segunda-feira, 6 de abril de 2026

EUA e Irã negociam acordo por cessar-fogo de até 45 dias

 

Irã divulga imagem de destroços de aeronaves no centro do país e afirma ter abatido avião dos EUA

Irã divulga imagem de destroços de aeronaves no centro do país e afirma ter abatido avião dos EUA

AFP



Do UOL

Os governos dos Estados Unidos e do Irã receberam de intermediários paquistaneses um plano de cessar-fogo de 15 a 20 dias para a guerra que começou há cinco semanas. O governo iraniano, porém, recusou-se a reabrir o estreito de Hormuz antes de uma negociação formal e avisou que não aceitará prazos impostos por Washington. Em resposta, o presidente Donald Trump reiterou o ultimato: se Teerã não liberar o estreito até terça-feira, as forças norte-americanas e israelenses atacarão redes elétricas e pontes iranianas, um gesto que juristas classificam como potencial crime de guerra.

 

A proposta de trégua temporária, que varia de 15 a 45 dias dependendo do mediador, seria um primeiro passo para suspender ataques e iniciar conversas diretas. No fim de semana, bombas e drones norte-americanos e israelenses mataram pelo menos 25 iranianos, entre eles o chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, Majid Khademi, enquanto mísseis iranianos atingiram Haifa, em Israel. Os mediadores também tentam garantir que o Irã não use o porto estratégico para pressionar o mercado global de petróleo.

O impacto imediato é duplo: se aceitar o plano, o Irã consegue salvar vidas e aliviar a crise energética mundial; se rejeitar, arrisca ataques devastadores a sua infraestrutura civil e uma escalada regional. Especialistas lembram que o estreito por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial já ficou fechado em conflitos anteriores e que, caso se cumpra a ameaça americana, cairão as exportações iranianas e subirão os preços globais de energia.

Resgate de pilotos no Irã expõe risco de escalada

 

Forças especiais dos Estados Unidos resgataram dois aviadores abatidos no Irã no final de semana. A operação envolveu cerca de 200 militares, artifícios de distração e combates sob fogo intenso. Um dos pilotos foi retirado rapidamente; o outro, que se escondia em uma ravina nas montanhas, só foi localizado dez horas depois. A evacuação deixou feridos entre os resgatadores e elevou a tensão no golfo, pois as autoridades iranianas classificaram a ação como agressão e prometeram represálias. O episódio demonstra que, mesmo com propostas de trégua, as operações militares continuam e qualquer incidente pode desencadear nova escalada.


GIRO DE NOTÍCIAS PELO BRASIL E O MUNDO

 

A ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, discursa durante o Encontro Nacional de Mandatos do Partido Liberal Mulher, em Brasília, em 6 de junho de 2025

A ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, discursa durante o Encontro Nacional de Mandatos do Partido Liberal Mulher, em Brasília, em 6 de junho de 2025

EVARISTO SA/AFP

A guerra fria de Michelle Bolsonaro contra as narrativas dos enteados

O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso, mas o grande embate do momento acontece fora da cela. O colunista Josias de Souza expõe a inusitada "guerra fria" dentro do clã bolsonarista, onde Michelle Bolsonaro assumiu o papel de uma verdadeira "madrasta dura de roer". Enquanto Carlos e Eduardo tentam dramatizar a situação do pai, Michelle age ativamente para esvaziar os enredos criados pelos enteados.

A dinâmica é clara: Carlos foi às redes alardear que o pai sofria com crises ininterruptas de soluços; dias depois, Michelle usou seu Instagram para celebrar que o marido estava curado havia quase uma semana e fazendo fisioterapia. Eduardo, por sua vez, prometeu exibir ao pai um vídeo gravado na conferência conservadora CPAC; Michelle fez questão de lembrar publicamente que, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro está proibido de acessar aparelhos celulares.

Josias aponta a tática por trás das telas: ao focar no papel de cuidadora e evocar preceitos religiosos de "submissão saudável" ao lar, ela ofusca os enteados e se mostra mais útil ao marido do que eles. No fim, a madrasta que virou uma "unha encravada" nos planos dos filhos acaba capitalizando o apoio dos eleitores conservadores para si mesma, pavimentando seu caminho rumo a uma cadeira no Senado.

Enquanto isso, no Judiciário, o STF e a Procuradoria-Geral da República estão no centro de duras críticas. O colunista Alexandre Borges analisa o que chama de "República da Chantagem" e aponta que o atual PGR, Paulo Gonet, atua com omissão ao arquivar denúncias envolvendo ministros do Supremo. Borges destaca o contraste evidente: enquanto a PGR é célere contra alvos sem poder político, ela deixa estourar prazos em investigações graves envolvendo o dono do Banco Master e contratos suspeitos ligados aos magistrados da Suprema Corte.

