terça-feira, 19 de março de 2019

Polícia apreende menor suspeito de ajudar a planejar massacre a escola em Suzano


Jovem de 17 anos foi apreendido em casa. Durante a investigação foram analisados os celulares dele e dos dois assassinos e, de acordo com a polícia, os três aparelhos têm conversas claras sobre o planejamento das mortes.

Por César Tralli e Kleber Tomaz, TV Globo e G1 SP

Policiais civis apreenderam, na manhã desta terça-feira (19), o adolescente suspeito de ajudar a planejar o massacre que terminou com dez mortos na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. O jovem de 17 anos foi apreendido em casa e levado ao Instituto Médico Legal (IML) da cidade, onde foi submetido a exame de corpo de delito. De lá, seguiu para o fórum.

Na quinta-feira (14), o adolescente chegou a se apresentar à Justiça, mas negou a participação e foi liberado. Durante a investigação, porém, foram analisados os celulares dele e dos dois assassinos e, de acordo com a polícia, os três aparelhos têm conversas claras sobre o planejamento das mortes.

Nesta segunda-feira (18), a polícia apresentou ao Ministério Público um relatório com os resultados das buscas feitas na casa do menor. Além disso, a Polícia Civil apresentou à Justiça um documento com 13 tópicos que reforçam a participação do adolescente no planejamento do crime.
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Entre as evidências estão depoimentos como o de uma professora que afirma que, no início do mês, durante uma dinâmica de grupo sobre expectativa de futuro, o adolescente "de forma fria, sem expressar qualquer sentimento, respondeu que seu maior sonho era entrar em uma escola, armado, e atirar em várias pessoas aleatoriamente".

Em outro depoimento, um amigo dele disse que o menor havia dito que tinha planejado o crime com um dos assassinos, mas que não sabia quando seria executado.

Além disso, uma testemunha disse ter visto o menor com a dupla que executou o crime numa locadora de veículos no dia em que eles alugaram o carro usado no crime. Outra evidência foi a apreensão na casa dele de "uma bota estilo coturno, em estado de conservação novo, muito similar às utilizadas pelos autores do crime".

Com base nessas novas evidências e num parecer do promotor Rafael do Val, a juíza Erica Marcelina Cruz, da 1ª Vara de Suzano, determinou a apreensão do adolescente nesta manhã.

Internação

O prazo da internação provisória do menor é de 45 dias, podendo ser prorrogada dependendo do depoimento dele, de laudos de sanidade, entre outros fatores.

Além dos pais, o advogado Marcelo Feller irá acompanhar o adolescente no fórum. Nesta audiência a juíza vai decidir para qual unidade da Fundação Casa ele será internado.

Segundo assessoria do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, o procedimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que, se não for encontrada vaga em unidade da Fundação Casa para menor infrator, este deverá ficar pelo prazo máximo de cinco dias em cela especial de cadeia, aguardando vaga.

O ataque
Os assassinos de 17 e 25 anos eram ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil. Na manhã de quarta-feira (13), eles invadiram o colégio e mataram sete pessoas. Antes do massacre, um deles baleou e matou o próprio tio em uma loja de automóveis também em Suzano.

A investigação aponta que, depois do ataque na escola, um dos assassinos matou o comparsa e, em seguida, se suicidou. A polícia diz que os dois tinham um "pacto" segundo o qual cometeriam o crime e depois se suicidariam. Ainda não se sabe a motivação do massacre.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso é investigado pela Delegacia de Suzano, com o apoio do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa da Seccional de Mogi das Cruzes. Até esta terça, 31 testemunhas foram ouvidas. Elas poderão ser chamadas novamente para prestar depoimento ao longo das investigações.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Petrobras anuncia 7º reajuste no mês no preço da gasolina nas refinarias


Valor subirá 0,5%, para R$ 1,8326, a partir desta terça-feira (19). No mês, alta acumulada chega a 10,8%.


A Petrobras voltará a elevar o preço médio da gasolina em suas refinarias a partir desta terça-feira (19). O valor do litro subirá 0,5%, de R$ 1,8235 para R$ 1,8326, segundo informou a estatal em seu site.

Trata-se da 7ª alta já realizada no mês de março e do valor mais alto desde 2 de novembro (R$ 1,8466). No mês, o preço já subiu 10,8% nas refinarias. Em 2019, o avanço chega a 21,47%.

