sábado, 5 de setembro de 2026

Tiro, porrada e bomba no Supremo. E nem parece metáfora!

 

Arte: Marcelo Chello

Ontem aqui na redação, surgiu o papo: o supremo Xandão vai botar o supremo Mendonça no inquérito das fakes. No fundo, no fundo, a gente achava tão impossível que esquecemos de escrever no texto. E o que aconteceu hoje? O Xandão botou o Mendonça no inquérito das fake. Se segura, BRASEW, que os supremos estão implodindo o Supremo Tribunal Federal. É tiro, porrada, bomba, lança-chamas, drones… nem precisaram chamar o Donald J. Trump (J de João, eu juro)

A treta é a seguinte. Um relatório da Polícia Federal mostrou que Xandão trocou pelo menos 50 mensagens nada republicanas com o Daniel Vorcaro, depois que o banqueiro fechou um contrato de R$ 131 milhões com o escritório da sua esposa, contrato esse que o próprio Xandão acessou. O supremo Mendonça mandou a polícia fazer um relatório sobre essas conversas encontradas no celular do Vorcaro e abriu o sigilo. O que fez o Xandão? Escalou para níveis inimagináveis ao incluir o supremo Mendonça no inquérito das fake news, aquele inquérito criado em 2019 sob o pretexto de defender a democracia e que fez de Xandão o nosso xerife geral da República. Xandão diz que tem um relatório da Polícia Federal (um outro, não aquele das mensagens com o Vorcaro) que acusa Mendonça de ter usurpado autoridades policiais. Xandão ainda diz que existem fortes indícios de prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade de Mendonça.

As notícias estão nos atropelando. Ontem à noite, o repórter fotográfico de O Globo, Brenno Carvalho, revelou uma foto em que os ministros supremos gargalhavam, como se não estivessem no meio da maior crise da história suprema com as mensagens do Vorcaro para Xandão jogadas na imprensa. E antes que alguém diga que não era o celular do Xandão, era o celular do Xandão.

Depois ficamos sabendo que um juiz auxiliar do gabinete do supremo Mendonça tinha ouvido na semana passada o Daniel Vorcaro que acusou o chefe da Polícia Federal de o estar impedindo de fazer uma delação. Chegou a dizer que foi torturado, ficando numa caixa sem poder respirar direito. O juiz pergunta se ele sabe quem era. Ele diz que só viu os olhos. Sim, teve isso antes do fim do sigilo das mensagens.

Depois que jogou as mensagens do Vorcaro com Xandão no ventilador, os vazamentos contra Mendonça começaram. Ele também já havia se encontrado com Vorcaro e justificou que era apenas um encontro para discutir uma questão de precatórios muito antes da prisão do banqueiro. Para tentar se blindar dos ataques, o supremo terrivelmente evangélico chegou a renunciar à sociedade que tinha em um instituto de educação (não devia nem ter entrado de sócio, né, ministro?) que havia aberto em São Paulo. O tal instituto em pouquíssimo tempo já estava faturando na ordem de 10 milhões de reais.

O fato é que as mensagens vazadas contra Mendonça não eram muito fortes (especialmente comparadas com as mensagens de Vorcaro ao Xandão). Mas eis que agora o Xandão vai com tudo para cima de Mendonça.

É guerra ou fake?

Então estamos vendo o Supremo ser implodido com uma briga de supremo investiga supremo e outro supremo investiga supremo, a Polícia Federal ser implodida com uma série de vazamentos de todos os lados com parte da polícia investigando Xandão e outra parte investigando o Mendonça. E o Ministério Público, na figura do procurador geral, também está na mira de tiro, até porque Paulo Gonet aparece em mensagens como amigo do Vorcaro. É uma guerra sem precedentes.

O supremo Edson Fachin (que estava também gargalhando ontem na foto do Globo) diz que vai ouvir em até cinco dias úteis os dois supremos, o PGR e o diretor-geral da PF. Ou seja, está tentando jogar uma água fria na fervura. Na leitura de alguns entendidos, a jogada de Xandão mostra que ele já tem maioria para derrubar Mendonça. Há quem veja também que essa pode ser uma estratégia para dividir ainda mais a sociedade e ficarmos naquela dos defensores do Mendonça contra os defensores do Xandão.

