sexta-feira, 8 de maio de 2026

Lula têm encontro amigável com Trump, e tarifaço deverá ser rediscutido

 

Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto


Carolina Juliano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu ontem o presidente Lula em Washington para um encontro que o norte-americano definiu como 'muito produtivo'. Em sua rede social, Trump chamou Lula de "muito dinâmico" e disse que os dois discutiram diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. Lula também classificou a reunião, que durou cerca de três horas, como "muito produtiva" e disse ter proposto a Trump a criação de um grupo com as equipes econômicas dos dois países para debater o fim do tarifaço em até um mês. O que norteou a conversa, segundo o presidente brasileiro, foi a reaproximação dos dois países e a retomada das relações diplomáticas e comerciais. Ele teria dito a Trump que os Estados Unidos se afastaram dos países da América Latina, o que permitiu a aproximação maior com a China, mas que queria que ele entendesse que o Brasil é um importante parceiro dos EUA. Outros pontos que foram discutidos:

  • Exploração de minerais críticos: O presidente disse que discutiu com Trump o potencial do Brasil na exploração de terras raras e citou o projeto de regulamentação da exploração aprovado na quarta pela Câmara. Ele disse ainda que não veta a participação dos Estados Unidos, e de nenhum outro país, na exploração de minerais brasileiros, mas que deixou claro que o Brasil não será um "mero exportador" e que quer que o Brasil seja o grande ganhador "dessa riqueza que a natureza nos deu".
  • Segurança e combate ao tráfico de drogas: Lula disse que não discutiu com Trump a designação do CV e do PCC como organizações terroristas, mas que os dois falaram sobre o combate ao crime organizado e ao narcotráfico. O brasileiro disse a Trump que propôs a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, envolvendo países da América Latina e, possivelmente, outras nações, e que se os EUA quiserem compartilhar e participar "estarão convidados".
  • Atuação das big techs: O presidente disse que falou para Trump que plataformas de qualquer país podem operar no Brasil, desde que sigam a "regulamentação soberana" brasileira.
  • Conflitos internacionais: Lula falou que abordou as atuais guerra que ocorrem no mundo na conversa e deixou claro que, para o governo do Brasil, a diplomacia é a principal ferramenta para resolver conflitos, além de reforçar a sua oposição a soluções militares.

Lula tem vitória diplomática ao debater tarifaço com Trump na Casa Branca

 

Trump e Lula durante encontro na Casa Branca nesta quinta-feira

Trump e Lula durante encontro na Casa Branca nesta quinta-feira

Ricardo Stuckert/Divulgação



Roger Modkovski

O presidente dos EUA, Donald Trump , disse que teve uma reunião "muito produtiva" com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O americano disse que comércio e tarifas foram assuntos, e que outros encontros devem ser agendados nos próximos meses. Lula, por sua vez, disse que será criado um grupo para discutir o fim do tarifaço.

Para o jornalista Ricardo Kotscho, a reunião de hoje, a portas fechadas, foi uma vitória diplomática do governo Lula, depois de uma semana de más notícias. Segundo Kotscho, Lula mostrou hoje que seu governo "está longe de acabar".

Já a colunista Daniela Lima disse que, apesar de Lula não ter conseguido tudo que queria, a reunião está longe de ter sido um fiasco —e a promessa de reanalisar as tarifas em 30 dias foi uma conversa muito maior do que a prometida pela Casa Branca.

Ricardo Kotscho: Encontro com Trump foi vitória diplomática de Lula

Daniela Lima: Lula não sai com tudo que queria, mas foi longe de ser fiasco

Juca Kfouri: Lula acaba de ser reeleito

quinta-feira, 7 de maio de 2026

BOMBA!!! LÍDER DA EXTREMA DIREITA DO BRASIL É ALVO DA POLÍCIA FEDERAL

 

O senador Ciro Nogueira (PP-PI)

O senador Ciro Nogueira (PP-PI)

Reprodução

Operação da PF expõe relação explosiva entre Ciro Nogueira e Banco Master

Do UOL

A Polícia Federal realizou hoje buscas contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento ao Banco Master. A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, aponta que o parlamentar teria recebido cerca de R$ 18 milhões em vantagens indevidas em troca da defesa de interesses do banco em Brasília.