Já o preço do diesel será reduzido em 1,95%, de R$ 2,1871 para R$ 2,1446 o litro. No acumulado no ano, porém, a alta é de 18,5%.

Os reajustes quase que diários são praticados pela Petrobras desde meados de 2017 e visam acompanhar a paridade internacional, de modo a garantir participação à petroleira no mercado interno. No ano passado, após forte volatilidade, a empresa anunciou um mecanismo de hedge para aperfeiçoar essa sistemática, podendo congelar os valores nas refinarias por certo período de tempo, se necessário.

Nas bombas dos postos de combustíveis, contudo, tais reajustes da Petrobras não estão sendo acompanhados, segundo acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O preço médio da gasolina Brasil afora nos postos fechou a semana encerrada no dia 9 em R$ 4,243 por litro, o que representa uma queda de 2% desde o início do ano.


sexta-feira, 15 de março de 2019

É #FAKE que padre Fábio de Melo fez texto sobre massacre em Suzano dizendo que 'armas não matam'


Mensagem tem viralizado na web. Religioso diz em sua conta no Twitter que não é dele o texto que tem circulado.


Um texto atribuído ao padre Fábio de Melo sobre o massacre em Suzano que diz que "armas não matam" tem viralizado na web. A mensagem, porém, é #FAKE.

O padre publicou uma mensagem em seu perfil no Twitter em que diz que não é o autor do texto.

"O texto que está viralizado sobre o atentado em Suzano, cujo título é “O melhor texto que já li sobre o acontecimento de ontem”, não foi escrito por mim", diz o padre, em seu perfil.

No Twitter, ele deixa claro que fez um único texto sobre o massacre em Suzano. Nele, afirma que "o desamparo emocional alimenta uma desolação silenciosa". "A partir dela a pessoa passa a nutrir ódio pelos que estão felizes."


Fábio de Melo disse no Twitter, em março de 2015, que a "teologia que autoriza armas será sempre criminosa", em resposta a um usuário. "Em todos os tempos."



Tipo Cruzadas e Inq. Espanhola? RT @pefabiodemelo: A linguagem bélica no contexto religioso é um desserviço à revelação de que Deus é amor.


@jbanguela Teologia que autoriza armas será sempre criminosa, meu caro. Em todos os tempos.
Água benta e terra santa também faz lama.

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quinta-feira, 14 de março de 2019

Assassinos planejaram massacre em escola de Suzano por mais de um ano, aponta investigação



Polícia investiga possibilidade de Guilherme Monteiro e Luis Castro terem participado de fórum em rede obscura da internet onde pessoas planejam crimes. Na quarta, eles mataram 8 pessoas e depois se mataram.

Por Renata Ribeiro, Filippo Mancuso, Fábio Turci, Kleber Tomaz, Thiago Lavado e Altieres Rohr, Bom Dia SP e G1 SP

Os assassinos que mataram oito pessoas e depois se mataram na quarta-feira (13) durante o massacre numa escola de Suzano, região metropolitana de São Paulo, planejaram o crime por um mais de um ano, apontam as investigações preliminares da Polícia Civil. Outras 11 pessoas ficaram feridas, duas em estado grave.


Ainda de acordo com os policiais, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, pretendiam matar mais pessoas do que as 13 vítimas fatais do massacre de Columbine, ocorrido em 1999 nos Estados Unidos. Em abril, esse crime completará 20 anos.

A polícia de Suzano investiga o caso para tentar esclarecer as reais motivações que levaram Guilherme e Luiz entrarem armados na Escola Estadual Raul Brasil e atirarem e golpearem com machado alunos e funcionários. Antes, um deles matou o tio numa loja.

Após a matança, os assassinos, que eram alunos da escola, morreram. Segundo a polícia, Guilherme atirou em Luiz e depois se suicidou com a chegada da Polícia Militar (PM).

Pistas: games, música, caderno, fotos e fórum na web

Os indícios que levam a investigação a crer que a chacina foi premeditada são games de tiros, anotações sobre táticas do jogo. Algumas anotações estão em dois cadernos encontrados no carro dos criminosos. Num deles há o desenho de uma arma.

Guilherme chegou a postar fotos ameaçadoras na internet momentos antes do crime. Ele aparece armado e com uma máscara de caveira numa das imagens.