O Fachin

Fachin está ouvindo as sugestões de todo mundo sobre como manejar a guerra. O supremo Xandão quer investigar o supremo Mendonça. O supremo Mendonça pediu para afastar o supremo Xandão. O supremo Gilmar Mendes pediu para afastar a polícia de dentro do tribunal. E, no fim, quem resolveu tudo foi a segurança do Supremo que decidiu que agora fotojornalista não pode mais tirar foto na janela do Supremo (Foi assim que Brenno pegou os ministros se divertindo no meio da maior crise da história suprema. E justificaram dizendo que foi por conta de uma piada do supremo Dino. Piadinha infame deve ter sido).

A vantagem do Fachin é que ele fala e a gente não entende mesmo, então ele pode ficar enrolando até fazer um Código de Ética sobre como conversar com um banqueiro no zap.

Com Supremo, com tudo

Tudo é surreal nessa história, darling, e nem me surpreenderia se logo mais descobríssemos um grande acordão envolvendo todos os lados. Isso porque existe um risco tremendo de todo o caso do Banco Master ser anulado a partir dessa treta toda. Já estão falando em anulação de provas, em cadeia de custódia ter sido violada. Não sei se vocês lembram, mas para quem viu o que aconteceu com a Castelo de Areia… que desmoronou por conta de nulidades… por que não acabar logo com a investigação do Banco Master que pega todo mundo da direita à esquerda. Todo mundo ficaria feliz.

O rolê aleatório

O rolê de Vorcaro é tão aleatório que olha os vazamentos de hoje.

Vorcaro disse em mensagens que pagava os aviões para Nikolas Ferreira andar pelo Brasil. Sim, o bolsonarista Nikolas. O deputado teria até chamado Vorcaro de lindão. Nikolas nega que tenha chamado Vorcaro de lindão.

Vorcaro teria dito em depoimento para o juiz auxiliar do supremo Mendonça que foi torturado enquanto estava sob custódia da polícia federal e que sua delação não foi aceita porque pegaria o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues (mas como ele disse que não tinha problemas com o Ministério Público, não ficou claro porque também o MPF não aceitou sua delação).

Além disso, ele falou que sua delação pegaria o núcleo do governo atual. Ahã. A melhor parte do depoimento é o juiz garantindo para Vorcaro que era um depoimento super sigiloso e que só ele e o advogado teriam acesso. E estávamos todos hoje lendo o tal depoimento sigiloso.

Vorcaro disse que o financiamento de campanha feito por seu cunhado para Tarcísio e Bolsonaro era pagamento de propina a pedido do Kassab no rolê do Credcesta. Ahã. Juro que hoje teve esse vazamento também sobre um dos anexos da tal delação do Vorcaro.

Havengate

Mas teve mais vazamento. Veio à tona trechos do acordo de delação de Antônio Carlos Freixo Junior que era dono da Entre Investimentos e ele diz que o dinheiro do Dark Horse foi para o fundo Havengate, criado pelo advogado de Dudu Bolsonaro no Texas, onde o Dudu mora hoje. Nem vi nenhuma novidade nisso, mas enfim, é alguém botando o Dark Horse na cadeia de custódia dos vazamentos. Aliás, só hoje reparei que o nome desse fundo Havengate já vem com nome de investigação policial.

Enquanto isso, o Alcolumbre

O Congresso aprovou o fim da taxa das blusinhas. Mas, porém, todavia, entretanto, contudo, nossa estrela-mor não deixou chegar ao plenário do Senado a votação do fim da jornada 6x1. É bem verdade que ele só tinha prometido a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, mas a notícia é que Lula ligou para Alcolumbre e mesmo assim o senador segurou a história. Disse que vai ser votada só depois das eleições e não ficou claro se depois do primeiro turno ou só depois do segundo turno. O fim da jornada 6x1 é uma carta na manga de Lula, Alcolumbre sabe e vocês sabem que Alcolumbre segura o que pode para ter sua própria carta na manga. Alcolumbre é parça do Xandão e Xandão está na fogueira. Ontem mesmo Alcolumbre já quis equiparar a crise do Xandão a do Flavitcho (e a verdade é que os dois pediram o mesmo valor de R$ 130 milhões a Daniel Vorcaro, um para um filme, outro em contratos no escritório da esposa).

