quinta-feira, 31 de março de 2016

Alunos de Itinga do Maranhão escolhem a “Semana do Jovem Eleitor” para tirar o primeiro Título Eleitoral


O alistamento eleitoral de jovens de 16 a 18 anos incompletos ganhou um destaque especial na Semana do Jovem Eleitor, que começou na última segunda-feira (28) e se estenderá até o dia 1º de abril, sexta-feira. Com a veiculação de campanhas de conscientização voltadas aos jovens no rádio, TV e redes sociais, a Justiça Eleitoral pretende despertar nessa faixa etária o compromisso com a participação na vida política do país.

Embora o alistamento eleitoral seja facultativo para menores de 18 anos, uma caravana de 154 jovens estudantes, da Escola de Ensino Médio Terezinha Coelho Rocha, da cidade de Itinga do Maranhão resolveu procurar, hoje, quinta-feira (31), o Fórum Eleitoral de Açailândia para retirarem os seus títulos eleitorais e estarão aptos a votar nas eleições municipais deste ano. Os jovens itinguenses que completaram 16 anos, ou completarão até o dia da eleição deste ano foram ao Cartório Eleitoral, levando consigo um documento de identificação com foto e um comprovante de residência para se tornarem cidadãos brasileiros completos.

Para facilitar o atendimento aos estudantes, foi firmado uma parceria com a direção da escola e com a Secretaria Municipal de Educação, que disponibilizou o transporte para que os alunos tivessem acesso aos serviços da Justiça Eleitoral. Toda equipe do cartório foi mobilizada com a finalidade de agilizar o atendimento.


O município de Itinga do Maranhão possui o maior número de eleitores da 98ª Zona, 16.197 eleitores. “Com a impossibilidade do descolamento do cartório para aquele município, ações como essa servem para evitar as enormes filas que se formam no encerramento do Cadastro”, frisou o Chefe de Cartório, Francisco Evânio.

Segundo pesquisas junto aos eleitores jovens entre 16 e 18 anos, apenas a imagem divulgada pelo candidato não conta mais como o fator mais determinante para ganhar o voto. Junto tem que vir a biografia e as propostas políticas da legenda partidária a que ele pertence.

Serviço


Os jovens de 16 até 18 anos incompletos que desejem tirar o Título Eleitoral devem se dirigir a um cartório eleitoral levando consigo um documento de identificação oficial com foto (passaportes e carteiras de habilitação não são aceitas) e um comprovante de residência. O alistamento ou a mudança de domicílio eleitoral poderão ser feitos até o dia 4 de maio.

Nova fase do Minha Casa, Minha Vida vira ato contra impeachment


Em discurso a presidente Dilma disse que Impeachment sem CRIME DE RESPONSABILIDADE é GOLPE.
Investimento para nova fase do programa será de R$ 210,6 bi, diz governo, dos quais R$ 41,2 bi via Orçamento da União. Kassab projeta mais de 25 milhões de beneficiários até 2018.