A polícia também investiga a possibilidade de a dupla de assassinos ter frequentado um fórum intitulado Dogolachan na Deep Web, uma internet considerada obscura na qual pessoas anônimas incitam crimes de ódio e intolerância.

“Muito obrigado pelos conselhos e orientações ... esperamos não cometer esse ato em vão”, teria escrito um dos assassinos dois dias antes do massacre em Suzano.

Um dos amigos dos criminosos foi ouvido pela polícia na noite de quarta e contou que soube da intenção da dupla em fazer o atentado. Só não sabia quando seria.

Os investigadores já ouviram 20 pessoas no total, entre pessoas próximas aos assassinos e vítimas deles.

Plano: ser maior do que Columbine

Além de terem suspeitas de que Guilherme e Luiz planejaram o crime há mais de um ano, os policiais acreditam ter elementos para descobrir outras peças desse quebra-cabeça para ajudar a entender a motivação do crime.

Computadores foram apreendidos na lan house onde os amigos assassinos costumavam jogar videogame.

Investigadores também já sabem que os dois fizeram pesquisas sobre atentados em escolas nos Estados Unidos. Pretendiam, por exemplo, fazer um ataque maior do que o massacre de Columbine, em Littleton, no estado americano do Colorado, em 1999, quando Eric Harris, de 18, e Dylan Klebold, 17, mataram a tiros 12 colegas e um professora antes de se suicidarem na escola. Outras 24 pessoas ficaram feridas.

No massacre de Suzano, Guilherme e Luiz mataram cinco alunos da Raul Brasil e dois funcionários. Antes de a dupla entrar na escola, o adolescente ainda matou seu tio no lava-jato em Suzano onde ele era dono.

Morreram os alunos Caio Oliveira, 15; Cleiton Ribeiro, 17; Douglas Murilo Celestino, 16; Kaio Lucas da Costa Limeira, 15; e Samuel Mequíades, 16.

Também perderam a vida, a funcionária ; e Eliana Regina de OIiveira Xavier, 38; e a coordenadora pedagógica Marilena Umezu, 59.

O empresário Jorge Antonio de Moraes, tio de Guilherme, foi o primeiro alvo. Segundo policiais, ele teria sido morto pelo sobrinho por ter descoberto o plano da dupla em matar os alunos na escola.

Perfil dos assassinos

Policiais civis e peritos da Polícia Técnico-Científica foram as casas dos assassinos, que moravam a pouco mais de 1 quilômetro de distância do colégio.

Guilherme foi criado pela avó, que morreu há cerca de três meses. Atualmente ele estava morando com um tio.

Luiz vivia com os pais, um irmão mais velho e o avô. Ele era jardineiro e trabalhava na Zona Leste de São Paulo.

“Infelizmente a família completamente perplexa, os pais em choque, há idosos, o avô dele reside aqui, mais de 80 anos, estão todos completamente sem chão, sem norte”, disse Fabrício Cicone Tsutsui, advogado da família de Luiz.

Além de investigar a participação dos assassinos nas redes sociais, a polícia quer saber como eles adquiram as armas e como alugaram o carro usados na chacina.

Polícia quer saber o que motivou o ataque na escola Raul Brasil, em Suzano, em SP.

Câmeras gravaram massacre

Câmeras de segurança da escola e da vizinhança e vídeos feitos por celulares de alunos e funcionários da escola gravaram o crime e o desespero das vítimas para fugir massacre.
Outras imagens também mostram Guilherme e Luiz antes do crime. Eles haviam alugado um carro para cometer a chacina.

Primeiro foram a loja de Jorge, onde o sobrinho atirou nele e depois entrou no veículo, dirigido por Luiz. Os dois então foram para a escola. Pararam na frente do portão principal e entraram.

Guilherme chega e já começa a atirar nos colegas.
Depois aparece Luiz com um arco, flechas e uma mochila, onde carregava seis bombas caseiras. Com um machado, ele começa a golpear as vítimas caídas. Segundo a polícia, era para ter certeza de que elas seriam mortas.

As imagens mostram alunos e funcionários correndo. Alguns são golpeados por machado por Luiz. Um deles sai com a arma presa ao ombro.