Lula tentou hoje se afastar da crise no Supremo. Mas resta saber como essa crise vai fazer desandar ou não as eleições, BRASEW.

Gente, hoje teve vazamento até da Refit do Ricardo Magro com o Cláudio Castro. Sorte deles porque é tanto vazamento que ninguém prestou muita atenção nesse vazamento. Nem a gente. Saudades do tempo em que só noticiávamos tentativa de golpe de Estado.

Agora vazamento bom mesmo é o dos recadinhos do Pix da Tixa.

“melhor news de política”

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Acorda, BRASEW!

Há chance real de interferência de Trump em eleição do Brasil", diz diretor da The Atlantic

 

Jeffrey Goldberg, diretor de The Atlantic

Jeffrey Goldberg, diretor de The Atlantic

Stephen Voss

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Causou alguma estranheza no Palácio do Planalto que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tenha mencionado a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, ao longo de uma hora e 20 minutos de conversa com o presidente Lula.

A decisão, tomada apenas 17 dias antes da ligação entre os líderes, tinha sido motivada pela demora do Brasil em aceitar formalmente a indicação do deputado da Flórida Daniel Perez para embaixador dos EUA no Brasil. Foi o que informou o Departamento de Estado, em uma chamada com jornalistas na qual estavam presentes opositores do governo Lula radicados nos EUA, como os comunicadores Paulo Figueiredo e Allan dos Santos.

Em sabatina no Senado americano, em julho, Perez, próximo ao Secretário de Estado Marco Rubio, afirmou que defenderia "condições para eleições livres e justas" no país, o que foi lido em Brasília como potencial intenção de interferência eleitoral. Semanas depois, a um canal de televisão na Flórida, ele disse que não iria se "envolver" na decisão dos brasileiros.

Segundo o UOL apurou, o Departamento de Estado já vinha ameaçando Viotti com medidas punitivas por semanas até que ela foi comunicada por um constrangido diplomata norte-americano que, embora fosse uma "colega perfeitamente adequada", sua autorização de entrada no país estava oficialmente revogada.

A ação era inédita na relação bilateral de 201 anos e um ato de hostilidade, mas Donald Trump não parecia ciente disso ao falar com Lula.

Para pessoas que participam da dinâmica entre os dois governos em Washington, não era jogo de cena. Trump efetivamente desconhecia a situação. Seria mais uma obra dos chamados "kids in the mid management", ou, em bom português, "os moleques da burocracia média": indicados políticos de extrema-direita em postos com graus variados de autoridade e autonomia e que, frequentemente, emplacam decisões acima de sua faixa salarial.

Para Jeffrey Goldberg, diretor da influente revista americana The Atlantic, o episódio com o Brasil não é um acidente ou uma exceção. "É um erro tentar entender as ações do governo Trump sob a ótica de conspiração, quando é possível analisá-las pelo prisma da estupidez e da incompetência", afirmou Goldberg ao ser informado sobre os detalhes do episódio, em entrevista ao UOL, dias antes de embarcar para o Brasil, onde participará do festival Piauí de Jornalismo, entre os dias 5 e 6 de setembro.

Baseado em Washington D.C. e dedicado a oferecer explicações sobre o governo Trump aos americanos e ao mundo, Goldberg reconhece as dificuldades da tarefa. "Nós, no jornalismo, estamos sempre em busca de coerência, mas muitas vezes não há lógica na forma como as coisas acontecem", diz.

