 de setembro. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, embarcou nesta terça para Nova York, mas não deve se reunir com Trump. No domingo, o comando militar do Irã afirmou ter sido informado de que os EUA preparam a retomada dos ataques com apoio de países da região e ameaçou retaliar "sem limites".

A missão americana na ONU diz que Trump está decidido a impedir que o Irã tenha uma arma nuclear, mas que a porta para negociar continua aberta. Os efeitos se espalham pela região: o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, afirmou que o Irã tem barrado petroleiros iraquianos no estreito e que o país já perdeu US$ 60 bilhões em receitas desde o início da guerra.

Grandes emissoras param de filmar Trump após veto à CNN

ABC, CBS, Fox News e NBC suspenderam na segunda-feira (21) a cobertura em vídeo de Trump em solidariedade à CNN, ao MS Now e ao Politico, cujos jornalistas foram proibidos pelo presidente de entrar na Casa Branca. As quatro redes e a CNN se revezam para filmar o presidente e distribuir as imagens a veículos do mundo inteiro, um sistema de cobertura compartilhada que existe desde 1950.

Trump anunciou o veto na sexta-feira, acusando os três veículos de publicar "mentiras", e o Serviço Secreto recolheu as credenciais dos repórteres no sábado. Na segunda, as empresas processaram o governo por violação da Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de imprensa. Trump alega razões de segurança nacional, e ele próprio disse que provavelmente vai perder a ação.

Em resposta à paralisação, a Casa Branca passou a divulgar uma transmissão própria, batizada de "Trump TV". The Washington Post, The New York Times e a agência AP também suspenderam temporariamente a publicação de fotos feitas pelo rodízio de fotógrafos da Presidência. Repórteres de jornais, rádios e agências seguem acompanhando a agenda do presidente.

Xi vai a Washington para prolongar trégua com Trump

O líder chinês, Xi Jinping, chega a Washington nesta quarta-feira (23) para seu terceiro encontro com Trump em menos de um ano. A reunião está marcada para quinta. O objetivo principal é estender a trégua comercial firmada no ano passado. Na ocasião, a China respondeu às tarifas de Trump com taxas equivalentes e restringiu a exportação de terras raras, minerais essenciais para a indústria de tecnologia, até que Washington recuou.

Analistas ouvidos pelo New York Times avaliam que Xi negocia em posição confortável: Trump enfrenta eleições em novembro e uma guerra prolongada, enquanto o chinês se prepara para um inédito quarto mandato à frente do Partido Comunista e não depende de eleitores. Pode haver novas compras chinesas de produtos agrícolas americanos, mas a expectativa é baixa em temas como segurança da inteligência artificial e desequilíbrio comercial.

Trump tem evitado criticar Pequim. Ele minimizou até uma reportagem do Wall Street Journal segundo a qual a China forneceu ao Irã imagens de satélite de uma base americana na Jordânia onde três militares dos EUA foram mortos.

Milei leva Malvinas à ONU depois de aceno de Trump

O presidente da Argentina, Javier Milei, chega hoje a Nova York e discursa na Assembleia na quarta-feira, pela terceira vez. O foco será a reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas, arquipélago do Atlântico Sul controlado pelo Reino Unido, que o chama de Falklands.

O tema ganhou força depois que Trump sugeriu, pela primeira vez, que poderia rever a neutralidade dos EUA sobre a soberania das ilhas e se ofereceu como mediador. Segundo o jornal La Nación, Trump usa essas declarações para pressionar Londres a aumentar os gastos militares na OTAN, a aliança militar ocidental, e em resposta à falta de apoio britânico na guerra contra o Irã. Trump recebe hoje o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham.

Às 15h (horário de Brasília), Milei participa de reunião do Escudo das Américas, coalizão de governos latino-americanos alinhados a Washington contra o narcotráfico, lançada em março. A Casa Branca confirmou a presença de Trump por cerca de meia hora. À noite, o americano terá seu primeiro encontro com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu depois da captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA, em janeiro.