Vítimas relatam desespero

“A gente estava servindo merenda na hora porque bateu o sinal e eles descem pra comer merenda. Então o maior número de crianças fica ali próximo a cozinha. E ali estavam, aí começou os pipocos, nós achávamos que era bombinha. Mas não foi. Ali começou a atirar e nós abrimos a porta da cozinha, colocamos o maior número de criança que a gente conseguiu colocar pra dentro. E ali ficamos acolhido até a polícia vir e tirar nós de lá. Mas nisso já estava já a tragédia já tinha acontecido”, disse a cozinheira da escola Silmaria Morais.

Outras imagens de câmeras de imóveis vizinhos da escola mostram os alunos pulando o muro para escapar dos criminosos.

“Eu estava assustado, eu estava assustado. Eu vi os barulhos de tiros, as pessoas já vieram gritando ‘é tiro, é tiro’, aí eu saí correndo. E as pessoas atrás de mim”, disse Lucas Alves, 16, aluno da escola. “Aí eu pulei os muros, consegui pular três muros se não me engano, e consegui fugir. Um colega meu veio atrás.”

Do pátio da escola, os assassinos seguiram para outro setor, um centro de estudos de línguas. Lá, eles tentaram entrar para matar mais alunos e funcionários, mas uma professora trancou a porta e ficou com todos ali dentro.

Com a chegada da Polícia Militar, Guilherme atirou em Luiz e depois se matou.


Investigação: carro e armas

A polícia já sabe que o carro usado pelos assassinos ficava num estacionamento e a dupla ia até lá de vez em quando, pra colocar os objetos que seriam usados no massacre.

A polícia ainda encontrou na escola um artefato com fios dentro de uma sacola. E garrafas com um líquido que parecia ser coquetel molotov. Todo esse material está sendo periciado.
A principal arma do crime foi um revólver calibre 38, com numeração raspada. Ou seja: foi comprado de criminosos. A arma foi encontrada junto aos corpos dos dois assassinos.

As fotos da tragédia na escola também mostram um outro tipo de objeto caído no chão. São os chamados jet loaders. Foram usados pelo menos quatro desses.

São dispositivos pequenos, feitos de plástico, com cinco furos onde a munição é encaixada. Segundo policiais, os assassinos usaram o equipamento para carregar o revólver em menos tempo para tentar matar o maior número de vítimas.

Os assassinos também tinham um arco e flecha e uma balestra, ou besta. Ainda não se sabe ao certo se chegaram a dispará-los. A besta não é considerada uma arma e tem venda livre.

'Improvisação'

Para Diógenes Lucca, consultor em segurança, as armas usadas sugerem um certo grau de improvisação dos assassinos.

“Eles teriam feito essa ação com o que tivessem a mão, naquele momento. É claro que uma arma de fogo acabou facilitando e produzindo os danos que nós percebemos aí ao final da operação. Mas... a, o uso da machadinha foi muito revelador da vontade e do desejo absoluto de produzir aquele massacre”, falou Diógenes.

Os corpos de Guilherme e Luiz ainda estão no Instituto Médico-Legal (IML) de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Só serão liberados quando todos os mortos no ataque forem enterrados para evitar que parentes dos assassinos e das vítimas se encontrem.

Ministério Público

O Ministério Público de São Paulo informou, na noite de quarta, que vai investigar em que circunstâncias ocorreram as dez mortes do massacre em Suzano. O trabalho será realizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O objetivo é apurar a possível existência de organização criminosa que tenha colaborado para "eventual cometimento de crimes relacionados a terrorismo doméstico, como apontam os primeiros indícios", diz o órgão. O termo terrorismo doméstico é usado para definir atentados terroristas cometidos por cidadãos contra o seu próprio povo ou governo.


Luis Fernando toma posse nesta sexta-feira no governo Flávio Dino…

Prefeito de São José de Ribamar reuniu aliados e auxiliares na tarde de ontem para comunicar sua renúncia; ele vai assumir a Secretaria de Programas Estratégicos


LUIS FERNANDO DURANTE REUNIÃO COM ALIADOS E SECRETÁRIOS; renúncia planejada apoio ao futuro prefeito
O prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB) confirmou ontem sua renúncia do mandato e sua posse na Secretaria de Programas Estratégicos do governo Flávio Dino (PCdoB).
Como adiantou o blog Marco Aurélio D’Eça, o agora ex-prefeito reuniu secretários e aliados na Câmara Municipal para comunicar sua renúncia.(Relembre aqui)
Luis Fernando tomará posse no governo Flávio Dino nesta sexta-feira, às 10 horas, em solenidade no Palácio dos Leões.
No mesmo dia, à tarde, o vice-prefeito Eudes Sampaio assume a Prefeitura de São José de Ribamar.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Adolescentes atiram dentro de escola e número mortos pode chegar a 10 pessoas em Suzano, diz polícia


Os dois atiradores se mataram logo após o ataque. Ao menos 17 pessoas foram feridas.