"Há pessoas no governo (Trump) que comandam diferentes departamentos e definem políticas; às vezes, o presidente toma conhecimento dessas políticas e concorda com elas; outras vezes, não concorda; e, em alguns casos, simplesmente não se importa. Às vezes, esses departamentos tentam adivinhar o que o presidente desejaria — caso ele se importasse — e agem com base nisso, apenas para descobrir que o presidente pensa de outra forma. Lembre-se: não existe uma liderança estável nos Estados Unidos — e digo isso literalmente. É uma gestão bipolar e o que Trump diz hoje não tem importância alguma amanhã", resume Goldberg.

Poucas pessoas viveram pessoalmente situações tão exemplares e reveladoras do que seria o segundo mandato de Donald Trump à frente da Casa Branca. Em março de 2025, ele foi indevidamente incluído em um seleto grupo no aplicativo de conversa Signal. Estavam ali o vice-presidente JD Vance, fazendo questionamentos semi-isolacionistas, o secretário da Guerra, Pete Hegseth, pró-intervenção bélica, e o subchefe de gabinete Stephen Miller, que encerrou discussões ao dizer que o ataque aconteceria porque "o presidente quer". Ao vir a público, a presença de um jornalista em um grupo de aplicativo comercial em que altas autoridades dos EUA discutiam temas sensíveis da segurança nacional, a história se tornou um escândalo. E Goldberg se converteu em alvo de todo tipo de ataque do governo dos EUA.

"Observam-se muitos comportamentos recorrentes neste incidente e na forma como reagiram a ele. Uma certa falta de rigor, ataques à imprensa em vez de lidar com a essência do ocorrido, as disputas ideológicas dentro do governo sobre como lidar com o mundo", diz Goldberg, que segue:

"Creio que está bem claro para nós que J.D. Vance não teria atacado o Irã da maneira como Trump fez. Ele concordou com a ideia, porque ele concorda com tudo, mas acho que entendemos que a sua inclinação é sair do Oriente Médio, e não se aprofundar ainda mais na região", diz o diretor da The Atlantic, referindo-se à guerra do Irã que recém completou 6 meses, a despeito da previsão inicial de Trump de que duraria "algumas semanas" e de suas reiteradas afirmações de vitória e "obliteração total" do regime islâmico, assim como fez com os Houthis após o ataque no Iêmen (os Houthis, porém, seguem ativos e apoiando militarmente os iranianos na região).

"Outro detalhe — que talvez não seja tão pequeno assim — é que, como se viu na conversa, eles estavam tendo uma discussão acalorada quando Stephen Miller entrou e disse (pelo menos foi o que ouvi) que o presidente queria atacar. Estou parafraseando, mas você entende. E aí todo mundo simplesmente aceitou: "Ok, vamos fazer isso". Ou seja, Stephen Miller é quem realmente impõe as decisões; ele é uma figura de grande poder na Casa Branca", nota Goldberg, referindo-se ao jovem auxiliar de Trump que, entre outras medidas, é o responsável pelas políticas anti-imigração de Trump.

De acordo com Goldberg, Trump se move pelo próprio ego, e por seu desejo de ganhar "o jogo", a disputa que estabelece cotidianamente com diferentes interlocutores. Ele próprio esteve nesta posição. Depois do escândalo do grupo do Signal, Goldberg foi convidado por Trump a ir à Casa Branca conversar com ele. Apenas 3 horas antes da reunião, o presidente o atacou duramente em sua rede social, o Truth Social, ao dizer que Goldberg era um jornalista de pouco sucesso, autor de histórias "ficcionais". O diretor da revista chegou a ser desaconselhado de ir à Casa Branca naquele dia, mas manteve a programação.

"Então, entro no Salão Oval e ele diz: "Ei, Jeff, tudo bem?" E pergunto: "Sr. Presidente, do que se tratava aquela história da Truth Social?" E ele responde: "Ah, eu só estava tentando deixar você alerta".É só um jogo! Um jogo", diz Goldberg.

"Se você nos visse conversando, jamais imaginaria que eu escrevi contra a presidência dele durante anos, ou que ele escreveu insultos terríveis sobre mim nas redes sociais. Se quiser entender Donald Trump, assista à luta livre profissional. Porque ele é uma performance de raiva", segue o jornalista.