Presidente da Colômbia fica no país e manda vice à ONU

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, no cargo há 45 dias, rompeu uma tradição diplomática e enviou o vice, José Manuel Restrepo, para representar o país na Assembleia. Com isso, cumpre a promessa de campanha de não deixar a Colômbia durante os quatro anos de mandato.

Restrepo discursa na quinta-feira, com foco em segurança e investimentos, e será seguido pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Na campanha, De la Espriella chamou a ONU de "diretório político da esquerda" e ameaçou retirar o país da organização. No governo, moderou o tom, mas alinhou a política externa aos EUA e a Israel. Na semana passada, a Colômbia foi um dos quatro países que se abstiveram na votação que autorizou a Palestina a discursar a distância, depois de os EUA negarem vistos à delegação palestina.

A proposta teve 152 votos a favor e só três contra: EUA, Israel e Paraguai. É uma virada em relação ao antecessor, Gustavo Petro, que no ano passado chamou Trump de "cúmplice do genocídio" na tribuna da ONU. Em seguida, Petro teve o visto americano cassado e foi incluído na lista de sanções do Tesouro dos EUA.

Acordo com estados libera fusão que põe CNN sob controle dos Ellison

A Paramount fechou na segunda-feira um acordo com 12 estados americanos, liderados pela Califórnia, que tentavam barrar na Justiça a compra da Warner Bros. Discovery por US$ 81 bilhões. Com isso, a operação deve ser concluída em cerca de duas semanas.

Entre as concessões estão investir ao menos US$ 1,5 bilhão a mais em produção nos EUA ao longo de cinco anos, lançar no mínimo 30 filmes por ano e garantir a independência editorial da CBS e da CNN. Se descumprir as promessas, a empresa pode ser obrigada a vender canais a cabo.

O novo grupo reunirá os serviços de streaming HBO Max e Paramount+ sob o comando de David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, fundador da Oracle e aliado de Trump. Críticos temem interferência na cobertura jornalística, o que Ellison nega. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, disse que o acordo "não é um voto de apoio" à fusão.

Outras notícias

Venezuela: 21 organizações, entre elas Anistia Internacional e Human Rights Watch, pediram à ONU que mantenha até 2028 a missão que investiga violações de direitos humanos no país. Segundo as entidades, a repressão continua, e acusados seguem em cargos de poder, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello. O governo diz que houve melhora e cita uma lei de anistia e a libertação de até 8.743 presos.

Argentina: uma juíza de Buenos Aires declarou inconstitucional, num caso concreto, a nova lei que reduziu para 14 anos a idade de responsabilização penal. Ela arquivou o processo contra um adolescente de 14 anos acusado de tentativa de roubo. É a segunda decisão contra a lei, em vigor desde 5 de setembro. O chefe de governo da capital, Jorge Macri, disse que pedirá o afastamento da juíza.

México: o furacão Polo ganhou força e chegou à categoria 4 no Pacífico. Há alerta no litoral entre os estados de Guerrero e Colima, e as aulas foram suspensas em algumas regiões.

Lituânia : o primeiro-ministro, Mindaugas Sinkevičius, disse à BBC que o país tem planos de evacuação diante das ameaças russas, mas que reagirá se for atacado. Na segunda à noite, voos no aeroporto de Vilnius foram interrompidos por objetos semelhantes a balões, que o governo atribui a Belarus, aliada de Moscou.

Colômbia: o governo lançou um plano emergencial para atender mais de 1 milhão de pacientes com cirurgias, exames e entrega de remédios atrasados.

EUA: Trump anunciou que o arco triunfal de 76 metros que pretende erguer perto do Cemitério de Arlington vai abrigar drones, atiradores de elite e munição. Especialistas em aviação apontam riscos pela proximidade do aeroporto Reagan National, e órgãos de preservação histórica suspenderam a análise do projeto.

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