sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Flávio nega cortes na Previdência e expõe ambiguidade de discurso econômico

 

Flávio Bolsonaro ao lado de Daniella Marques, uma das porta-vozes do candidato sobre temas econômicos

Flávio Bolsonaro ao lado de Daniella Marques, uma das porta-vozes do candidato sobre temas econômicos

Reprodução/Youtube



Asdrúbal Figueiró

O coordenador econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, Adolfo Sachsida, disse hoje que um eventual governo do candidato do PL irá "preservar" e "fortalecer" os programas sociais.

Sachsida também negou a intenção de privatizar a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e a Petrobras.

As declarações, em vídeo publicado no Instagram, foram feitas após a publicação pela Folha de S.Paulo de uma reportagem segundo a qual a equipe de Flávio Bolsonaro estuda corrigir o piso das aposentadorias e o valor do BPC apenas pela inflação, e não mais pelo reajuste do salário mínimo.

Hoje, o valor dos benefícios, pagos a cerca de 30 milhões de pessoas, é de R$ 1.621,00 por mês. Sem a equiparação ao salário mínimo, instituída pelo governo Lula em 2003, e apenas com a correção pelo INPC, o valor seria de R$ 740,00, menos da metade.

Segundo a reportagem, outra medida em estudo é acabar com a regra que vincula os orçamentos da saúde e educação ao comportamento das receitas federais.

"As propostas foram apresentadas por interlocutores da campanha do senador em encontros com empresários e agentes do mercado financeiro ao longo deste ano. Algumas foram informadas também à reportagem da Folha", diz o texto.

Após a publicação da reportagem, o candidato afirmou que, se eleito, manterá os reajustes das aposentadorias do INSS acima da inflação.

"Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil", disse Flávio Bolsonaro.

Para Mano Ferreira, as declarações de Flávio Bolsonaro e do coordenador econômico revelam uma contradição no discurso da campanha do filho de Jair Bolsonaro.

"Não tem como prometer responsabilidade fiscal e ajuste das contas de um lado e dizer que não vai tomar essas outras medidas do outro. A conta não fecha."

A "incoerência" também foi notada por João Paulo Charleaux, para quem a campanha tem o desafio de sinalizar ao mercado a disposição de realizar um ajuste fiscal sem assumir publicamente os impactos das medidas sobre a população.

"Quando isso sai na manchete do jornal, você tem o coordenador da área econômica vindo fazer o famoso 'veja bem'."

Graciliano Rocha nota que, no programa de governo do candidato registrado no TSE, não há menções a idade mínima, teto de benefícios ou à indexação das aposentadorias ao salário mínimo.

"A opacidade não é acidental. Desindexar o piso previdenciário, mexer em regras de aposentadoria (...) são medidas que custam votos, e nenhuma campanha anuncia a semanas de uma eleição apertada."

Moraes manda prender Eduardo Bolsonaro e cancelar seus passaportes

 

Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro

Reprodução/YouTube


Do UOL

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a execução da pena de Eduardo Bolsonaro, com expedição de mandado de prisão e cancelamento dos passaportes brasileiros. O ex-deputado, que mora nos EUA, foi condenado a quatro anos e dois meses, em regime inicial semiaberto, por tentar interferir no processo da trama golpista contra seu pai, Jair Bolsonaro. A decisão ocorre após o fim dos recursos. Eduardo ainda não se manifestou.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Operação Nota Fria combate fraudes que causaram prejuízo de mais de R$ 2 milhões a grupo empresarial

A operação é coordenada pela Polícia Civil, por intermédio do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO) e do Centro de Recuperação de Ativos (CRA).



Uma operação policial cumpre, na manhã desta quarta-feira (8), dez mandados de busca e apreensão em municípios do Maranhão e do Piauí. A ação investiga funcionários suspeitos de fraudes que teriam causado prejuízo superior a R$ 2 milhões a um grupo empresarial, por meio de falsas prestações de serviço.