Segundo a PF, uma emenda apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante teria sido redigida pela assessoria do Banco Master antes de ser protocolada no Senado. Investigadores afirmam que o texto foi enviado por executivos do banco ao empresário Daniel Vorcaro, impresso e entregue em envelope destinado ao senador. Mensagens apreendidas mostram Vorcaro comemorando que a proposta "saiu exatamente como mandei".

 

A investigação também descreve pagamentos mensais que teriam começado em R$ 300 mil e depois subido para R$ 500 mil, além da compra de participação societária com forte deságio em favor de empresa ligada ao senador. A PF cita ainda o uso de imóvel de luxo, viagens internacionais, voos privados, hospedagens e despesas pessoais atribuídas a Ciro e a uma acompanhante. Em uma conversa incluída na decisão judicial, um assessor pergunta a Vorcaro se deveriam continuar pagando restaurantes de "Ciro/Flávia", e recebe resposta positiva do banqueiro.

 

A operação também prendeu temporariamente Felipe Vorcaro, apontado como operador dos repasses ao senador. Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo, Minas Gerais e Piauí. A defesa de Ciro Nogueira afirmou que acompanha o caso e busca acesso aos autos.

Leia mais.


Câmara aprova projeto que regulamenta exploração das terras raras no Brasil

 

Lula Marques/Agência Brasil


Carolina Juliano

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com incentivos governamentais bilionários a projetos de processamento e transformação que sejam realizados no país. O texto mira a exploração e transformação de minerais usados em IA, semicondutores e transição energética e prevê fundo garantidor de até R$ 2 bilhões e crédito tributário de até R$ 5 bilhões, além de maior controle do estado sobre empresas do setor. O projeto cria ainda o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, que irá deliberar sobre a liberação do fundo garantidor, destinado apenas a apoiar projetos considerados prioritários no âmbito da política nacional do setor. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China, que hoje detém o monopólio da produção de derivados destes minérios. O tema ganhou relevância internacional em meio à corrida global por minerais usados em tecnologias de baixo carbono e na digitalização da economia, e será pauta no encontro que Lula terá com Donald Trump hoje. Saiba mais.

Lula e Trump se encontram hoje, em Washington. O presidente Lula viajou para os Estados Unidos na tarde de ontem e é esperado no Salão Oval às 11h no horário local (12h de Brasília) pelo presidente norte-americano. A visita está sendo considerada como um encontro de trabalho, e segundo a colunista do UOL Mariana Sanches, deve depois se estender para um almoço na residência da presidência, com a presença de ministros e secretários dos dois países. Segundo a colunista, diplomatas brasileiros e auxiliares de Lula não acreditam que haja o risco de tentativas de constrangimentos públicos por parte de Trump, a exemplo do que ocorreu com outros líderes. Isso porque a popularidade do americano está em baixa por conta do conflito no Irã, e ele tem buscado agendas positivas, especialmente em assuntos comerciais e em exploração de minerais críticos, dois temas que estarão na mesa. Leia mais na coluna.


Lula encontra Trump à sombra da China: surpresas ou avanços para o Brasil?

 

Trump e Lula na Malásia em outubro. China é o fantasma por trás das demandas na reunião de agora

Trump e Lula na Malásia em outubro. China é o fantasma por trás das demandas na reunião de agora

Divulgação / Casa Branca



Roger Modkovski

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser recebido nesta quinta-feira (7) pelo colega americano Donald Trump. O encontro na Casa Branca ocorre dois meses depois do previsto, por conta da guerra com o Irã, que monopolizou as atenções do presidente dos EUA nas últimas semanas.

