segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Ataque a festa de aniversário deixa três mortos em Imperatriz e polícia apura relação com facções criminosas

 Segundo a Polícia Civil, o ataque teria sido motivado pela publicação de uma fotografia nas redes sociais em que um dos participantes aparecia segurando uma arma de fogo.



Três homens foram assassinados a tiros durante uma festa de aniversário realizada na madrugada de domingo, 11 de outubro, em uma casa de eventos localizada no Residencial Verona II, em Imperatriz, na região tocantina do Maranhão. Segundo a Polícia Civil, o ataque teria sido motivado pela publicação de uma fotografia nas redes sociais em que um dos participantes aparecia segurando uma arma de fogo.

As vítimas foram identificadas como Rubem Nilson Colto da Silva, Felipe Gabriel Silva de Jesus e João Vitor de Souza Nunes. Dois homens morreram ainda no local, enquanto o terceiro chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

A polícia investiga a possível participação de integrantes de uma facção criminosa no triplo homicídio. Uma das linhas de investigação aponta que o crime pode estar relacionado a disputas entre grupos criminosos que atuam na região.

Fotografia com arma teria motivado o ataque

De acordo com as informações policiais, aproximadamente 12 pessoas participavam da comemoração quando um grupo formado por cerca de seis a oito homens armados chegou ao estabelecimento.

Antes da invasão, um dos participantes da festa, que posteriormente seria uma das vítimas do ataque, teria publicado uma fotografia nas redes sociais em que aparecia segurando uma arma de fogo.

A publicação teria chamado a atenção de integrantes de uma facção criminosa da região, que se deslocaram até o local para exigir a entrega da arma exibida na imagem.

Ao chegarem à festa, os suspeitos começaram a ameaçar e agredir os participantes, exigindo que entregassem o armamento. As pessoas presentes, no entanto, negaram que houvesse qualquer arma no estabelecimento.

Ainda segundo a polícia, a situação provocou uma briga envolvendo três participantes da comemoração e integrantes do grupo criminoso.

Poucos minutos depois da confusão, outros homens armados chegaram ao local e efetuaram diversos disparos contra três participantes da festa.

Duas vítimas morreram no local e uma terceira no hospital

Rubem Nilson Colto da Silva e Felipe Gabriel Silva de Jesus foram atingidos por vários disparos e morreram antes da chegada do atendimento médico.

João Vitor de Souza Nunes também foi baleado durante o ataque. Ele chegou a receber atendimento de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, e foi encaminhado a uma unidade hospitalar de Imperatriz.

Apesar dos esforços das equipes médicas, João Vitor não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu no hospital.

Vítima era investigada por ataque que deixou cinco baleados

Durante as investigações, a polícia identificou que Rubem Nilson Colto da Silva, uma das vítimas do triplo homicídio, teria ligação com uma facção criminosa atuante em Imperatriz.

Segundo a polícia, Rubem também estaria envolvido em um ataque a tiros ocorrido em 16 de maio deste ano, em um lava-jato localizado no bairro Parque São José, também em Imperatriz.

Na ocasião, integrantes de uma organização criminosa teriam sequestrado um motorista de aplicativo e utilizado o veículo da vítima para se deslocar até o estabelecimento.

Ao chegarem ao lava-jato, os criminosos efetuaram disparos contra pessoas que estavam no local. Cinco pessoas foram baleadas durante a ação, e uma delas, um jovem que, segundo a polícia, não tinha envolvimento com atividades criminosas, morreu em decorrência dos ferimentos.

As investigações apontaram Rubem Nilson como um dos suspeitos de participação nesse ataque.

Agora, meses depois, ele aparece entre as três vítimas do homicídio registrado durante a festa de aniversário no Residencial Verona II.

Polícia investiga possível disputa entre facções criminosas

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o triplo homicídio esteja relacionado a conflitos entre facções criminosas que disputam territórios e influência em Imperatriz.

As circunstâncias do ataque, a identificação de todos os envolvidos e a possível relação entre os homicídios e disputas entre organizações criminosas deverão ser esclarecidas ao longo das investigações.

Até o momento, não foram informadas prisões relacionadas ao triplo homicídio.

Fazendeiros ameaçam invadir terra indígena no Pará após eleição, dizem áudios

 


Fazendeiros da região da terra indígena Apyterewa, no sudeste do Pará, têm circulado em grupos de mensagens ameaças de invadir o território dos parakanãs no próximo dia 25, data do segundo turno das eleições. Os relatos, reunidos em oito áudios obtidos pela Folha, associam a ação a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial e à eleição do governador Dr. Daniel (Podemos), no Pará.