A operação é coordenada pela Polícia Civil, por intermédio do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO) e do Centro de Recuperação de Ativos (CRA). Segundo as autoridades, nas primeiras horas desta quarta-feira foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em São Luís, um em São José de Ribamar e um em Bacabal. Outros seis mandados foram cumpridos em Teresina, no Piauí.

Batizada de Operação Nota Fria, a ação tem como objetivo desarticular um esquema criminoso praticado por funcionários de um grupo empresarial, entre eles um gerente executivo. De acordo com a investigação, os alvos teriam constituído empresas de fachada para simular a prestação de serviços, emitir notas fraudulentas e justificar pagamentos indevidos, desviando recursos da empresa.

As irregularidades investigadas teriam provocado um prejuízo superior a R$ 2 milhões ao grupo empresarial lesado.

Além das buscas, a operação também executa o bloqueio de valores e a constrição de veículos, imóveis e outros bens dos investigados. Na prática, os proprietários ficam impedidos de dispor livremente desses bens, não podendo vendê-los, doá-los ou utilizá-los plenamente. As medidas judiciais têm como finalidade possibilitar a recuperação dos valores desviados e o ressarcimento da empresa vítima.



A Constituição entrou na eleição

 

Arte: Marcelo Chello

Flavitcho ameaçou: a direita ganhou maioria no Congresso e ele vai usar para mudar a Constituição. Soou como ameaça. Como assim mudar a Constituição? Ele correu hoje pra explicar que era só um jeito de falar das propostas de emendas que ele já tinha colocado na campanha. Só sei que o Lula resolveu que esse pode ser um bom mote pra trabalhar uma campanha de medo. Sim, BRASEW, agora é o Lula que vai trabalhar o medo. Vem ler!

Foi meio ameaçadora mesmo a declaração de Flavitcho Bolsonaro de que iria mudar a Constituição e redemocratizar o país. Se já estamos numa democracia, ele vai mudar a Constituição pra que exatamente?

O ex-supremo Celso de Mello tremeu nas bases e disse hoje na Folha que a fala de Flávio é grave e inquietante e que nenhuma maioria parlamentar, por mais expressiva que seja, “recebe autorização para destruir as bases constitucionais da democracia.”

Flavitcho quis dar uma suavizada no discurso e disse que não é assim uma mudança drástica na Constituição. Só umas propostas de emenda à Constituição. Ah, então tá! Entre as mudanças estariam:

Redução da maioridade penal, reforma do judiciário, reforma política, mudanças de reforma tributária e fim de reeleição para presidente. Fim da reeleição? Ah, sim, claro claro. Todo mundo acreditou. Até o Tarcísio. Mas claro que se acabar a reeleição, Flavitcho vai querer mais tempo de mandato.

O Flavitcho também prometeu que não vai passar a mão no telefone ameaçando dono de veículo de comunicação para demitir jornalistas. Aquele momento em que a promessa vira ameaça.

A estratégia do medo

A campanha do Lula está trabalhada no medo. A ideia é botar medo pra ver se a galera tira a bunda da cadeira e vai votar. Aí quando o Flavitcho diz que vai mudar a Constituição ajuda a construção do medo. Se vai ter efeito, só depois do resultado.

Comida de rabo

Lula mandou a real durante uma reunião com deputados, senadores e governadores aliados hoje. Não era pra vazar, mas como todos sabem, na internet o print é eterno:

“Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989.”

Mas as críticas correm para todos os lados. O núcleo da campanha do companheiro também tá na mira. Edinho Silva, que é o coordenador da campanha, não está bem na foto e Camilo Santana, o ex-ministro da Educação e que ajudou a reeleger o Elmano de Freitas como governador do Ceará, vai entrar em campo, nessa reta final, como coordenador político.