Para o professor de relações internacionais Leonardo Trevisan, o que está em jogo na reunião é a relação entre Brasil, EUA e China. Lula deve negociar tarifas e terras raras com o argumento de que o Brasil "tem outra porta para bater" —Pequim. Trump quer garantir espaço na América Latina, e Lula tem na relação com a China uma carta na manga para negociar, resume Trevisan.

A colunista Daniela Lima apurou que Lula escolheu quatro temas para debater com Trump: fim das sanções comerciais contra o Brasil, proposta para exploração de terras raras, regulamentação de plataformas digitais e vigilância sobre tráfico de armas. O ex-presidente preso Jair Bolsonaro e o Irã, frisa Daniela, a princípio estão de fora da pauta, mas Lula não fugirá dos temas caso eles surjam na conversa.

E a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, diz que o time diplomático do governo está percebendo "sinais tranquilizadores" vindos da equipe de Trump em relação ao encontro. Mariana Sanches explica que não deve ocorrer um "efeito Zelensky", em referência ao episódio em que Trump humilhou o presidente da Ucrânia.

Mariana Sanches: Casa Branca confirma encontro de Lula com Trump em Washington na quinta

Leonardo Trevisan: Trump quer vitória, e Lula precisa negociar sem ceder demais

Daniela Lima: Lula elege 4 temas para debater com Trump. Bolsonaro não está entre eles

Mônica Bergamo: Diplomacia vê sinais tranquilizadores da equipe de Trump para encontro com Lula

Mariana Sanches: Brasil não vê risco de 'efeito Zelensky' em visita de Lula a Trump

Josias de SouzaTeatralizar o encontro de Lula com Trump é um erro político

Janaína Figueiredo: Trump é o líder que mais desperta desconfiança na América Latina, mostra pesquisa

quarta-feira, 6 de maio de 2026

DE OLHO NA NOTÍCIA

 

Ton Molina - 24.set.25/FotoArena/Estadão Conteúdo

De olho no eleitor, Hugo Motta vai levar discussão do fim da 6x1 para os estados

Carolina Juliano

A comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a diminuição da jornada de trabalho definiu ontem que fará seminários sobre o tema pelo menos em três estados. Segundo o relator do caso, a iniciativa foi do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, com o argumento de aproximar o parlamento da população. A primeira audiência fora de Brasília será justamente na Paraíba, estado natal de Motta. O fim da escala de trabalho 6x1 acabou se tornando um tema disputado para ser utilizado como bandeira de campanha visando as eleições de outubro. A iniciativa vem ganhando apoio popular e o Legislativo trabalha para que a mudança seja feita via emenda constitucional e não por meio do projeto de lei enviado diretamente pelo Executivo. Além da Paraíba, o plano de trabalho apresentado ontem prevê seminários em Belo Horizonte e em São Paulo e analisa pedidos para encontros no Paraná, Bahia, Rio Grande do Sul e Maranhão. A pauta tramita em ritmo acelerado e a previsão é de que o relatório final seja apresentado à comissão no dia 20, após 12 sessões de discussão, e levado a plenário no dia 26. Veja o cronograma dos trabalhos.

Dólar fecha ao menor valor em mais de dois anos. A moeda norte-americana fechou em queda de 1,09% ontem, cotada a R$ 4,912, no menor valor desde 26 de janeiro de 2024. A queda, segundo analistas, reflete o enfraquecimento global do dólar frente a moedas de países emergentes e, internamente, os números repercutiram ainda a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central que definiu corte na taxa de juros na semana passada. O colegiado adotou um tom mais moderado e não indicou novos cortes diante das incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio. Os juros altos do Brasil atraem investidores estrangeiros. A Bolsa brasileira também se beneficiou deste cenário e subiu 0,62%.

BC destaca incertezas e não garante novos cortes da Selic. Na ata da reunião que cortou a taxa de juros na semana passada, o Banco Central classificou a decisão do corte de 0,25 ponto percentual como adequada para direcionar a inflação para o centro da meta, mas não confirmou a manutenção do ciclo de cortes diante das recentes incertezas geopolíticas. No documento divulgado ontem, o BC ressalta que o ambiente econômico ainda atravessa um "forte aumento da incerteza" devido à guerra no Irã. A ata ressalta que os efeitos do fechamento do Estreito de Hormuz refletem sobre a cadeia de suprimentos, nos preços das matérias-primas e impactam a inflação no Brasil.