Por razões de segurança, a transcrição dos áudios não será publicada, nem a identidade dos envolvidos. Os recados foram enviados por WhatsApp por moradores da região a indígenas nos últimos dias, segundo a reportagem. O material é de conhecimento dos órgãos de inteligência do governo federal.

As mensagens afirmam que os pecuaristas aguardam o dia da votação para entrar na terra indígena e construir fazendas dentro da área protegida. A expectativa relatada nos áudios é de que, caso Flávio seja eleito e com Dr. Daniel no governo estadual, o território seja retirado dos parakanãs e repassado aos fazendeiros da região.

A Folha cruzou os metadados de origem dos áudios com bancos de dados e conversou com investigadores que atuam no caso para confirmar que eles são ligados a endereços nos arredores da Apyterewa.

A campanha de Flávio foi procurada pela reportagem, por meio de seu canal oficial de imprensa, desde a noite de quinta-feira, dia 8, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. A gestão estadual do Pará também foi procurada e não se posicionou. Dr. Daniel disse, por meio de sua assessoria, que não vai comentar o caso.

As ameaças foram tema da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula na última quinta-feira. Polícia Federal, Ibama, Funai e Ministério dos Povos Indígenas afirmaram que monitoram a situação.

O Ministério dos Povos Indígenas declarou, em nota, que acompanha o aumento da pressão para a ocupação ilegal do território. Segundo a pasta, o comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, para intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais. O ministério também esclareceu que a apuração dos fatos relacionados aos áudios compete às autoridades policiais responsáveis pela investigação.

O Ibama informou que acompanha a situação e afirmou haver evidências de mobilização semelhante em outras regiões da Amazônia, tanto em terras indígenas quanto em outras áreas protegidas, com vistas à retomada das atividades de garimpo ilegal.

Um agente da Polícia Federal disse à reportagem, sob condição de anonimato, que as informações de inteligência sobre as ameaças aos parakanãs são sólidas e preocupantes.

O caso mais emblemático da pressão sobre a Apyterewa ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro. Pecuaristas chegaram a construir uma pequena cidade dentro da área protegida, conhecida como Vila Renascer. A terra indígena, homologada em 2007, fica em São Félix do Xingu, ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil parakanãs de recente contato. A classificação indica que o povo preserva sua cultura e organização social, com autonomia e certo distanciamento da sociedade não indígena. Por isso, a interação não controlada com invasores representa uma ameaça maior do que para grupos mais integrados à sociedade ocidental.

Dados do Inpe mostram que o desmatamento na Apyterewa saltou de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano da gestão bolsonarista, e atingiu recorde em 2022, com 102,2 km² destruídos. Em 2023, primeiro ano do governo Lula, caiu para 20,6 km².

A área também é objeto da ADPF 709. Em 2020, o então ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso determinou que o governo federal deveria expulsar invasores das áreas indígenas, decisão não cumprida por Bolsonaro. A desintrusão começou em 2023, com reação violenta dos fazendeiros, que realizam emboscadas periódicas contra operações de retirada de gado ilegal. Em diversos casos, pontes dentro da área foram derrubadas para inviabilizar a passagem dos agentes. Um servidor da Funai foi baleado no final de 2023 e um contratado do Ibama foi morto em 2025.

Nos últimos meses, segundo autoridades ouvidas pela reportagem, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região. Os focos de incêndio explodiram nas últimas semanas, e investigadores suspeitam de queimadas propositais. Dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu mostram que os focos passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 no mês passado.

Em áudios recebidos pelas lideranças e obtidos pela Folha, moradores relatam maior circulação de motos e caminhonetes na região e dizem que fazendeiros compram lonas e materiais de roça para iniciar uma invasão após o segundo turno. As mensagens orientam os indígenas a evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo para pastagens e plantações e sugerem que os parakanãs deixem a região.

Com informações do ICL Notícias.

Eleição nos EUA pode definir futuro de eventual aliança de Trump e Flávio

 

Trump publica foto ao lado de Flávio Bolsonaro, na Casa Branca

Trump publica foto ao lado de Flávio Bolsonaro, na Casa Branca

Reprodução//Truth Social


Caso confirme seu favoritismo no segundo turno e saia vencedor da eleição presidencial do Brasil, no próximo dia 25, Flávio Bolsonaro ainda dependerá da abertura de mais algumas urnas para tirar do papel um dos pilares de seu plano governamental: uma parceria estratégica e ampla com os Estados Unidos.