Outro que tá levando bordoada é Sidônio Palmeira, o marqueteiro-geral da República. A galera diz que essa estratégia de ficar falando de soberania e terras raras não engajou e é preciso mudar. E daí entra em cena o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. E ele já chegou chegando botando Lula para fazer mais vídeos selfies nas redes.

Vassalo não!

Eduardo Paes, que tomou um chapéu do candidato bolsonarista Douglas Ruas, na corrida pelo governo do Rio no primeiro turno, estrilou depois que Lula saiu dizendo por aí que Paes não se empenha em apoiá-lo na campanha presidencial na cidade maravilhosa. Paes rebateu:

“Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula. Agora, tem pessoas que votam em mim que não fazem campanha, que não votam no presidente Lula. Eu já disse: eu não sou do PT, eu não penso tudo igual ao Lula, eu não sou um vassalo do Lula.”

Correndo atrás do prejuízo

Além da escala 6x1, que se espera que Davizito Alcolumbre coloque em votação pra ontem, no Senado, Lula disse que vai lutar pela PEC da Segurança Pública e que daqui pra frente o lema é: “Para o povo trabalhador a proteção. Para o bandido a prisão”.

Centrão à direita, como já dissemos ontem

Hoje, Novo e Republicanos entraram definitivamente na campanha de Flavitcho dando apoio total. Juntaram-se ao PP e União Brasil.

Tentaram dar o golpe sim, talkey?

E o Valdemar Costa Neto, nosso Valdemar Voldemort, dono do PL, numa entrevista na rádio Gaúcha, admitiu que no fim do governo do nosso ex teve sim o rolê de tentar dar um golpe de Estado:

“Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?”

Depois questionado se Flavitcho poderia fazer a mesma coisa, o homem emendou:

“Sei lá. Pode haver planejamento. Não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca. Jamais.”

Tixa do céu! Darling, só Deus na causa e olhe lá!

Menos, Janja

Kátia Abreu, que é a coordenadora da campanha de Lula lá no Tocantins, levantou a bandeira de “Menos Janja, e mais Alckmin” e foi aplaudida durante uma reunião fechada. Teoricamente essa fala não era pra vazar, né? Mas…

Kátia admitiu que falou isso mesmo e se explicou dizendo que nem conhece Janja direito e portanto não tem nada contra ela, mas que na visão dela que tem que ter mais espaço é o vice. Segundo a ex-senadora, o senhor Mialckmin é porreta em economia e politicamente é isso que faz a diferença.

Na entrevista que deu na GloboNews ela ainda falou que a conversa do governo com o Centrão poderia ter sido mais intensa e que sim, esse diálogo foi interrompido.

Janja subiu nas tamancas

A primeira-dama disse que enviou recadinho para Kátia Abreu dizendo que não vai reduzir a participação na campanha e que as suas aparições acontecem por decisão do “marido” dela, mais conhecido como o presidente da República. Então tá, né?


69 deputados e senadores eleitos são alvos de investigação por crimes

 

Imagem: Reprodução/Redes sociais

Imagem: Reprodução/Redes sociais

Isnaldo, Felipe Show, Ney Santos, Mario Frias e Juarez Costa


Carolina Juliano

As principais notícias para começar o dia bem informado:

  • Eleições I: levantamento do UOL mostra eleitos que respondem a processos
  • Eleições II: Flávio fala em mudar gastos em saúde e educação
  • Campanha: Lula muda tom e endurece discurso no 2º turno
  • Apoios: Republicanos apoia Flávio; Cury pede mais tempo
  • PF: Apuração sobre interferência externa é arquivada
  • Trabalho: Oposição tenta adiar votação do fim da 6x1
  • STF: Nunes Marques levará revisão de Bolsonaro ao plenário
  • TSE: Corte julga hoje candidatura de Dallagnol

Parlamentares eleitos investigados

  • Ao menos 69 parlamentares eleitos para a Câmara dos Deputados e ao Senado no último domingo (4) respondem a processos por diversos crimes, como desvio de dinheiro, corrupção, fraude em licitações e crimes ambientais, mostra levantamento feito pelo UOL. Há pelo menos 33 deputados e senadores réus em ações penais e 36 investigados em inquéritos criminais em andamento na Justiça, ainda sem denúncia formalizada. Arredondando, é como se a cada nove parlamentares, um estivesse sendo investigado.