Lula Marques/Agência PT
Corredores do Palácio do Planalto ficaram lotados com apoiadores do governo Dilma
A cerimônia realizada na manhã desta quarta-feira (30) no Salão Nobre do Palácio do Planalto para divulgação da terceira fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida foi transformada em ato político a favor da presidente da República, Dilma Rousseff, que enfrenta processo de impeachment na Câmara dos Deputados. A participação de representantes de movimentos sociais fez o anúncio virar um comício disfarçado, onde os corredores do Palácio foram utilizados como palanque.
Enquanto discursava para os presentes, Dilma fez referências aos apoiadores do processo que tenta afastá-la da presidência. De acordo com a presidente, os que pretendem “retirar um presidente do poder sem base legal querem golpear direitos garantidos da população”. Dilma afirmou que caso o impeachment seja concretizado, os apoiadores do afastamento “serão responsáveis por retardar a retomada do crescimento econômico e da geração de emprego” no país.
Dilma voltou a criticar o impeachment, e avaliou como “má-fé” a crença das pessoas sobre a legalidade do processo. Ela enfatizou ser necessária a comprovação do crime de responsabilidade. “Impeachment sem crime de responsabilidade é o quê?”, questionou.
“Não adianta discutir se o impeachment está ou não previsto na Constituição. Está, sim. O que não está previsto é que sem crime de responsabilidade ele é passível de legalidade e legitimidade. Não é. E aí o nome é golpe”, complementou a presidente.
Paralelo ao movimento pró-Dilma que invadiu o pronunciamento do governo, a terceira fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida lançou a projeção da nova etapa e afirmou que a expectativa é contratar mais de 2 milhões de moradias até 2018. Foi divulgada ainda uma nova faixa de renda a ser contemplada, chamada de 1,5. As famílias enquadradas na categoria são as que ganham até R$ 2.350 por mês, e receberão até R$ 45 mil em subsídios.
Dados do Ministério das Cidades mostram que a terceira fase vai receber cerca de R$ 210,6 bilhões em investimentos, dos quais R$ 41,2 bilhões oriundos do Orçamento Geral da União. Nesta fase do programa, o teto da faixa 1 passou de R$ 1,6 mil para R$ 1,8 mil; o da faixa 2, de R$ 3.275 para R$ 3,6 mil, e o da faixa 3, de R 5 mil para R$ 6,5 mil.
Também foi criado o Sistema Nacional de Cadastro Habitacional, a partir de dados dos municípios e estados, e lançado o Portal do Minha Casa, Minha Vida, que concentrará informações sobre o programa, simulador de financiamento, além da situação cadastral de cada família.
O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, afirmou que até 2018 mais de 25 milhões de pessoas serão beneficiadas pelo programa habitacional. Para ele, a nova etapa trará mais espaço e melhorias nas unidades e nas áreas de uso comum. “Haverá aumento da área de moradia para os imóveis da faixa 1 de 2 metros quadrados, passando para 41 metros quadrados”, disse Kassab.
Em plenário do Senado, Gleisi Hoffmann (PT-RS) chamou a atenção para as 4,2 milhões de unidades contratadas desde 2009, ano de criação do projeto, e caracterizou a proposta como “um dos programas mais ousados de habitação”. “Além de proporcionar a moradia que as pessoas precisam, o Minha Casa, Minha Vida movimenta também a economia brasileira e gera empregos”, pontuou a senadora.
* Com informações da Agência Brasil

terça-feira, 29 de março de 2016

Quem é quem na “lista da Odebrecht”


Oito governadores, sete ministros, 16 senadores e 55 deputados federais aparecem, nos documentos apreendidos pela PF, entre os beneficiários de doações da empresa.
Agência Brasil
Operação da Polícia Federal no prédio da Odebrecht em São Paulo
Análise feita pelo Congresso em Foco nos documentos que se encontravam em poder do executivo do grupo Odebrecht Benedicto Barbosa Silva Júnior, apreendidos pela Polícia Federal em fevereiro e divulgados na última quarta-feira (23), dão uma dimensão impressionante sobre o seu alcance. Os papéis, entre os quais cópias de planilhas com várias anotações a mão, atribuem doações eleitorais a perto de três centenas de políticos.
Mas o número de citados é menos expressivo que a sua importância. Se os citados na papelada formassem, digamos, um “Partido da Odebrecht”, ele superaria todos os outros em número de governadores (8), teria a segunda maior bancada no Senado (16) e a terceira na Câmara dos Deputados (55).
Há na lista apurada pelo Congresso em Foco nomes do Distrito Federal e de todos os estados brasileiros. Estão entre eles grande parte das principais lideranças políticas nacionais, incluindo chefes de Executivo das unidades federativas economicamente mais fortes do país. Em ordem decrescente, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia têm os maiores contingentes de candidatos possivelmente financiados pela Odebrecht.
Veja a distribuição dos nomes por estado:

Nada menos que 25 partidos são contemplados. PT, PSDB, PMDB, PP, PSB e DEM lideram as doações:
A relação traz ainda 48 prefeitos, 33 vereadores e 23 deputados estaduais, fora uma infinidade de ex-governadores, dirigentes partidários e candidatos nas eleições disputadas no Brasil desde 20120.
Veja a distribuição por cargo:


Chegar à lista agora publicada envolveu um complexo trabalho para confrontar indicações de datas, nomes e locais constantes dos documentos originais, além da eliminação de erros de grafia e da decodificação de certos apelidos. Por exemplo, no contexto encontrado nos papéis, há pouca margem para dúvidas quanto à identidade do “Gato Angorá”. Trata-se do ex-ministro e ex-governador do Rio Moreira Franco (PMDB), assim conhecido pelos seus cabelos brancos.
Nem por isso é possível garantir que a presente lista é 100% completa e livre de equívocos. Se você notar a necessidade de algum acréscimo ou retificação, escreva para redação@congressoemfoco.com.br. O mesmo e-mail está à disposição dos interessados em esclarecer a menção a seus nomes.
Foram desconsideradas as referências a repasses feitos diretamente aos partidos.
Vale acrescentar, finalmente, que as doações – cujo montante total supera as contribuições da Odebrecht registradas pela Justiça eleitoral nos pleitos de 2010, 2012 e 2014 – envolvem valores contabilizados oficialmente pelos candidatos ou partidos, mas não só eles.
Em off, alguns dos citados admitem que o dinheiro foi entregue por caixa dois, mas não se confundiriam com propinas pagas em troca da defesa do interesses da empresa.
Também há casos em que os políticos mencionados garantem que a transferência do dinheiro não ocorreu.
Outro ponto a ser esclarecido é se aqueles que aparecem nos documentos como “históricos” são, como sugere a palavra, políticos habitualmente premiados com contribuições do grupo Odebrecht – regulares na periodicidade com que foram feitas, mas irregulares por estarem à margem de qualquer previsão legal.
A qualificação é dada a um seleto grupo de políticos poderosos, quase todos do PMDB: os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL); o ex-presidente José Sarney (AP); o senador Romero Jucá (PMDB-RR); o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ); o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves; o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani; e o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral. Há dois “históricos” não peemedebistas: o senador e presidente nacional do DEM, José Agripino (RN), e o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima.
Enfim, não falta material para ser investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Nesse aspecto, a decisão da Odebrecht – e em especial do seu herdeiro e principal executivo, Marcelo Odebrecht – de aderir à delação premiada deve esclarecer muita coisa. Ou seja: a Operação Lava Jato continua a prometer novos e impactantes revelações sobre o relacionamento espúrio entre os políticos e as grandes empreiteiras.

Veja quem é quem na “lista da Odebrecht”


Colaboraram Lúcio Batista e Patrícia Cagni.

Confira a íntegra dos 12 arquivos

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da Odebrecht apreendidos pela PF

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segunda-feira, 28 de março de 2016

ATENÇÃO PRÉ-CANDIDATOS!!! Quem não respeitar os prazos de desincompatibilização estará INELEGÍVEL.


Alguns pretensos candidatos em especial devem ficar atentos ao prazo de desincompatibilização dos cargos que ocupam, sob pena de indeferimento dos seus registros de candidatura.

Na busca de evitar o contato próximo com os eleitores no setor de trabalho, devido ao cargo que ocupa, como também usar desse artifício para possibilitar a realização de sua campanha, os servidores públicos, principalmente, além de outros atores, são obrigados a se afastar dos cargos. Assim, a ideia de desincompatibilização traduz a obrigatoriedade de afastamento de suas atividades habituais.

A Lei Complementar nº 64/90, conhecida como "Lei das inelegibilidades", traz as principais regras de desincompatibilização.

O sítio do Tribunal Superior Eleitoral (http://www.tse.jus.br/internet/jurisprudencia/desincompatibilizacao/index.html) apresenta tabela dos prazos.

Um fato curioso e traz dúvidas em todas as eleições são com relação a desincompatibilização de radialistas e apresentadores de TV – A Lei Completar 64/90 não prevê o afastamento desses profissionais, no entanto, normalmente esses profissionais se afastam, às vezes até mesmo por falta de informação.

Vai uma dica do Blog WiltonLima: “É BOM FAZER UMA CONSULTA OFICIAL AO TRE NO SEU MUNICÍPIO.