No próximo dia 3 — em menos de um mês — os eleitores americanos irão às urnas para decidir a composição da Câmara e do Senado do país. Atualmente, o presidente republicano Donald Trump conta com maioria legislativa nas duas casas, o que assegurou que ele impusesse tarifas ao redor do mundo e lançasse iniciativas militares contra a Venezuela e o Irã (quase) sem ser questionado.

O status político, porém, parece prestes a se alterar. Com apenas 30% de aprovação popular, Trump pediu que os americanos fossem votar como se o nome dele "estivesse na cédula". Se a intenção era engajar positivamente, o efeito pode ter sido o oposto. Com inflação em alta decorrente de uma guerra com o Irã — ininteligível para boa parte da população dos EUA — e a defesa de pautas pouco atraentes, como a criação de data centers e a não regulação da inteligência artificial, Trump tem se mostrado tóxico para os republicanos na disputa.

Uma pesquisa divulgada pelo Pew Research esta semana mostrou que a maioria dos eleitores (63%) considera Trump como um fator em seu voto para o Congresso — mas mais pessoas veem a escolha como um voto contra o presidente (44%) do que a favor dele (19%).

Isso explica porque candidatos democratas têm vantagem de 8 pontos percentuais sobre republicanos nas pesquisas eleitorais para a Câmara dos Representantes nacionalmente. A derrota na Câmara Baixa já é dada como certa por boa parte do partido do presidente. Mas a derrocada pode se estender também à Câmara Alta, onde republicanos estão ameaçados em redutos vermelhos tradicionais, como o Texas e a Carolina do Sul.

Isso importa especialmente porque, segundo a Constituição dos EUA, o Congresso detém a prerrogativa exclusiva de regular o comércio exterior e as tarifas. Acordos comerciais formais de livre comércio exigem aprovação de ambas as casas legislativas. Para tratados internacionais formais, dois terços do Senado precisam aprovar.

É aí que mora o problema para Flávio Bolsonaro: ele já afirmou que deseja estabelecer um acordo de livre comércio com os EUA, por exemplo. Isso dependerá do Congresso. Tratados de bitributação, outra das bandeiras do senador, precisarão da aprovação do Senado.

Já parcerias militares — que podem ser firmadas sob o manto do chamado "Escudo das Américas", a parceria político-militar trumpista para as Américas a qual Flávio já disse que alistará o Brasil — são alvos de disputa e contestação frequentes no Congresso. Democratas já disseram que pretendem convocar tanto o secretário de Estado, Marco Rubio, quanto o da Defesa, Pete Hegseth, a explicar ações como a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, ou o acordo pelo controle de petróleo venezuelano.

"Imagine como vai ser o Eduardo Bolsonaro, chanceler do governo do irmão, tendo que negociar com um Senado e uma Câmara comandado pelos democratas que ele tantas vezes contornou ou irritou", me disse um ex-alto diplomata americano do governo de Joe Biden.

A conjectura aconteceu enquanto o ex-servidor dos EUA comentava um fundo de US$ 1 milhão liberado há menos de duas semanas por Washington para combater o STF em resposta "ao lobby de Eduardo Bolsonaro", como descreve um dos documentos a que eu tive acesso sobre o tema. O fundo tinha sofrido forte objeção de parlamentares democratas, que acabaram atropelados por Rubio no último dia do ano fiscal.

Cabe ainda ao Congresso aprovar o orçamento e as prioridades — o que pode levar o dinheiro a secar. "E se tomarem as duas casas, com certezas os democratas vão operar abertura de processos de impeachment, questionar a guerra no Irã, todo aquele cenário que a gente já viu no primeiro mandato e que deve desviar a atenção de Trump da América Latina", especula um embaixador brasileiro sob reserva, que tem observado os cenários eleitorais dos EUA.

Para o Brasil e a família Bolsonaro, a dificuldade não seria inédita.

Em 2019, durante a primeira gestão de Trump e sob o governo de Jair Bolsonaro, Brasil e EUA tentaram chegar a um amplo acordo comercial, que os dois presidentes desejavam.