Flávio amplia proposta de mudança constitucional

  • Flávio Bolsonaro voltou a dizer ontem que, se eleito, pretende usar a nova composição do Congresso para aprovar mudanças na Constituição. A proposta ganhou novos contornos com medidas econômicas em estudo pela campanha, como alterar a correção de benefícios da Previdência e do BPC e acabar com os pisos constitucionais de saúde e educação. Segundo matéria da Folha de S.Paulo, o pacote pretende gerar uma economia de até R$ 250 bilhões. O candidato do PL também falou em reforma do Judiciário, fim da reeleição, a redução da maioridade penal e alterações na reforma tributária.
  • As mudanças dependeriam de Propostas de Emenda à Constituição, que exigem 308 votos na Câmara e 49 no Senado. O PL terá 121 deputados e 28 senadores na próxima legislatura, e precisará do apoio de outros partidos para aprovar as medidas.

Lula muda tom da campanha do 2º turno

  • O presidente Lula iniciou uma reformulação da campanha após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, com mudanças na coordenação e no discurso. O senador Camilo Santana passou a integrar a coordenação-geral, enquanto o presidente cobrou mais presença nas redes sociais e criticou a organização da primeira etapa. Lula também endureceu o discurso sobre segurança pública e adotou o lema "Para o povo trabalhador, proteção; para bandido, a prisão".
  • O presidente se reuniu no Palácio do Planalto com candidatos aliados que foram eleitos e jovens influenciadores para ampliar a participação de todos na campanha e mudar a comunicação para o segundo turno.

Republicanos apoia Flávio; Cury pede tempo ao eleitor

PF arquiva apuração sobre interferência externa

  • A Polícia Federal arquivou o pedido da Advocacia-Geral da União para investigar uma possível interferência estrangeira nas eleições de 2026. A apuração preliminar foi aberta após reportagem do jornal britânico The Guardian sobre recursos do governo dos Estados Unidos para um projeto crítico ao STF. Segundo a PF, não foram encontrados indícios mínimos que justificassem a abertura de um inquérito. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, também havia afirmado não haver evidências de interferência externa no pleito.

6.out.2026 - Ton Molina/Agência Senado

Oposição tenta adiar discussão do fim da 6x1

  • A oposição tenta adiar para depois do segundo turno a votação da PEC que acaba com a escala 6x1, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantém o calendário para a próxima semana. A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A PEC precisa de 49 votos, em dois turnos, para ser aprovada. Alcolumbre afirmou que cumprirá o rito regimental antes de levar o texto ao plenário.

Nunes Marques vai levar soltura de Bolsonaro ao plenário

  • O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, confirmou ontem que levará ao plenário da Corte o pedido de revisão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. A análise só deve ocorrer após o segundo turno, para evitar interferência no processo eleitoral. O caso ainda aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República e precisa ser concluído antes de ir a julgamento. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e cumpre prisão domiciliar.

TSE julga candidatura de Dallagnol

  • O Tribunal Superior Eleitoral julga hoje o registro da candidatura de Deltan Dallagnol, eleito senador pelo Paraná com 2,9 milhões de votos. A Corte vai analisar se ele podia concorrer após ter deixado o Ministério Público Federal enquanto respondia a procedimentos disciplinares. Em 2023, o TSE havia considerado a saída uma tentativa de evitar a inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa. Se o registro for negado, os votos de Dallagnol serão anulados e a vaga ficará sujeita a nova definição pela Justiça Eleitoral.