Câmara trava projeto que regulamenta atividade de profissionais do sexo


Sob o comando de Eduardo Cunha, Casa sequer iniciou procedimentos de composição do colegiado temporário exigido para analisar a matéria
Reprodução/TV Brasil
Matéria está há quatro anos à espera de apreciação
O Projeto de Lei 4.211/12 que regulamenta a atividade dos profissionais do sexo, de autoria do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), está parado na Câmara dos Deputados, aguardando a composição de uma comissão temporária para analisá-lo.
O projeto foi batizado de Lei Gabriela Leite em homenagem à escritora, presidente da organização não governamental (ONG) Davida e ex-aluna de sociologia da Universidade de São Paulo (USP), que decidiu virar prostituta aos 22 anos. Gabriela foi muito ativa na luta pelos direitos das prostitutas e morreu em 2013 (saiba mais abaixo sobre a idealizadora da grife Daspu e fundadora da ONG Davida).
O tema do projeto de lei é polêmico e não há consenso entre defensores e opositores. O autor, Jean Wyllys, defende que a marginalização das pessoas que lidam com comércio do sexo leva à exploração sexual.
“Aquela prostituta de classe média alta, que divide um apartamento no Rio ou nos Jardins, em São Paulo, talvez seja menos vulnerável que o proletariado da prostituição, que depende das casas e de exploradores sexuais. Eu quero proteger os direitos delas, garantir a dignidade e combater a exploração sexual de crianças e adolescentes. Digo, ‘elas’, porque a maioria das pessoas que realizam trabalho sexual são do gênero feminino, mas o projeto também beneficia os garotos de programa”, afirmou o deputado.
Há quem discorde dessa posição. Tânia Navarro Swain, feminista e historiadora da Universidade de Brasília se considera “abolicionista”. Ela é contra a legalização da prostituição por acreditar que isso significaria a institucionalização do proxenetismo. Os proxenetas, que são vulgarmente conhecidos como “cafetões”, segundo Tânia, seriam transformados em empresários.
“A prostituição é a maior violência social contra as mulheres. A legalização da prostituição incentiva o tráfico ignóbil, imundo e nojento, que força as mulheres a se prostituírem. É um ato que só favorece os homens e o patriarcado. Mulheres não são mercadorias, são pessoas”, disse a historiadora.
Jean Wyllys, no entanto, afirma que sua intenção não é incentivar a prostituição. “As prostitutas existem, e elas estão prestando esse serviço. E se há um serviço, há demanda. A sociedade que estigmatiza e marginaliza a prostituta é a mesma sociedade que recorre a ela. Na narrativa mais antiga produzida pela humanidade, a prostituição já é citada. Não é à toa que dizem que é a profissão mais antiga do mundo”.
Marcela Azevedo, representante do movimento Mulheres em Luta, diz que o projeto, caso aprovado, vai regulamentar a mercantilização do corpo feminino. “Nós entendemos que a prostituição é colocada para as mulheres como parte do processo de opressão. A perspectiva de melhoras, como direitos trabalhistas e combate à violência, deve ser garantida pelo Estado independentemente da regulamentação da profissão. Qualquer mulher na rua, de dia ou de noite, com qualquer roupa, deve se sentir segura para transitar, e o Estado deve garantir isso”.
Cida Vieira, presidente da Associação de Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), defende a legalização da profissão e afirma que, como qualquer outro profissional, a prostituta deve ter o direito de se aposentar e receber benefícios.
Desde 2002, a prostituição está no rol das ocupações brasileiras. Reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a atividade dos profissionais do sexo é restrita aos maiores de 18 anos.