 

Complementando este cenário, Walter Maierovitch afirma que o STF se transformou em uma "casa de vidros comprometidos", onde a cúpula do Judiciário perdeu a isenção. Ele lista uma série de regalias recebidas por ministros, como viagens em jatinhos particulares, estadias em resorts e consultorias milionárias pagas por grandes empresários aos familiares dos magistrados.

 

Alerta financeiro e a crise do BRB

No campo econômico, o foco é a instabilidade de instituições médias. Silvio Crespo soa o alarme para os investidores de renda fixa: com as recentes liquidações promovidas pelo Banco Central de financeiras ligadas ao Banco Master, gigantes regionais como o Banco de Brasília (BRB) e o Digimais estão sob risco. A orientação clara do colunista é não ultrapassar o teto de R$ 250 mil garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

As implicações dessa crise extrapolam o mercado financeiro, como revela Daniela Lima. Ela explica que o rombo bilionário do BRB, originado em fundos duvidosos, pode gerar um abalo sistêmico no governo Lula. Como o banco administra previdências de servidores de estados de forte base governista, como Bahia e Maranhão, o que parecia um problema regional tornou-se uma armadilha política para o Planalto.

Internacional

 

A jornalista Mariana Sanches explora a desastrosa ofensiva de Donald Trump contra o Irã. Analisando os passos do presidente, ela percebe que ele ignorou as próprias regras de seu best-seller "A Arte da Negociação", resultando em inflação nos Estados Unidos, na explosão do preço do petróleo e em aviões militares abatidos pelos iranianos.

 

Sobre Trump, Leonardo Sakamoto destaca que o governo americano gerou um relatório considerando o Pix uma "ameaça comercial". Esse ataque acabou funcionando como um grande trunfo para Lula, permitindo ao presidente brasileiro posar como um fervoroso defensor da nossa eficiência estatal e da soberania nacional.

Nelson de Sá noticia as movimentações do Ano Cultural Brasil-China em 2026. A programação espalhará a arte de Portinari, Lina Bo Bardi e Oscar Niemeyer por cidades como Pequim e Xangai, apostando no intercâmbio cultural para fomentar relações comerciais sólidas.

Tecnologia e violência

 

Estamos mudando a forma como interagimos com a cidade e com a internet. Aline Sordili esteve no festival SxSW e decreta: a era da internet baseada em links está chegando ao fim. Ela explica que o novo modelo é movido por uma "economia da resposta", gerada por inteligência artificial (IA). Onde antes os veículos lutavam por cliques em sites de buscas, agora a batalha é pela presença e remuneração dentro das respostas sintetizadas pelas IAs, mudando o gargalo da produção de conteúdo no mundo inteiro.

Contudo, essas IAs trazem vícios embutidos. Diogo Cortiz aborda um novo estudo de Stanford provando que ferramentas como ChatGPT e Claude são, por design, "bajuladoras". Elas tendem a concordar e elogiar o usuário mesmo quando ele está flagrantemente errado ou sugerindo ilegalidades, corroendo gravemente nossa capacidade humana de autocrítica e correção.

No asfalto, a tecnologia atesta a falência da segurança pública. Gustavo Miller chama atenção para a nova função do aplicativo Waze em São Paulo: mapear áreas de risco de assalto. Formou-se na cidade um "panóptico às avessas", em que cidadãos monitoram criminosos como a "Gangue do Quebra-Vidro", enquanto o poder estatal recua e startups faturam com o medo oferecendo blindados por aplicativo.

O fator humano

 

Em uma contundente reflexão sobre o trânsito, Leonardo Sakamoto avalia a onda letal de acidentes causados por motoristas de carros Porsche. Ele afirma que o culpado não é a engenharia automotiva, mas uma perigosa combinação de falta de caráter, desprezo por trabalhadores comuns e a certeza de impunidade associada ao poder financeiro da ostentação.

 

Buscando compreender a satisfação humana, o psicanalista Christian Dunker explora o conceito de prosperidade sob a ótica do "gozo" de Lacan. Segundo ele, o sentimento de riqueza não provém apenas da conta bancária, mas do prazer derivado da fantasia em relação ao status dos outros na sociedade, o que explica por que, paradoxalmente, grupos de menor renda no Brasil relatam sentir-se mais prósperos do que a elite econômica.

Paulo Camargo aborda o poder da vulnerabilidade ao relembrar sua superação da timidez extrema escolar para dar palestras a 16 mil pessoas. Para ele, retirar as "armaduras" das posições corporativas pode ser o grande segredo para o crescimento contínuo e os verdadeiros recomeços.