Flávio Bolsonaro questiona 'democracia plena' e fala em mudar Constituição

 

Flávio Bolsonaro (PT) fala com a imprensa em frente ao seu QG de campanha em Brasília após resultado do 1º turno das eleições presidenciais; ele enfrentará o presidente Lula (PT)

Flávio Bolsonaro (PT) fala com a imprensa em frente ao seu QG de campanha em Brasília após resultado do 1º turno das eleições presidenciais; ele enfrentará o presidente Lula (PT)

Diego Herculano - 04.out.26/Reuters



Asdrúbal Figueiró

Flávio Bolsonaro afirmou hoje que pretende alterar a Constituição para promover uma reforma do Judiciário, reduzir a maioridade penal e aprovar o fim da possibilidade de reeleição. Ele também afirmou que quer mudar pontos da reforma tributária, aprovada em 2023.

O candidato do PL não deu detalhes sobre a reforma do Judiciário e disse que o Congresso deve decidir sobre os critérios para o fim da reeleição.

"Se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. É o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o caminho que tem que ser feito, é a reforma política que tem que ser feita."

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada, ainda colocou em dúvida a existência de uma "democracia plena" no Brasil.

"Você acha que o Brasil está numa democracia plena hoje? Reflita. O Brasil está numa democracia plena? Eu vou chegar lá. Agora, a gente tem que respeitar a política, a gente tem várias peças que são possíveis."

Para Josias de Souza, Flávio Bolsonaro parece buscar na crise institucional do STF um pretexto para a "revanche" do bolsonarismo e flerta com uma crise institucional.

Segundo o colunista, no programa de governo que Flávio Bolsonaro entregou à Justiça Eleitoral, o termo redemocratizar vira um eufemismo para esvaziar os poderes do STF.

"O clã Bolsonaro ainda não conquistou o segundo mandato, mas o primogênito do capitão já colocou o trem fantasma da crise institucional nos trilhos", completou Josias.

Para o ex-juiz Wálter Maierovitch, porém, uma eventual reforma do Judiciário não poderia mexer com o mandato dos atuais ministros do Supremo.

"Todos os eleitores descontentes sabem, de cor e salteado, que os atuais ministros são vitalícios, conforme previsto na Constituição. A vitaliciedade é cláusula constitucional pétrea."

Em entrevista ao UOL News, programa do Canal UOL, o professor de direito da PUC-SP Pedro Serrano afirmou que, quando Flávio Bolsonaro fala em "redemocratizar" o país, ele pode estar sugerindo uma "ruptura com o que a Constituição protege como intocável".

"Não há que se falar em redemocratização, uma palavra que para mim induz a algo muito perigoso, que é a ideia de você querer estabelecer um novo poder constituinte originário, rompendo com as cláusulas pétreas da Constituição que são imutáveis."

Na opinião de Thais Bilenky, as declarações de Flávio Bolsonaro foram deliberadamente dúbias, com o objetivo de provocar confusão para manter o assunto em discussão.

"Eu vejo nessa movimentação deles um recurso que o bolsonarismo de modo geral, Flávio e o pai Jair usavam muito e é recorrente, que é a mensagem subliminar."

Para Leonardo Sakamoto, a "ambiguidade" das declarações de Flávio ajuda a "sequestrar a atenção pública" no momento em que Lula tenta recolocar em pauta o fim da escala 6x1.

"É uma questão de sequestrar a atenção pública, em um momento no qual o presidente Lula tenta colocar de volta a discussão que interessa mais à candidatura dele: a programática."

Para Alexandre Borges, o histórico de fazer política e o estilo de Flávio Bolsonaro são muito mais moderados do que o do pai.

"Ele pode mudar quando sentar na cadeira? Pode. (...) Mas se mantiver a coerência com sua atuação política, pode ser que ele faça um governo mais parecido com o de Temer ou até o de Tarcísio."

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