 
Estudantes se abraçam em frente a Escola, em Suzano-SP.
Por G1 Mogi das Cruzes e Suzano

Dois adolescentes encapuzados mataram 10 pessoas, feriram ao menos 17 e cometeram suicídio em seguida, em Suzano (SP). A maioria das vítimas são estudantes e morreram dentro da Escola Estadual Raul Brasil. O ataque ocorreu por volta das 9h30 desta quarta-feira (13).

Resumo

·         Atiradores mataram 10 pessoas e se mataram em seguida
·         Os atiradores e as vítimas ainda não foram identificados
·         17 feridos foram levados a hospital
·         A polícia diz que os atiradores são ex-alunos da escola
·         Ainda não se sabe o motivo do ataque

·         Uma testemunha disse que viu um deles com arma de fogo e outro, com uma faca
·         A PM encontrou no local armas, arco e flecha, objetos que parecem ser coquetéis molotov e uma mala com fios.

·         Antes de os autores do ataque entrarem na escola, um homem foi baleado em uma loja de veículos nas proximidades. A polícia ainda apura se há relação entre os dois crimes

Dentro da escola, a polícia encontrou um arco e flecha e garrafas que aparentam ser coquetéis molotov. Há ainda uma mala com fios, e o esquadrão antibombas foi chamado.

A instituição foi isolada pela polícia e há muitos alunos e funcionários chorando ao redor.

A capitão Cibele, da comunicação da PM, disse que pouco antes dos disparos na escola, a polícia foi chamada para outra ocorrência com arma de fogo, perto dali. "Mas ainda não podemos precisar se os casos estão relacionados.

Policiais estavam indo para esse primeiro chamado e ouviram gritos das crianças. Foram então até a escola, onde os dois criminosos acabaram se matando", disse ela.

Relato de estudante


O estudante Rosni Marcelo Grotliwed, de 15 anos, disse que o ataque ocorreu durante o intervalo e que um dos criminosos tinha uma arma e outro, uma faca.

“A gente estava na merenda e comendo normal e escutamos 'três pipocos' nisso tentamos correr para pular o muro do CEL. Os caras vieram atrás de nós e começou a matar muita gente. Mas o pente dele descarregou e foi na hora que a gente correu."
Segundo ele, um dos garotos passou com faca ao seu lado, mas ele conseguiu desviar. "Fui para a diretoria e tinha muita gente morta no chão. Eles gritavam, mas eu não entendi o que era."

"Meu amigo levou facada no ombro e outro levou um tiro. Fugi com um amigo para minha casa e voltei para buscar um amigo.”

Atendimento a vítimas

O Corpo de Bombeiros e equipes do Samu estão no local. Bombeiros de Mogi das Cruzes também foram chamados, às 9h50, para apoiar o atendimento. O helicóptero Águia, da PM, sobrevoa a escola. Toda a polícia de Suzano está mobilizada no caso.

O governador João Doria chegou à escola em um helicóptero, acompanhado do secretário Estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, do secretário de Segurança, general João Camilo Pires de Campos, e do comandante da PM, o coronel Salles. Todos vão falar com a imprensa no local.

Segundo o Censo Escolar de 2017, a instituição possui 358 alunos da segunda etapa do fundamental (6º ao 9º ano) e 693 estudantes do ensino médio.



PEDÓFILOS X ABUSADORES: Pedofilia é uma doença ou safadeza? LEIA TODO O ARTIGO E DEPOIS COMENTE!


O que é a pedofilia? Quais os tratamentos e as experiências internacionais? Especialistas comentam sobre práticas possíveis para evitar que um pedófilo se torne um abusador.

