E de repente o povo do Maranhão amanheceu com um gosto amargo de
frustração - o deputado federal Duarte Jr., que vinha se preparando para
disputar uma vaga no Senado em 2026, viu seu projeto político ser interrompido
de forma abrupta, cruel e eivada de suspeitas de negociações espúrias.
*por Wilton Lima
O partido Avante, que abrigava a pré-candidatura de
Duarte Jr., anunciou decisão “definitiva e irrevogável”: não haverá candidatura
ao Senado, apenas espaço para sua reeleição à Câmara dos Deputados.
Para muitos maranhenses, Duarte representava a esperança de
renovação. Jovem, combativo e com atuação destacada na CPI do INSS, ele
se tornou símbolo de enfrentamento à corrupção e às velhas práticas políticas.
Mas bastidores revelam que sua postura firme teria incomodado caciques locais.
Há suspeitas de que articulações de nomes como Weverton
Rocha (PDT) e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) junto à direção
nacional do Avante teriam resultado no veto. O vice-governador Felipe
Camarão classificou o episódio como “violência política”, denunciando que o
povo foi privado de escolher livremente.
A frustração popular
Nas ruas de São Luís, Imperatriz e em grande parte do
interior do Maranhão, o sentimento é de desencanto. Eleitores que viam
em Duarte uma alternativa às oligarquias tradicionais se dizem traídos. “Não foi o povo quem
decidiu, foram os acordos de bastidores”, lamentou uma professora da capital.
A exclusão da candidatura de Duarte Jr. reforça a percepção
de que os interesses partidários ainda se sobrepõem à vontade popular,
adiando mais uma vez o sonho de mudança, não só do deputado, mas de todo o
Maranhão.
O peso da CPI
Duarte ganhou notoriedade nacional ao denunciar um esquema
bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Sua atuação
firme contra figuras influentes teria ampliado resistências. O episódio em que
seu voto favorável ao relatório da CPI foi desconsiderado por questões
regimentais é visto como sinal claro de isolamento político.
O “sonho adiado” de Duarte Jr. não é apenas uma
derrota pessoal. É também o retrato de um Maranhão que ainda luta para romper
com práticas políticas que sufocam a renovação. Para o povo, fica a sensação de
que a esperança foi mais uma vez sequestrada pelos acordos de cúpula.
O veto à candidatura de Duarte Jr. ao Senado não é
apenas um episódio partidário. É um retrato cruel da política maranhense, onde
os acordos de cúpula continuam a sufocar a vontade popular.
Duarte vinha se consolidando como voz firme contra
privilégios e corrupção, especialmente após sua atuação na CPI do INSS.
Mas sua ousadia teve um preço: incomodou caciques que, nos bastidores,
articularam para barrar sua ascensão. O Avante, pressionado, negou-lhe a
legenda para o Senado. O recado é claro: quem desafia o sistema paga caro.
A frustração que ecoa nas ruas não é apenas pela candidatura
perdida, mas pela sensação de impotência. Mais uma vez, o povo maranhense vê
seus sonhos adiados por decisões tomadas em gabinetes distantes, onde o cálculo
político vale mais que a esperança de mudança.
A violência política disfarçada
O vice-governador Felipe Camarão chamou o episódio de “violência
política”. E não há expressão mais adequada. Quando se impede que uma
candidatura competitiva chegue às urnas, não se está apenas barrando um nome:
está-se negando ao povo o direito de escolher.
O que fica
O Maranhão segue refém de práticas que se repetem há décadas.
Duarte Jr. simbolizava a possibilidade de ruptura, mas foi silenciado antes
mesmo de enfrentar o julgamento das urnas. O sonho foi adiado, e com ele a
esperança de muitos que acreditavam em renovação.
Este editorial não é sobre um homem apenas, mas sobre um
Estado inteiro que clama por mudança e vê, mais uma vez, sua voz abafada. O
desafio agora é saber se o povo maranhense aceitará a frustração como destino
ou se transformará essa indignação em força para exigir um futuro diferente.
O que resta
A disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026
promete ser um dos maiores desafios da carreira política de Duarte Júnior
(Avante). Diferentemente de eleições anteriores, o deputado federal deverá
carregar praticamente sozinho o peso eleitoral do partido no Maranhão, já que,
até o momento, o Avante não apresenta nomes de grande expressão para compor a
chapa proporcional.
A chance concreta de Duarte depende única e exclusivamente do eleitor, e se eleitor quiser pode dar uma grande resposta aos caciques da política que comandam o Maranhão há décadas - na prática, isso significa que, para ter uma chance concreta
de reeleição, o Avante precisaria alcançar algo entre 180 mil e 200 mil votos,
desempenho que, sem uma chapa competitiva, dependeria quase exclusivamente da
votação de Duarte Júnior.
Dessa forma, a estratégia do Avante, que curiosamente abriu mão de uma vaga no senado Federal, precisa agora construir, em torno do parlamentar, uma chapa mais muito forte ou, na ausência dela,
por uma votação histórica de Duarte Júnior, em um patamar semelhante ao
alcançado por Josimar de Maranhãozinho, Eduardo Braide e Detinha nas últimas
eleições proporcionais.
A decisão é do eleitor!!!
*Wilton Lima é
servidor público de carreira, jornalista, blogueiro, radialista e apresentador
de Podcast, com formação em Administração Pública e Pós-graduado em Gestão
Pública (UEMA) e Assessoria de Comunicação pela Ufma.