Encerramos com as palavras sensíveis de Tony Marlon, que, comentando um texto de Marcelo Soares, analisa o caso do jovem que recebeu nota zero na redação da Fuvest. Marlon lamenta a facilidade com que transformamos o outro em meme nas redes sociais, esquecendo que por trás do texto existe um jovem em formação com a vida inteira pela frente, e reforçando que tudo precisa ser, antes de mais nada, sobre pessoas e empatia.


As 9 lições de Trump de 40 anos atrás que ele ignorou na guerra no Irã

 

Trump não segue ensinamentos do seu próprio livro de 1987

Trump não segue ensinamentos do seu próprio livro de 1987

Divulgação


"Sempre entro numa negociação prevendo o pior. Se você se planeja para o pior - se consegue viver com o pior - o melhor sempre dá conta de si."

A frase é uma das recomendações feitas por Donald Trump em seu famoso livro The Art of the Deal (A Arte da Negociação, em português), uma mistura de autobiografia e dicas de gestão lançada em 1987 e que vendeu mais de um milhão de cópias.

E é também uma das nove lições que, quase 40 anos depois de escritas, ele próprio parece ter se esquecido ao se lançar em uma guerra com o Irã que já ultrapassa um mês em duração e provocou uma série de consequências indesejáveis para os EUA - e o mundo.

A evidência coletada até agora sugere que Trump estava longe de estar preparado para o pior cenário ao lançar sua Operação Fúria Épica contra os persas, em 28 de fevereiro.

"Eles (o Irã) não deveriam ter investido contra todos esses outros países no Oriente Médio. Ninguém esperava isso. Ficamos chocados", disse um surpreso Trump, em meados de março, citando os ataques iranianos no Catar, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein e no Kuwait.

Os atos da República Islâmica eram, porém, considerados uma resposta óbvia por quem entende da região e dos atores envolvidos. O Irã tem consistentemente entrado em conflitos diretos e indiretos - por meio de proxies - com seus vizinhos ao longo das últimas décadas. Atacado militarmente, era segredo de polichinelo que reagiria assim.

 

"A chave do sucesso é localização, localização, localização", dizia Trump, em 1987. Algo que ele parece ter ignorado 40 anos mais tarde, ao supor que repetiria no instável Oriente Médio uma vitória militar rápida e sem baixas como fez, dois meses antes, na ação na Venezuela.

Mas não era óbvio para os auxiliares de Trump. Uma reportagem da revista Time publicada há alguns dias mostrou que o Secretário de Defesa - ou como ele prefere, de Guerra - de Trump, Pete Hegseth, também desconsiderou a chance de um conflito regional nos planos que vendeu ao líder da Casa Branca. A chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, surge agora, segundo a reportagem, como alguém que tem tentado fazer o Pentágono e o Departamento de Estado informarem Trump sem eufemismos sobre o estado de coisas no Irã.

"A experiência me ensinou algumas coisas. A primeira é seguir seu instinto, não importa o quanto algo pareça promissor no papel. A segunda é que você geralmente vai se sair bem caso se limite àquilo que conhece. E a terceira é que, às vezes, seus melhores investimentos são aqueles que você não faz", dizia Donald Trump, no livro feito em coautoria com Tony Schwartz.

Naquele momento, ele se jactava de ter se retirado, de última hora, de um negócio que um amigo empresário promovia envolvendo petróleo, e que exigiria investimentos seus de US$ 50 milhões. Quase 40 anos depois, ele não conseguiu usar este mesmo manual contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que o assediava por uma guerra contra o Irã desde seu primeiro mandato (2017-2021).

E a falta de cálculos e de previsibilidade sobre, por exemplo, o fechamento do Estreito de Hormuz pelos iranianos mostram que foi sobretudo o instinto - e não o assessoramento ou o conhecimento - que impediram Trump de se lançar à empreitada militar antes.

 

Com Forças Armadas significativamente mais frágeis que as de Israel e as dos EUA, o Irã conseguiu impor um custo enorme aos dois países e ao mundo ao impedir a passagem de navios petroleiros pelo canal marítimo entre seu território e o de Omã, por onde passavam 20% do petróleo mundial antes do conflito eclodir.

Como resultado, o preço do barril de petróleo explodiu. O galão da gasolina nas bombas dos postos nos EUA ultrapassaram os US$ 4. Foi exatamente a inflação de combustíveis e alimentos que custou aos democratas a derrota eleitoral diante de Trump em 2024. "No fim, o dinheiro sempre fala", relembraria o Trump de 1987 ao Trump de 2026.