Por Tatiana Coelho, G1


Comumente, diz-se que "pedofilia é crime", mas não é exatamente assim. Pedofilia é uma doença classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde os anos 60. Segundo o Código Penal brasileiro, o que é crime é o abuso sexual de menores de 14 anos e consumo e distribuição de pornografia infantil.

A discussão sobre pedofilia é tabu em boa parte do mundo, mas especialistas lutam para que o diagnóstico e o tratamento do pedófilo sejam mais amplamente divulgados. A razão é simples: o tratamento pode evitar que pedófilos se tornem abusadores e criminosos e, logo, que haja menos vítimas.
"As pessoas pensam que quando falamos que transtorno pedofílico é uma doença, estamos protegendo o indivíduo pedófilo em detrimento da vítima. É proteger a vítima e averiguar se aquele que molestou a criança de fato é ou não portador de pedofilia. A grande maioria dos molestadores de criança não é portadora deste problema", diz Danilo Baltieri, médico-psiquiatra da Faculdade de Medicina do ABC e responsável pelo Ambulatório ABCSex, que trata pedófilos.

Baltieri também explica que ao redor do mundo, não são muitos os especialistas na área. Doenças crônicas como depressão, diabetes e hipertensão ganham mais atenção da medicina tamanho o tabu.

"Existe uma dificuldade do profissional da saúde em enfrentar este tema, que não é fácil. Existe um preconceito público enorme, o que é totalmente compreensível, e o assunto é complexo mesmo. É difícil", explica.

"Os pacientes com o chamado transtorno pedofílico em geral necessitam de abordagens interdisciplinares. Não só do médico. Ele precisa do psicólogo, do assistente social, é necessário o apoio da família", completa Baltieri.

O que é pedofilia?

A pedofilia é um distúrbio parafílico, ou seja, é um comportamento sexual que não segue a normalidade, como a necrofilia (o desejo de ter relações sexuais com cadáveres) ou a zoofilia (o desejo sexual por animais). Na pedofilia, a pessoa tem interesse intenso e persistente por crianças.

Segundo a OMS, os distúrbios parafílicos são caracterizados por padrões persistentes e intensos de excitação sexual atípica, manifestados por pensamentos sexuais, fantasias, impulsos ou comportamentos, cujo foco envolve outros cuja idade ou status os torna pouco dispostos ou incapazes de consentir e nos quais a pessoa agiu ou pelo qual ele ou ela é marcadamente angustiado.

Este tipo de comportamento não é considerado uma orientação sexual como a heterossexualidade, homossexualidade e a bissexualidade.

Por que tratar pedófilos?

Não existe cura para as parafilias. Logo, a pedofilia também não tem cura. O que isso significa? Que os pedófilos conviverão com o problema por toda a vida e que por isso é necessário tratamento. Não há como mudar o interesse destas pessoas, mas com a terapia é possível ajudá-los a controlar e não agir a partir de seus impulsos.

O tratamento pode ajudar que não haja novas vítimas e para que aqueles que já cometeram algum crime não voltem a fazê-lo.

Tratar pedófilos é um desafio da medicina.

“Nenhum de nós é contra a pena de prisão. Nós somos a favor. O que nós somos contra é a falta de tratamento dentro e fora das penitenciárias”, diz Baltieri.

Para Antônio Serafim, piscólogo que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (NUFOR ) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, outro problema é generalização do termo.
“Como há confusão sobre o termo pedofilia, as pessoas tendem a generalizar. Qualquer pessoa que pratica abuso é chamado de pedófilo e, logo, criminoso. Esta situação impede que reais pedófilos procurem ajuda”.

Abusador X pedófilo

Nem todo abusador de criança é pedófilo. Abusadores de crianças podem ser definidos por seus atos, pedófilos são definidos por seus desejos. Um pedófilo que não procura ou recebe ajuda pode vir a se tornar um abusador e, logo, criminoso.

Baltieri explica que de 20 a 30% dos abusadores de crianças tem o transtorno pedofílico. A maioria são pessoas que se aproveitam de uma situação de poder ou de oportunidade para cometer o abuso.


A classificação generalista faz com que a Justiça acabe por colocar todos no mesmo grupo, em casos de pedófilos que cometeram crimes. Porém, sem assistência médica, as chances de um pedófilo abusador cometer um crime novamente aumentam.