O representante comercial da Casa Branca (USTR, na sigla em inglês), embaixador Robert Lighthizer, e o então chanceler brasileiro Ernesto Araújo se encontraram em maio. Lighthizer deixou a conversa animado, e disse publicamente que desejava intensificar a parceria econômica com o Brasil, incluindo uma simplificação do comércio e "boas práticas regulatórias".

O plano foi abatido ao alçar voo. Os democratas, que comandavam a Câmara dos Deputados, faziam questão de dizer nos bastidores que nenhum acordo comercial amplo ou qualquer outro tratado de parceria bilateral prosperaria sob suas barbas.

Em junho, porém, eles foram mais longe. Em uma carta ao USTR, 24 deputados democratas da Comissão de Orçamento e Tributos (Ways and Means) da Câmara dos Deputados dos EUA informaram Lighthizer que tinham "fortes objeções à busca de qualquer acordo comercial ou à expansão de parcerias comerciais com o Brasil do presidente Jair Bolsonaro".

À época, a ação foi considerada de gravidade sem precedentes na relação bilateral. "Nunca vi um documento assim. Esta é a mais importante comissão do Congresso americano. Essa carta significa que nenhum acordo com o Brasil será feito enquanto a Câmara tiver maioria democrata", disse, em 2019, o ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Ricupero.

A relação, porém, veria dias muito piores nos anos subsequentes. Atualmente, por exemplo, a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, vive no país com um visto cassado. Se deixar o território dos EUA, não poderá regressar. A situação de Viotti, foi aliás, objeto de uma dentre três cartas que parlamentares democratas e de esquerda enviaram ao secretário Rubio nas últimas duas semanas.

Eles questionavam as ações de Washington de potencial "interferência eleitoral" e pediam garantias de reconhecimento do resultado do pleito e de respeito à soberania do país. Trata-se de uma mostra pública de insatisfação com o estado da relação e uma prévia das dificuldades que o partido está disposto a impor a uma futura aliança Trump-Flávio. O secretário de Estado dos EUA não respondeu a nenhuma das cartas. Pode ser que antes que Rubio decida responder, os democratas esvaziem a caneta do chefe dele, o presidente Donald Trump.

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Campanha de Lula acusa Vorcaro de tentar beneficiar Flávio Bolsonaro

 

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em fotos tiradas na prisão em São Paulo

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em fotos tiradas na prisão em São Paulo

Reprodução


Asdrúbal Figueiró

A campanha do presidente Lula acusou hoje Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso, de tentar interferir na disputa eleitoral em benefício do candidato do PL.

A iniciativa foi motivada por uma reportagem da revista Veja, anunciada na capa, afirmando que Vorcaro financiou um documentário sobre Lula dirigido por Oliver Stone e lançado em 2024. Saiba mais sobre as alegações.

Para sustentar a alegação, a revista publicou um áudio atribuído a Vorcaro, sem informar quando, onde e em que condições a gravação foi feita ou como chegou à redação. A revista também não publicou comprovantes da transação, alegando que os pagamentos, no valor de R$ 30 milhões, teriam sido feitos em dinheiro vivo.

Segundo Natália Portinari, Fabio Serapião e Cézar Feitoza, não há, no celular do ex-banqueiro apreendido pela Polícia Federal, nenhuma menção a um suposto financiamento ou patrocínio ao documentário sobre Lula.

"A extração do celular de Vorcaro mostra conversas citando investimentos nos filmes de Jair Bolsonaro e Michel Temer, mas não sobre Lula."

Os advogados da campanha de Lula vão pedir à PF que investigue as declarações atribuídas a Vorcaro e apresentarão uma queixa-crime contra o ex-banqueiro à Justiça, entre outras medidas.

Questionado por Daniela Lima sobre o áudio atribuído a Vorcaro pela Veja, Daniel Bialski, advogado do ex-banqueiro, disse que "nunca ouviu essa história".

A colunista também recebeu uma nota de outro advogado de Vorcaro, Sérgio Leonardo, na qual ele afirma que "a defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas."

Segundo Monica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, procuradores que acompanham o caso Vorcaro suspeitam que o áudio atribuído ao ex-banqueiro tenha sido gravado na prisão para ser usado contra Lula na campanha eleitoral.

Mano Ferreira afirma que o episódio apresenta "questões sem esclarecimento" e defendeu uma investigação, mas ressalta que as alegações devem ser vistas com cautela.

"Qualquer narrativa que parte de Daniel Vorcaro precisa ser lida com muita criticidade, porque é alguém que está, no fim das contas, buscando salvar a própria pele."