De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), no exercício de algumas das atividades, os profissionais do sexo podem estar expostos a intempéries e discriminação social, além do risco de contágio de doenças sexualmente transmissíveis (DST), maus-tratos, violência de rua e morte. O Projeto de Lei Gabriela Leite prevê a necessidade do direito à aposentadoria especial, por se tratar de trabalho em condições especiais – que prejudicam a saúde ou a integridade física.
Cida diz que, com a legalização, as prostitutas vão se empoderar. “Quando elas têm informação, dão a cara a tapa, brigam por seus direitos e a violência acaba não acontecendo. Hoje, elas ficam a mercê da fiscalização, nas ruas, podendo ser violentadas. Todo mundo quer se aproveitar da pessoa que está na rua, vulnerável”.
De acordo com o texto do projeto, a exploração sexual ocorre quando há apropriação total ou maior que 50% do rendimento da atividade sexual por terceiros; quando não há pagamento do serviço sexual; ou quando alguém é forçado a se prostituir mediante grave ameaça ou violência.
“O projeto busca fazer uma clara distinção entre o que é trabalho sexual voluntário – praticado por pessoas adultas – e a exploração sexual de adultos. O profissional do sexo poderá prestar serviços como trabalhador autônomo ou em cooperativas, e as “casas de prostituição” são permitidas desde que não ocorra exploração sexual”, disse Jean Wyllys.
Para o deputado, a legalização da casa de prostituição é fundamental para tirar o seu funcionamento da clandestinidade, “ou seja, passar de um funcionamento manejado pela corrupção dos órgãos de fiscalização, para uma regulamentação objetiva e com mecanismos de controle que possam ser acionados. A ilegalidade permite os abusos dos cafetões e cafetinas, os abusos da polícia, a propina, a repressão, a violência”.
Marcela Azevedo afirma que o movimento Mulheres em Luta não trata do tema do ponto de vista da moralidade. “Nós nos solidarizamos com as lutas dessas mulheres contra violência, exploração, por direito a se aposentar. Mas a gente acha que o caminho não é regulamentar, pelo contrário, é superar a prostituição. A alternativa é garantir as condições para que as mulheres que estão em situação de prostituição, não por opção mas por necessidade, que possam construir a sua vida em outra condição”.
Quem foi Gabriela Leite
Gabriela Leite foi uma ativista brasileira que lutou pelos direitos das prostitutas. Nascida em 1951, em São Paulo, Gabriela trocou o curso de sociologia na USP pela prostituição, nos anos 1970.
Na década de 1980, participou da organização do 1º Encontro Nacional de Prostitutas e começou a militar em defesa da regulamentação da profissão. Em 1992, fundou a ONG Davida com objetivo de fortalecer a cidadania das prostitutas por meio da mobilização e organização da categoria.
Em 2002, presenciou a inclusão da ocupação “trabalhador do sexo” na Classificação Brasileira das Ocupações, o que permitiu que as prostitutas pudessem se registrar no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como autônomas e ter garantia de aposentadoria.
Em 2005, idealizou a grife Daspu, desenvolvida por prostitutas, e cujo nome era uma provocação à Daslu, loja de artigos de luxo à época. As coleções eram desenvolvidas em parceria com profissionais da moda e atraíram atenção da mídia nacional e internacional.
Em 2010, foi candidata à deputada federal pelo Partido Verde, mas não se elegeu. Suas bandeiras eram o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a união civil homossexual, o direito ao aborto e a regulamentação da prostituição. Gabriela morreu no Rio de Janeiro, aos 62 anos, vítima de câncer.