Isto não significa, porém, que Trump não tome decisões duras e agressivas e as aplique no mundo real. Quando pergunto a Goldberg quão preocupados os brasileiros deveriam estar sobre as possíveis intenções dele de intervir em eleições no Brasil ou quem sabe até atacar militarmente o país, depois de designar como "terroristas" duas das maiores facções criminosas brasileiras, ele diz que é impossível oferecer qualquer certeza.

"Quem quer que lhe diga o que vai acontecer no futuro das relações entre os EUA e o Brasil ou sob o governo de Donald Trump não faz a menor ideia do que está falando. É possível apenas apresentar um leque de possibilidades sobre o que pode acontecer", diz Goldberg.

Feita a ressalva, ele prossegue:

"Com base em experiências passadas, é preciso dizer que a interferência (na eleição do Brasil) é uma possibilidade real. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar que essas pessoas são *trolls* da internet. E quando é que a *trollagem* na internet se torna algo real? Não sei. Mas sim, obviamente, eles são capazes de interferir".

O diretor da Atlantic reconhece que ao menos parte da administração americana está comprometida com a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas não necessariamente toda a máquina. "Obviamente, os Bolsonaro são favoritos da facção de Trump. E, assim como aconteceu na Colômbia e em outros países (que elegeram governantes à direita), isso torna a América do Sul — a América Latina — mais favorável sob a perspectiva de Trump".

"O mesmo ocorreria, obviamente, com o retorno dos Bolsonaro", disse Goldberg, três dias antes de Trump dizer publicamente que tinha "boa relação" com o Brasil e assinalar que a região está indo mais para a direita e ficando mais próxima dos EUA.

"Se você me perguntasse há algum tempo se os EUA iriam invadir a Groenlândia, minha resposta padrão seria: 'você está drogado?'. Já não é mais assim. Então, se eu fosse um brasileiro de centro que se importasse apenas com a independência das nossas eleições, mesmo que eu não gostasse do resultado, eu olharia para a Venezuela e diria: 'Hummmm…'(preocupação). Claro, o Brasil é muito maior e mais sofisticado, mas se você é um cidadão brasileiro, tem que pensar: 'Não sei, talvez o Trump interfira diretamente'. Se você é venezuelano, você tem que pensar: 'o Trump vai simplesmente tomar nosso petróleo'. Se você é dinamarquês, tem que pensar que o Trump pode realmente invadir a Groenlândia", conclui Goldberg.

GIRO PELO BRASIL: Moraes contra-ataca, acusa Mendonça de abuso e aprofunda crise no STF

 

Mateus Bonomi - 2.set.2026/Folhapress

Moraes contra-ataca, acusa Mendonça de abuso e aprofunda crise no STF

Carolina Juliano

As principais notícias para começar o dia bem informado:

  • STF: Moraes acusa Mendonça de abuso de autoridade
  • Caso Master: Fachin e Lula cobram explicações de ministros
  • PF: Mendonça ignorou indícios contra outros ministros
  • Novas revelações: Mensagens envolvem mais políticos
  • Datafolha: Lula tem 38%, Flávio 33% e Cury 8% no 1º turno
  • Economia: Senado aprova fim da "taxa das blusinhas"
  • Copa do Brasil: Grêmio elimina Internacional e avança

Moraes pede providências contra Mendonça

  • O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes acusou ontem o colega André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Em manifestação enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes pediu providências contra Mendonça.
  • Moraes afirma que Mendonça teria quebrado a imparcialidade judicial e favorecido grupos políticos ao divulgar o material. As acusações estão relacionadas à decisão do ministro de retirar o sigilo de documentos da investigação sobre o Banco Master, que revelou mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro. O episódio amplia a crise e leva o STF a uma guerra interna sem precedentes.

Fachin e Lula cobram explicações

  • O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos sobre o caso Master. Eles terão cinco dias úteis para responder a questionamentos sobre a condução da investigação e o relatório da PF que envolve mensagens de Daniel Vorcaro. O presidente Lula também cobrou uma investigação ampla e sem blindagem e criticou o que chamou de "vazamentos seletivos".

