quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Banco central dos EUA sobe juros e contraria Trump

 

Operador acompanha tela na Bolsa de Nova York após o Federal Reserve elevar os juros nesta quarta-feira

Operador acompanha tela na Bolsa de Nova York após o Federal Reserve elevar os juros nesta quarta-feira

Jeenah Moon/Reuters



Do UOL

O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, elevou hoje sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023, e a decisão foi unânime entre os 12 integrantes do comitê que define os juros.

O motivo é a inflação, que chegou a 3,4% em 12 meses em agosto, bem acima da meta de 2%. "A inflação está alta demais, e há tempo demais", disse o presidente do Fed, Kevin Warsh. Os preços vêm sendo pressionados principalmente pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que já dura mais de seis meses e mantém fechado o estreito de Hormuz, rota marítima por onde passa grande parte do petróleo mundial.

O barril continua acima de US$ 100. Nos EUA, a gasolina subiu para US$ 4,33 o galão, em média, e o diesel bateu recorde. Também pesam as tarifas de importação impostas por Trump e os investimentos bilionários em inteligência artificial, que aquecem a demanda.

A alta deve continuar. Segundo as projeções divulgadas pelo Fed, 16 dos 18 dirigentes que participaram da reunião preveem ao menos mais um aumento até o fim do ano. A instituição agora estima que a inflação só voltará à meta em 2029, um ano depois do que previa em junho.

A decisão coloca Warsh em rota de colisão com Donald Trump, que o indicou ao cargo em janeiro com a expectativa de que ele cortaria os juros. Warsh assumiu em maio. Após o anúncio, Trump voltou a cobrar redução "rápida" e disse que os juros americanos deveriam estar em 1% ou menos. No início do mês, o presidente havia ameaçado cortar o comércio com países com os quais os EUA têm déficit se o Fed não baixasse as taxas. Questionado sobre as pressões, Warsh não quis comentar.

O impacto político é direto: faltam sete semanas para as eleições legislativas de 3 de novembro, em que os republicanos correm o risco de perder o controle do Congresso, e o custo de vida é a principal preocupação dos eleitores. Juros mais altos encarecem cartão de crédito, financiamentos de carros e imóveis. A taxa média da hipoteca de 30 anos já se aproxima de 7%.

Os mercados reagiram em queda: o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, fechou com baixa de cerca de 1,2%, e o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos, referência para empréstimos no mundo todo, voltou ao maior nível desde 2007. Juros mais altos nos EUA costumam valorizar o dólar e encarecer o crédito para países emergentes.

EUA tiram Venezuela de lista de reprovados no combate às drogas

O governo Trump retirou a Venezuela da lista de países que, segundo Washington, "falharam de forma comprovada" no combate ao tráfico de drogas. A Colômbia foi mantida, ao lado de Afeganistão, Bolívia e Mianmar.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a mudança se deve à captura e retirada do ex-presidente Nicolás Maduro do país, em janeiro, e à morte do líder da facção criminosa Tren de Aragua, Héctor "Niño" Guerrero, em junho. Os dois episódios ocorreram após operações militares lideradas pelos EUA. Trump elogiou os "avanços" sob a presidente interina Delcy Rodríguez, cujo governo tem estreitado a cooperação com Washington por meio de acordos de petróleo.

Washington acusava Maduro de chefiar o chamado Cartel de los Soles, organização cuja existência nunca foi comprovada de forma consistente. As menções ao grupo foram retiradas da acusação apresentada contra ele após sua prisão em Nova York. A Venezuela continua, porém, entre os 23 países considerados grandes rotas de trânsito ou produção de drogas, com o Brasil fora da lista.

No caso colombiano, o texto culpa o governo anterior, de Gustavo Petro, e faz elogios ao atual presidente, Abelardo de la Espriella, no cargo há 40 dias, sinalizando que a Colômbia pode sair da lista em 2027 se avançar na erradicação da coca. Assim como em 2025, Trump concedeu uma dispensa que evita sanções econômicas e a suspensão da cooperação em segurança. Dados da ONU mostram que o país tinha 261 mil hectares de coca em dezembro de 2024, recorde histórico.

EUA negociam com houthis e não ajudam Arábia Saudita no Iêmen

Autoridades americanas se reuniram no fim de semana com líderes houthis, grupo rebelde iemenita apoiado pelo Irã, na embaixada dos EUA em Mascate, capital de Omã. O encontro ajuda a explicar por que Washington decidiu não intervir militarmente para ajudar a Arábia Saudita a conter o avanço houthi no Iêmen, segundo reportagem do The Guardian.

Na semana passada, os rebeldes tomaram grandes áreas do litoral oeste do país, às margens do mar Vermelho. Segundo relatos, os houthis garantiram aos americanos que o cessar-fogo firmado entre as partes em 2025 continua valendo e que não atacarão navios dos EUA, apenas embarcações ligadas aos sauditas, a quem acusam de bloquear o Iêmen. Trump condenou a ofensiva por ameaçar a navegação no estreito de Bab al-Mandab, passagem estratégica entre o mar Vermelho e o golfo de Áden, mas descartou ação militar. Os EUA classificaram os houthis como organização terrorista em março de 2025.

A troca de acusações se intensificou. A Arábia Saudita afirma ter interceptado na terça-feira (15) um drone houthi lançado em direção a Meca, cidade mais sagrada do islã; os rebeldes negam e chamam a acusação de mentira. Os houthis, por sua vez, dizem ter derrubado um caça saudita e atacado uma instalação da petrolífera Aramco no porto de Yanbu, sem apresentar provas.

Merz enfrenta pressão após derrota para ultradireita na Alemanha

O chanceler (chefe de governo) alemão, Friedrich Merz, enfrenta questionamentos dentro do próprio partido, a União Democrata-Cristã (CDU), após a derrota esmagadora na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, vencida pela Alternativa para a Alemanha (AfD). No estado, a legenda é classificada como "comprovadamente extremista de direita" pelo serviço de inteligência interno.

Um novo revés é esperado no domingo (20), na Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde a CDU aparece com 7% nas pesquisas e corre até o risco de não atingir os 5% necessários para entrar no Parlamento estadual. Merz, que prometeu reduzir pela metade o apoio à AfD, viu o do próprio partido cair à metade. O apoio ao governo está no nível mais baixo já registrado.

Merz cancelou a viagem à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e deve pedir um voto de confiança à cúpula do partido. Os oito governadores estaduais da CDU divulgaram nota de apoio a ele. Não há sucessor claro: os nomes citados, Markus Söder, da Baviera, e Hendrik Wüst, da Renânia do Norte-Vestfália, enfrentam resistências ou não demonstram interesse. Pela lei alemã, se o chanceler não renunciar, sua substituição exige que o Parlamento aprove ao mesmo tempo a destituição e um novo nome.

Curtas

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