sábado, 26 de março de 2016

Aquilo que Jornal Nacional não mostra... Odebrecht: e-mail cita repasses ‘via bônus’ a sete partidos

Em meio às planilhas de contribuições eleitorais encontradas na residência do presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Barbosa Silva Junior, a Operação Lava Jato apreendeu uma cópia de e-mail de funcionários do "setor de propinas" da empreiteira pedindo "pagamentos via bônus" a partidos e a políticos de sete siglas - PSDB, PMDB, PT, DEM, PPS, PDT e PTB - durante a campanha eleitoral de 2012.
Parte dos repasses envolvendo a Construtora Norberto Odebrecht (ou CNO, segundo a sigla utilizada pelos funcionários da empresa) que aparecem na mensagem coincide ou é próxima dos valores declarados nas prestações de contas entregues pelas siglas, em 2012, à Justiça Eleitoral. Contudo, nenhum dos pagamentos da empresa ETH Bioenergia (que pertence ao grupo Odebrecht) mencionados no e-mail coincide com o que foi declarado oficialmente - um indício de que os pagamentos podem não ter sido feitos pelo caminho oficial.
A mensagem sugere que a empresa teria repassado R$ 2,5 milhões somente no mês de agosto daquele ano para diretórios estaduais dos partidos, sem especificar que Estados seriam beneficiados. Oficialmente, porém, a ETH Bioenergia doou apenas R$ 90 mil em 2012, e nenhuma de suas contribuições teve como destino algum diretório estadual das siglas citadas.
Acertos
Na mensagem, de 29 de agosto de 2012, já no período eleitoral, Luiz Eduardo da Rocha Soares, funcionário do setor financeiro da Odebrecht em São Paulo, solicita a Benedicto e a Hilberto Silva, responsável pelo setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, os "pagamentos a serem efetuados via Bônus" referentes a uma lista de políticos e partidos.
A Operação Xepa, da Polícia Federal, concluiu que o setor de Operações Estruturadas era o "departamento de propinas" da empresa. Em sua delação premiada, a ex-secretária da empreiteira Maria Lúcia Tavares afirmou que Luiz Eduardo Soares também atuava no setor da "contabilidade paralela" da empreiteira.
Soares chegou a deixar o País no ano passado, quando o chamado departamento de propinas da empresa foi encerrado, diante dos avanços da Lava Jato. A suspeita da força-tarefa é de que o funcionário cuidava de supostas transações ilícitas envolvendo contas bancárias no exterior. Ele teve sua prisão preventiva decretada na 26.ª fase da Lava Jato.
Mapa
Os políticos e partidos citados no e-mail apreendido aparecem relacionados a nomes de diretores da Odebrecht Infraestrutura, cada um deles responsável por efetuar os pagamentos em uma região do País.
O e-mail cita, em relação ao PT, um repasse de R$ 450 mil da Construtora Norberto Odebrecht e outro de R$ 500 mil da ETH. Na prestação de contas do partido, porém aparece apenas um depósito de R$ 550 mil da construtora, em 31 de agosto de 2012, destinados ao diretório nacional. Não há referências a doações da ETH.
Para o PSDB, a mensagem indica repasse de R$ 100 mil ao diretório nacional, ao lado do nome do deputado Bruno Araújo (PE), que não disputou nenhum cargo naquele ano. Ao lado do nome do tucano aparece a sigla CBPO, em referência à Companhia Brasileira de Projetos e Obras, que foi incorporada ao grupo Odebrecht e é chamada atualmente de CBPO Engenharia. Também há referência a R$ 400 mil para "PSDB Estadual", sem referência a qual diretório.
Oficialmente, a única empresa do grupo que doou para o PSDB em agosto de 2012 foi a ETH, que fez um repasse de R$ 15 mil ao diretório nacional.
Já o repasse ao PSB citado no e-mail, feito pela Construtora Norberto Odebrecht, coincide com uma transferência feita em 31 de agosto de 2012 e registrada no Tribunal Superior Eleitoral, no valor de R$ 300 mil.
Partidos negam
Questionada sobre o conteúdo do e-mail, a Odebrecht informou que "os esclarecimentos necessários foram prestados durante as oitivas realizadas pela Polícia Federal".
O PT afirmou que "todas as doações" recebidas pelo partido "foram realizadas estritamente dentro dos parâmetros legais e posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral".
O PSDB respondeu que "as doações recebidas pelo Diretório Nacional estão todas declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral". A assessoria do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) não respondeu às tentativas de contato.
O presidente do diretório estadual do PTB em Pernambuco, deputado José Humberto Cavalcanti, afirmou que a sigla não recebeu doações da Odebrecht em 2012, diferentemente do que indica o e-mail dos funcionários.
O PSB informou que "a contribuição à campanha eleitoral de 2012 foi efetuada no dia 31 de agosto daquele ano, nos termos da legislação eleitoral vigente à época" e que "o valor está registrado na contabilidade do partido, declarada e aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral".
O DEM declarou que, em 31 de agosto de 2012, recebeu doações da Odebrecht "no valor de R$ 750 mil, que foram repassadas aos candidatos ACM Neto (R$ 400 mil) e João Alves (R$ 350 mil)". O partido disse ainda que as doações foram devidamente declaradas à Justiça Eleitoral e as respectivas prestações de contas aprovadas sem qualquer ressalva.
O PPS também afirmou que registrou formalmente as doações recebidas da empreiteira Odebrecht em 2012.
PMDB e PDT não responderam aos e-mails da reportagem.