"De nada vai adiantar prender o portador de transtorno pedofílico junto com outros molestadores, se não for ofertado o tratamento adequado. Um dos denominadores comuns entre os pedófilos e os molestadores de criança é ter a ideia de que a criança gosta, de que a criança é um ser sexual. A gente chama isso de distorção cognitiva", explica Baltieri.

E complementa: "Em uma penitenciária aonde a maioria tem este tipo de pensamento, deixá-los compartilhar, é ele aprender que isso é normal, que é a sua visão de mundo. Uma intervenção dentro e fora das penitenciárias é crucial".

Como é feito o tratamento

No Ambulatório da Faculdade de Medicina do ABC, 50 pedófilos recebem tratamento. Eles são atendidos de graça por médicos e residentes da faculdade. E o tratamento é feito de forma voluntária.

"A procura é enorme, mas temos limite de agenda. Não tratamos ninguém involuntariamente ou sob medida de segurança, não temos nenhum tipo de parceria com o setor judiciário", diz Baltieri.

O tratamento envolve:
terapia em grupo
diário comportamental
presença da família
remédios quando necessário

O "coração" do tratamento são as sessões de terapia em grupo, diz Baltieri.

“Se um paciente fala algo, é muito mais fácil um outro portador da doença confrontar a mentira, a negação, do que o terapeuta que não é pedófilo. Este tipo de postura é o coração de todo tratamento ao redor do mundo”, explica.

Já no NUFOR, Serafim recebe pedófilos que podem chegar por determinação judicial: "O tratamento consiste inicialmente passar por uma avaliação psicológica e psiquiátrica para verificar sintomas. A partir daí pode ser usado medicação e psicoterapia".

A medicação usada varia entre antidepressivos e controladores de humor a terapia hormonal, usada em casos mais raros em que o impulso sexual é muito forte.

Mudança de foco

Baltieri explica que o principal trabalho realizado é o que eles chamam de “redirecionamento masturbatório”. A técnica visa mudar o “foco” da atração do pedófilo.

Segundo ele, o tratamento tem três grandes objetivos, não são os únicos, mas os principais:

Controlar as fantasias e comportamentos parafílicos
Evitar qualquer tipo de reincidência
Melhorar a qualidade de vida desta pessoa, seja sexual e/ou interrelacional

Com ajuda dos psicólogos e psiquiatras, a pessoa aponta um adulto pela qual se sinta atraído: “Vamos tentar fazer com que esta pessoa foque neste outro tipo de indivíduo. Ele vai iniciar sua masturbação pensando nesta pessoa adulta, naturalmente sabemos que as imagens infantis vão ser intrusivas -elas vão aparecer durante o ato masturbatório. Quando aparecer, ele interrompe a masturbação e retorna novamente neste processo (de mudar o foco)”.

Outra prática realizada com os pacientes do ABCSex é o uso do diário comportamental, em que além de relatar o dia a dia, os pacientes falam sobre suas fantasias.

“Ele vai escrevendo um diário, que a gente chama de diário masturbatório, onde ele vai contando quando se masturbou, se deu vontade, se as imagens apareceram ou não, se ele teve vontade de olhar para crianças, se atração em relação às crianças tem reduzido ou não, se ele tem feito uso de desenibidores como álcool e outras drogas...”

Quais as dificuldades no tratamento?

A maioria dos pedófilos são homens. Existem mulheres que tem o transtorno, mas são casos mais raros. Mesmo assim, a pedofilia é altamente heterogênea. Ou seja: pode ser que a pessoa tenha uma forma mais branda do distúrbio e apenas fantasie com crianças ou pode ser que ela tenha um impulso maior e chegue a agir contra uma criança.

"De qualquer forma, desde o mais leve até o mais complexo, o tratamento sempre é muito difícil. O que talvez seja um dos motivos para não termos mais especialistas na área", diz Baltieri.

Baltieri explica que por conta da natureza do transtorno, os pacientes têm enorme dificuldade em se abrir: "Elas vão aos poucos revelando quem são. A vida sexual é muito íntima. Com a vida sexual dita normal já temos dificuldade para falar para qualquer pessoa. Imagina alguém que tem uma atividade tão complicada quanto se excitar com criança".

"O diagnóstico também não é fácil, não é uma coisa que se faz em uma, às vezes nem em duas, consultas. Às vezes se demora a fazer o diagnóstico pela dificuldade do paciente em revelar as suas fantasias", explica.