A resposta do presidente dos EUA diante dos potenciais custos domésticos da guerra - inflação, queda de popularidade e potencial derrota nas eleições de meio de mandato em novembro - foi agir com explícita irritação e quase desespero. Ele tentou forçar os aliados da Otan a mandarem seus navios para reabrir, militarmente, o Estreito de Hormuz. Recebeu uma negativa. E aí passou a dizer que negociava um acordo com os iranianos para controlar a passagem "junto com o aiatolá". Os iranianos não só negaram, como publicaram em suas redes sociais um meme de um controle de videogame desligado sob operação do republicano.

"A pior coisa que você pode fazer numa negociação é parecer desesperado para fechá-la. Isso faz o cara farejar sangue e aí você está morto", escreveu o Trump de 1987, em uma descrição que caberia quase à perfeição sobre os erros que ele próprio cometeria quase 40 anos depois.

Envolvidos em uma batalha existencial, os iranianos usam o tempo a seu favor. Já Trump tem dado prazos desencontrados para o fim do conflito. Primeiro, dias. Depois 4 a 5 semanas, já estouradas. Agora, mais 3 semanas - e prometendo bombardear instalações elétricas dos iranianos se eles não chegarem a um acordo.

 

"A melhor coisa que você pode fazer é negociar de uma posição de vantagem. (...) Vantagem é ter algo que o outro quer. Ou melhor ainda, precisa. Ou, melhor de tudo, simplesmente não pode viver sem." O nome da vantagem numa guerra assimétrica como esta não é Tomahawk, é Hormuz.

Se o front não o favorece, Trump tenta recorrer a um recurso que já dominava em 1987 e do qual não se esqueceu. "A última chave do meu jeito de me promover é a bravata. Eu brinco com a fantasia das pessoas. Nem sempre as pessoas pensam grande, mas podem ser muito instigadas por quem faz isso. Por isso, um pouco de hipérbole nunca faz mal. As pessoas querem acreditar que uma coisa é a maior, a melhor e a mais espetacular", escreveu Trump em seu "A Arte da Negociação".

Esta é uma premissa que ele vem seguindo à risca. Em seu último pronunciamento à nação, na última quarta-feira, o presidente chegou a dizer inclusive que tinha realizado "mudança de regime" no Irã. Embora tenha eliminado dezenas de lideranças, inclusive o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, os EUA e Israel não conseguiram retirar do poder a República Islâmica, que comanda o país há 47 anos.

No mesmo discurso, Trump prometeu retornar o Irã à "Idade da Pedra"e disse que aniquilou as defesas marítimas e aéreas do país. Segundo Hegseth, os iranianos estariam tão desprovidos de condições de defesa antiaérea que os norte-americanos estariam sobrevoando o território com pesadas aeronaves B-52, alvos fáceis de abater. "A questão é que você não pode ser ganancioso demais", dizia o Trump de 1987, quase como um mau agouro para o atual presidente.

Menos de 48 horas após o discurso à nação de Trump, forças iranianas conseguiram abater um caça F-15E (bem mais potente e veloz que um B-52) dos EUA. Até o fechamento deste texto, um dos pilotos do jato militar abatido havia sido resgatado em uma operação militar de salvamento dos EUA. O outro seguia desaparecido.

O episódio deu a Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã, responsável pela supervisão da guerra e supostamente interlocutor na negociação por um acordo, a chance de tripudiar de Trump e dos EUA na rede social X. "Esta brilhante guerra 'sem estratégia' que eles iniciaram foi agora rebaixada de 'mudança de regime' para 'Ei! Alguém consegue encontrar nossos pilotos? Por favor?' Uau. Que progresso incrível. Gênios absolutos", escreveu Ghalibaf.

Se folheasse o próprio livro publicado em 1987, Trump veria ali: "Você não consegue enganar as pessoas, pelo menos não por muito tempo". Há quatro décadas, Trump já reconhecia que a bravata tem limite. A ver quando ele deve se lembrar do que ele mesmo citou como a lição da pessoa mais influente e importante da sua vida, o pai, Fred Trump"Entre, faça, faça direito e saia".


Empreiteira suspeita de comprar sentenças acumula R$ 1,3 bilhão em obras no MA

Lucena Infraestrutura Ltda é investigada pelo TCU por fraude à licitação e, agora, pela Polícia Federal por suposta compra de sentenças.



A Lucena Infraestrutura Ltda, alvo de operação da Polícia Federal (PF) que investiga a venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), acumula R$ 1,3 bilhão em obras do governo estadual. O valor foi levantado pela coluna junto ao portal da transparência do Maranhão. Os dados são de 2022 a 2026.

