quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Lula e Flávio Bolsonaro tentam explorar sessão do STF sobre Moraes

 

11.set.2026 - Toalhas com imagens de Lula e Flávio Bolsonaro a venda em Brasília

11.set.2026 - Toalhas com imagens de Lula e Flávio Bolsonaro a venda em Brasília

Sergio Lima / AFP


Asdrúbal Figueiró

A sessão do STF que adiou a discussão sobre o relatório da PF com mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) ao ministro Alexandre de Moraes dominou as atenções na campanha eleitoral para a Presidência hoje.

"Quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes", disse Flávio Bolsonaro, durante um evento de campanha hoje em Juazeiro do Norte (CE).

"Ninguém aguenta mais o Lula, ninguém aguenta mais quatro anos do atual governo, ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo."

O candidato do PL também afirmou que, sendo o próximo presidente, indicará cinco ministros ao Supremo. "Não veremos mais esse triste espetáculo de tentativa de proteger Alexandre de Moraes."

Em entrevista ao podcast DL Show, Lula lembrou que não foi ele quem indicou Moraes ao STF, mas fez elogios ao ministro, a quem atribuiu "grandes serviços à democracia brasileira". O presidente também citou o julgamento da tentativa de golpe que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro à cadeia.

Lula disse que Flávio está "nervosinho" com a crise no STF.

"Vai aparecer toda a falcatrua dele com o Vorcaro. O churrasco, sabe? As bebidas, as mulheres e os R$ 130 milhões que ele pegou do Vorcaro para poder financiar o filme do pai."

Para Josias de Souza, com o pedido de vista que adiou a decisão sobre a investigação de Moraes na sessão de ontem do STF, o ministro Flávio Dino jogou o caso no colo de Lula. Na visão do colunista, isso pode ser decisivo na eleição.

"Se a minoria indecisa pender para Flávio, um candidato que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, Lula se lembrará de Dino como um táxi que não apareceu na hora da chuva."

Segundo Cézar Feitoza, um dos objetivos do pedido de vista de Dino, porém, foi justamente tentar desvincular a discussão sobre as suspeitas que pesam sobre Alexandre de Moraes da disputa eleitoral.

A manobra foi discutida entre os ministros aliados de Moraes na semana passada, que dizem que André Mendonça "determinou a produção de relatório da Polícia Federal contra o colega com fins político-eleitorais, para prejudicar a campanha de reeleição de Lula (PT) e favorecer Flávio Bolsonaro (PL)".

Na coluna Narrativas em Disputa, Felipe Bailez e Luis Fakhouri informam que, nas redes sociais, Alexandre de Moraes permanece como o personagem mais criticado, mas "entrou na sessão como o principal alvo e saiu dela um pouco menos cobrado".

"O desgaste de Moraes recuou 15% nos aplicativos de mensagem, 9% no X, 11% no Instagram e 19% no TikTok, enquanto as manifestações em defesa dele subiram em proporção semelhante."

O segundo ministro mais criticado é André Mendonça, com entre 31% e 42% de menções negativas, conforme a rede.

Gilmar Mendes, porém, foi quem "registrou a maior variação de desgaste depois da sessão, com 30% de aumento no Instagram, 20% no TikTok e 12% nos aplicativos de mensagem."

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