PF diz que Mendonça ignorou outros indícios

  • Relatório da Polícia Federal produzido a pedido de Alexandre de Moraes afirma que André Mendonça ignorou indícios de possíveis irregularidades envolvendo os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques e direcionou a investigação do caso Master contra de Moraes. Segundo o documento, Mendonça teria adotado posturas diferentes diante de suspeitas envolvendo ministros do STF e demonstrado interesse em investigar Moraes. A PF também aponta possível interferência do ministro na condução de investigações e direcionamento de alvos.

Novas revelações envolvem mais políticos

  • Novas informações ampliaram as revelações sobre as relações de Daniel Vorcaro com políticos. Em proposta de delação, rejeitada pela PGR, Vorcaro afirmou que doações de R$ 5 milhões feitas em 2022 às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas foram, na verdade, propinas negociadas com Gilberto Kassab em troca da manutenção do Credcesta no governo paulista. Os envolvidos negam irregularidades.
  • Em outro episódio, áudios revelados mostram o deputado Nikolas Ferreira pedindo a Vorcaro ajuda para liberar um ativo de minério ligado a um ex-assessor. O deputado confirmou o contato, mas negou ter relação próxima ou recebido benefícios do banqueiro.

Ed Jones/AFP e Manoella Mello/Globo

Datafolha: Lula tem 38%, Flávio, 33%, e Cury chega a 8%

  • Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra Lula com 38% das intenções de voto para o primeiro turno, ante 33% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury aparece em terceiro, com 8%, seis pontos a mais que no levantamento anterior. Em um eventual segundo turno, Lula marca 46% e Flávio, 44%, resultado de empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos. Este é o primeiro levantamento do instituto após o início dos debates e do horário eleitoral.

Senado aprova fim da 'taxa das blusinhas'

  • O Senado aprovou o fim definitivo do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido como 'taxa das blusinhas'. A medida provisória já havia passado pela Câmara e agora segue para sanção do presidente Lula. A cobrança de 20% foi criada em 2024 e incide sobre produtos comprados em plataformas estrangeiras. Para remessas de até US$ 3.000, o texto reduz de 60% para 30% a alíquota do imposto.

Grêmio elimina Inter da Copa do Brasil e vai à semifinal

  • O Grêmio venceu o Internacional por 3 a 1, na noite de ontem na Arena do Grêmio, e ficou com a última vaga nas semifinais da Copa do Brasil. Carlos Vinícius marcou duas vezes no primeiro tempo, e Krovinovic ampliou na etapa final. Vitinho descontou para o Inter. O resultado veio após o empate por 0 a 0 no jogo de ida, no Beira-Rio. Na semifinal, o Grêmio enfrentará o Atlético-MG, que eliminou o Cruzeiro. Palmeiras e Vasco disputam a outra vaga na final.

Colunistas do UOL veem guerra inédita e jogo eleitoral em crise no STF

 

Ministros aparecem rindo em foto em meio à crise no STF

Ministros aparecem rindo em foto em meio à crise no STF

Brenno Carvalho - 2.set.26/Agência O Globo


Asdrúbal Figueiró

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirou hoje do inquérito das fake news o pedido de investigação de André Mendonça, apresentado ontem por Alexandre de Moraes, relator do processo.

Fachin determinou que o pedido seja anexado à Petição (PET) 16704, aberta ontem pela presidência do tribunal para apurar supostas irregularidades na condução de investigações. Com a medida, Fachin assume o acompanhamento do assunto, que sai da alçada de Moraes.

No documento, Moraes pede a investigação de Mendonça pela suspeita dos crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade.

Na terça-feira, Mendonça levantou o sigilo de uma investigação que ele próprio determinou à PF e que expôs Moraes como destinatário de mensagens encontradas no celular de Vorcaro.

Nas mensagens, Vorcaro pede que Moraes interfira em investigações do Banco Master e pergunta se deve sair do país dias antes de ser preso.

O relatório da PF também revelou que Moraes acessou a última versão do contrato de R$ 131 milhões firmado entre Vorcaro e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, dias antes da assinatura.