Maioria é casada

Segundo Baltieri, a maioria dos portadores de pedofilia que procuram tratamento no ABCSex é casada, alguns com filhos. Por isso, um dos objetivos do tratamento é mudar o foco de atração.

“Não é nem de longe um objetivo a perda da libido, mesmo porque isso não funciona em nenhum país. A libido não é apenas hormonal, envolve o aspecto cerebral, neuromoral, cultural", diz.

"O objetivo é reestruturar a vida deste indivíduo. Inclusive a vida sexual com a sua mulher ou para que desenvolvam novos rituais de namoro com pessoas da mesma idade. É reaprender este processo”, explica o psiquiatra.

Na maioria dos casos atendidos no ambulatório do ABC Sex, as mulheres acabam por participar do tratamento do companheiro, mesmo quando decidem não manter mais relações sexuais com o indivíduo.

“Eu nunca vi uma separação nestes quase 16 anos de ambulatório. As esposas tentam entender que é um problema, elas percebem o sofrimento dos pacientes que nos procuram e tentam ajudar. É lógico que no início existem as dúvidas, a raiva, o nojo. Se as próprias esposas entendem, acompanham, por que os outros não?”, explica.

No futuro, o ambulatório quer oferecer terapia de grupo também para as mulheres de pedófilos.

Qual a causa da pedofilia?

Não existem muitos estudos sobre as possíveis causas da pedofilia. Segundo Baltieri, o que a medicina sabe sobre o transtorno pedofílico é que é uma doença do neuro desenvolvimento.

"Existem exames em neuro-imagens que mostram alterações pré-frontais do cérebro e na região da amígdala. A região pré-frontal é a região do cérebro responsável pelo controle impulsivo e a amígdala é a responsável pela regulação das emoções. Isso significa o quê? Que existem alterações, não de estrutura, mas da funcionalidade", explica.

"Ou seja, o cérebro de um portador do transtorno pedofílico funcionaria diferentemente diante de estímulos do que o nosso cérebro, de quem não é portador"- Danilo Baltieri, psiquiatra especializado no tratamento de pedófilos.

Estudos motram que a genética pode contribuir para a incidência de pedofilia. O estudo mais famoso sobre o tema foi realizado em 1984 e mostrou que filhos de pedófilos tem maior chance de serem pedófilos também.

Segundo Baltieri, existe também a evidência do abuso sexual na infância, mas não como um fator de causalidade. O abuso sexual não é a causa, mas pode contribuir se tiver alguma vulnerabilidade genética ou dificuldade relacional na pessoa.

"Fiz um estudo com cerca de 208 agressores sexuais presos em uma penitenciária do estado de São Paulo. Dentre os 111 que eram molestadores de criança, se tinham sofrido abuso sexual na infância, tinham seis vezes mais chances de agredir crianças do que mulheres adultas", diz.

Como é feito no mundo

A dificuldade em oferecer tratamento para pessoas com transtorno pedofílico é mundial. Na Alemanha, um projeto que começou em Berlim tem dado certo, especialmente no trabalho de prevenção de abusos.

O projeto Dunkfeld funciona desde 2011 e se transformou em uma rede nacional conhecida pelo lema "não ataque". Os pedófilos entram para o programa de forma anônima e pela lei de confidencialidade entre pacientes e médicos não podem ser denunciados para a polícia.
Nos EUA é diferente. Em casos de crimes revelados pelo paciente ou se o médico detectar um alto potencial para ação criminosa, ele deve reportar para as autoridades.

No tratamento alemão, a terapia de grupo também é parte central. Nas sessões semanais, o grupo compartilha sentimentos e aprende, dentre outras coisas, a lidar com situações que possam ser estressantes para quem sofre do transtorno e a tentar controlá-lo: festa infantis, reuniões familiares com a presença de crianças...

O programa alemão tem o apoio de familiares de vítimas. A família de April Jones, um menina britânica de cinco anos que foi assassinada em 2012, pediu que ajudem aos pedófilos que procuram por ajuda.

"Se alguém disser ao médico: 'Eu tenho esses sentimentos, posso ter ajuda?', seria melhor tentar ajudá-los antes que arruínem a família de outra pessoa", disse Coral Jones ao jornal inglês "The Guardian".