Daniela também comparou as alegações apresentadas pela revista com o caso do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, que recebeu pelo menos R$ 60 milhões de Vorcaro

"No caso do Dark Horse, há farto registro material, independente da palavra de Vorcaro. [...] Há provas, existem provas do pedido reiterado de dinheiro. [...] Todo esse caminho do dinheiro está documentado."

Para Thais Bilenky, "as reportagens publicadas pela revista Veja vêm com uma alta carga de intenção eleitoral por trás."

"A duas semanas do segundo turno, evidentemente isso tem um caráter, vamos combinar, para fazer parte do jogo eleitoral e influenciar a campanha."

Na opinião de Josias de Souza, a história precisa ser investigada rapidamente.

" A dúvida não orna com um processo político, com uma campanha presidencial. Tem que ser investigado por todas as razões, seja para desmontar uma eventual farsa, seja para incluir elementos novos numa investigação. Não é possível conviver com uma dúvida como essa."

A campanha de Flávio Bolsonaro foi questionada pelo UOL sobre as acusações da campanha de Lula, mas não respondeu até o envio desta newsletter.

Em evento de campanha no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro disse que a reportagem da Veja mostra que ele foi "injustiçado" quando houve o vazamento das mensagens de áudio em que ele pede dinheiro a Vorcaro e a posterior confirmação de que o ex-banqueiro destinou pelo menos R$ 60 milhões ao financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro.

"Com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado. Já com o filme do Lula, foi dinheiro por fora. Esse cara recebeu propina. Então o Bolsonaro pediu patrocínio, e o Lula pediu propina."

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Flávio nega cortes na Previdência e expõe ambiguidade de discurso econômico

 

Flávio Bolsonaro ao lado de Daniella Marques, uma das porta-vozes do candidato sobre temas econômicos

Flávio Bolsonaro ao lado de Daniella Marques, uma das porta-vozes do candidato sobre temas econômicos

Reprodução/Youtube



Asdrúbal Figueiró

O coordenador econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, Adolfo Sachsida, disse hoje que um eventual governo do candidato do PL irá "preservar" e "fortalecer" os programas sociais.

Sachsida também negou a intenção de privatizar a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e a Petrobras.

As declarações, em vídeo publicado no Instagram, foram feitas após a publicação pela Folha de S.Paulo de uma reportagem segundo a qual a equipe de Flávio Bolsonaro estuda corrigir o piso das aposentadorias e o valor do BPC apenas pela inflação, e não mais pelo reajuste do salário mínimo.

Hoje, o valor dos benefícios, pagos a cerca de 30 milhões de pessoas, é de R$ 1.621,00 por mês. Sem a equiparação ao salário mínimo, instituída pelo governo Lula em 2003, e apenas com a correção pelo INPC, o valor seria de R$ 740,00, menos da metade.

Segundo a reportagem, outra medida em estudo é acabar com a regra que vincula os orçamentos da saúde e educação ao comportamento das receitas federais.

"As propostas foram apresentadas por interlocutores da campanha do senador em encontros com empresários e agentes do mercado financeiro ao longo deste ano. Algumas foram informadas também à reportagem da Folha", diz o texto.

Após a publicação da reportagem, o candidato afirmou que, se eleito, manterá os reajustes das aposentadorias do INSS acima da inflação.

"Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil", disse Flávio Bolsonaro.

Para Mano Ferreira, as declarações de Flávio Bolsonaro e do coordenador econômico revelam uma contradição no discurso da campanha do filho de Jair Bolsonaro.

"Não tem como prometer responsabilidade fiscal e ajuste das contas de um lado e dizer que não vai tomar essas outras medidas do outro. A conta não fecha."

A "incoerência" também foi notada por João Paulo Charleaux, para quem a campanha tem o desafio de sinalizar ao mercado a disposição de realizar um ajuste fiscal sem assumir publicamente os impactos das medidas sobre a população.

"Quando isso sai na manchete do jornal, você tem o coordenador da área econômica vindo fazer o famoso 'veja bem'."

Graciliano Rocha nota que, no programa de governo do candidato registrado no TSE, não há menções a idade mínima, teto de benefícios ou à indexação das aposentadorias ao salário mínimo.

"A opacidade não é acidental. Desindexar o piso previdenciário, mexer em regras de aposentadoria (...) são medidas que custam votos, e nenhuma campanha anuncia a semanas de uma eleição apertada."