Já o painel de valores pagos anualmente pela gestão estadual à Lucena Infraestrutura Ltda revela um crescimento ano após ano, sobretudo a partir de 2021. A empresa saiu de uma receita de R$ 13,6 milhões em 2020 para R$ 439,4 milhões em 2025, o que representa um salto de 3.130% em apenas cinco anos.

Uma das principais obras feitas pela Lucena é o prolongamento da Avenida Litorânea, que vai ligar São Luís a São José do Ribamar. Conforme revelou a coluna, o Tribunal de Contas da União (TCU) investiga possível fraude à licitação que beneficiou a empreiteira. O empreendimento custará R$ 235 milhões aos cofres públicos.

Despesas pagas à Lucena Infraestrutura Ltda pelo governo do Maranhão (2015-2026)

Valores em Reais (R$)


FONTE: METRÓPOLES

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Escândalo no TJMA: Delator revela que rede de venda de sentenças tinha vingança e punição

Operação da PF resultou no afastamento de dois desembargadores. As sentenças eram vendidas por R$ 250 mil.

 atualizado 

De acordo com as informações apresentadas, o magistrado teria passado a atuar diretamente contra o delator após o rompimento financeiro entre as partes.


Em um dos episódios citados, em um processo de reintegração de posse, Guerreiro Júnior proferiu decisão liminar favorável a um empresário apenas duas horas após o caso ser redistribuído para sua relatoria.


Ainda conforme o delator, há indícios de que essa decisão específica teria sido “comprada” mediante a transferência de cerca de 2.000 hectares de terra ao magistrado.


O relato aponta também que, após a suposta aquisição de decisões judiciais, o delator suspendeu o pagamento das parcelas anuais referentes à compra da propriedade rural.


A partir desse momento, segundo ele, passou a sofrer uma sequência de decisões judiciais desfavoráveis, proferidas com rapidez incomum e em desacordo com as normas legais.


Operação, pilhas de dinheiro e bolsas de luxo


Uma operação foi deflagrada nessa quarta-feira (1º/4). Ao todo, foram apreendidos 26 smartphones e 38 mídias digitais, entre HDs e pen drives. A operação também resultou no sequestro de 20 veículos, avaliados em R$ 13.524.183,00. Além disso, foram confiscados R$ 573.955,00 em espécie e US$ 8.360,00. Entre os itens de destaque, as autoridades apreenderam um helicóptero, bolsas de luxo, joias e acessórios. Os três últimos itens estão avaliados em cerca de R$ 500 mil.


Dois desembargadores, Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior Júnior, foram afastados. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em diferentes estados. As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).


Segundo a investigação, o grupo atuava para direcionar decisões judiciais em processos, com prioridade seletiva e distribuição estratégica.

A apuração aponta a participação de magistrados, assessores e outros envolvidos, que teriam atuado em conjunto para favorecer partes em disputas milionárias, especialmente ligadas a conflitos agrários.


A coluna apurou que os alvos da operação foram:


Antônio Pacheco Guerreiro Júnior – desembargador (afastado)

Luiz de França Belchior Silva – desembargador (afastado)

Douglas Lima da Guia – juiz de direito

Tonny Carvalho Araújo Luz – juiz de direito

Lúcio Fernando Penha Ferreira – ex-assessor

Sumaya Heluy Sancho Rios – ex-assessora

Maria José Carvalho de Sousa Milhomem – assessora

Eduardo Moura Sekeff Budaruiche – assessor

Francisco Adalberto Moraes da Silva – ex-servidor do TJMA

Karine Pereira Mouchrek Castro – ex-assessora

Ulisses César Martins de Sousa – advogado

Eduardo Aires Castro – advogado

Antônio Edinaldo de Luz Lucena – empresário

Lucena Infraestrutura Ltda – empresa investigada

Manoel Nunes Ribeiro Filho – investigado

Aline Feitosa Teixeira – investigada

Jorge Ivan Falcão Costa – investigado


Além das buscas, a Justiça determinou prisão preventiva do principal operador do esquema, afastamento de cinco servidores, monitoramento eletrônico de seis investigados, proibição de acesso ao TJMA e bloqueio de bens de até R$ 50 milhões.


As medidas atingem gabinetes, escritórios de advocacia e empresas. As ações ocorrem em cidades do Maranhão, além de endereços no Ceará, em São Paulo e na Paraíba. Segundo a PF, as penas somadas podem chegar a 42 anos de prisão.


FONTE: https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/delator-revela-que-rede-de-venda-de-sentencas-tinha-vinganca-e-punicao#goog_rewarded