Na visão da colunista do UOL Marcela Mattos, a reação de Alexandre de Moraes à iniciativa de Mendonça com o pedido de investigação foi muito mais dura do que se esperava.

"Alexandre de Moraes trucou o ministro André Mendonça. Isso eleva a crise em vários degraus."

Daniela Lima compara o conflito interno instalado no STF a uma guerra e diz que a crise chegou a "patamar inédito e de consequências imprevisíveis".

Daniela informa que, em um dos relatórios usados como base para o pedido de Moraes de investigação de Mendonça, a PF afirma que o ministro indicado por Jair Bolsonaro "vinha direcionando os casos" e "direcionando politicamente as investigações" sob sua supervisão.

"Segundo a PF, em bom português, Mendonça age com dois pesos e duas medidas", diz a colunista.

Josias de Souza diz que não há dúvidas de que há uma guerra no Supremo e que Fachin está com a difícil tarefa de administrá-la.

O colunista também viu fragilidades no pedido de investigação de Moraes contra Mendonça. Segundo Josias, o requerimento está ancorado em um documento "apócrifo".

João Paulo Charleaux diz que se tornou evidente agora que grande parte do racha no STF tem a ver com os interesses na eleição deste ano.

"André Mendonça é identificado com o campo bolsonarista. Alexandre de Moraes, embora não tenha sido indicado por Lula, é o personagem das condenações do 8 de Janeiro, e [André Mendonça] é visto como um antagonista desse personagem."

Mensagens mostram Nikolas Ferreira pedindo favor a 'Dani' Vorcaro

 

Nikolas Ferreira pediu que Daniel Vorcaro ajudasse a destravar ativos minerários para os negócios de um amigo

Nikolas Ferreira pediu que Daniel Vorcaro ajudasse a destravar ativos minerários para os negócios de um amigo

Câmara dos Deputados e Folhapress



Asdrúbal Figueiró

Mensagens de áudio reveladas hoje mostram que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu ao então banqueiro Daniel Vorcaro que ajudasse o ex-assessor Thiago Faria, a quem Ferreira se refere como "amigo".

Na gravação, de março do ano passado, Nikolas trata Vorcaro por "Dani". O deputado conta que Faria tem um "ativo minerário" com pendências. Depois de receber o contato de Faria, Vorcaro responde: "Amém, irmão. Estamos na guerra juntos."

As mensagens foram reveladas pela coluna de Juliana Dal Piva, no ICL Notícias. No final do áudio, Nikolas se despede de Vorcaro com uma fala truncada, que dá margem a dois entendimentos distintos: "abraço, lindão" ou "abraço aí, Dani".

Em vídeo, Nikolas Ferreira negou ter proximidade com Vorcaro. "Eu não falo lindão em hora nenhuma. (...) quiseram colocar isso na matéria como se eu tivesse uma proximidade com ele, como se eu fosse o Alexandre de Moraes, né?"

Para Alexandre Borges, porém, o áudio não deixa dúvidas para ninguém sobre as relações entre Nikolas e Vorcaro.

"É muita cara de pau fingir que não tem relação, todos já sabiam quem era o Vorcaro."

O colunista diz que é triste constatar como o "sarrafo" das relações com o ex-banqueiro é alto no Brasil. "É por isso que a gente está batendo duro também no escândalo no STF, no escândalo do Alexandre de Moraes."

Lindão ou Dani, Leonardo Sakamoto lembra que Daniel Vorcaro já foi tratado de forma carinhosa por vários políticos em gravações ou mensagens obtidas pela PF.

Uma das mais conhecidas, segundo Sakamoto, foi a mensagem de Flávio Bolsonaro ao então banqueiro em 16 de novembro de 2025, dias antes da prisão de Vorcaro:

"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente."

O colunista nota que não é possível saber como Alexandre de Moraes chamava Daniel Vorcaro porque as mensagens do lado dele nos diálogos com o banqueiro não puderam ser recuperadas. "É bem provável que não fosse 'senhor investigado'."

Luciana Bugni: Mistério do dia: sem intimidade, Nikolas chama Vorcaro de 'lindão' ou Dani?

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