PCC planejou se infiltrar no governo de SP para lavar dinheiro. Uma investigação da Polícia Civil revelou um plano da facção criminosa, articulado desde pelo menos 2021, para lavar dinheiro do tráfico e ampliar lucros por meio de uma instituição financeira própria, o 4TBank. O esquema visava infiltrar a facção no poder público para gerir verbas municipais e aproximar-se da cúpula do governo estadual. Um ex-vereador do município de Santo André foi preso e documentos indicam que ele intercedeu junto à Casa Militar para autorizar o pouso do helicóptero do dono da fintech do PCC no Palácio dos Bandeirantes, em março de 2022. Em mensagens, o vereador cita um suposto assessor do governo do estado como interlocutor do pedido e celebra o pouso autorizado. Nos documentos, aparecem nomes de ex-secretários da gestão João Doria e a polícia apura agora se houve cooptação ou se os suspeitos apenas "vendiam" uma influência que não possuíam. Leia mais sobre o caso.

Adolescente invade escola, mata 2 pessoas e deixa feridos no Acre. Um menino de 13 anos entrou atirando no Instituto São José, em Rio Branco, matou duas servidoras públicas e deixou alunos feridos. Segundo a polícia local, o adolescente teria utilizado a arma do padrasto, que é advogado, e por ser aluno da instituição não teve dificuldades para entrar no prédio. Ele acabou levado pela polícia e até a noite de ontem a suspeita da motivação é a de que ele agiu por ser vítima de bullying. O proprietário da arma também foi detido. De acordo com relatos, após os primeiros tiros e sem conseguir trocar o pente de balas, o jovem se entregou em um quartel da Polícia Militar nas proximidades da escola. As aulas na rede estadual de ensino foram suspensas por três dias. Leia mais.

Arsenal vence Atlético de Madri e vai à final da Champions. O Arsenal contou com o apoio da sua torcida e venceu o jogo de volta contra o Atlético de Madri por 1 a 0, garantindo uma vaga final da Liga dos Campeões após 20 anos de espera. Com o resultado conquistado ontem, os ingleses fizeram 2 a 1 no placar agregado da semifinal. Na ida, em Madri, os times empataram em 1 a 1. Saka abriu o placar para os donos da casa aos 44 minutos e depois disso os ingleses se fecharam e seguraram o resultado até o final. O Arsenal busca um título inédito, na única vez que chegou à decisão da Champions, na temporada 2005/06, acabou derrotado pelo Barcelona. O time aguarda agora o resultado do outro jogo, que será realizado hoje entre Bayern de Munique e PSG. Saiba como foi a partida.

50,5% dos brasileiros adultos têm dívidas em atraso. Desenrola desenrola?


Consumidores no Feirão Limpa Nome. Dívidas afetam rotina das famílias e são tema eleitoral em 2026

Consumidores no Feirão Limpa Nome. Dívidas afetam rotina das famílias e são tema eleitoral em 2026

Divulgação/Serasa


Roger Modkovski

O Brasil tem 82,8 milhões de inadimplenteso equivalente a 50,5% da população adulta do país, segundo estudo da Serasa divulgado nesta terça-feira (5). Inadimplente é quem tem dívidas em atraso, diferentemente do endividado, que ainda está conseguindo quitar os boletos.

O tema das dívidas está na boca do povo, pauta a campanha eleitoral e levou o governo federal a lançar ontem o programa Desenrola 2.0, para ajudar na renegociação de dívidas em atraso.

Veja se você pode renegociar sua dívida no Novo Desenrola Brasil

O economista Felipe Salto afirma que o Desenrola 2 tem elementos importantes, mas não será suficiente para resolver o problema de maneira estrutural. Para Salto, é necessário estudar os elevados spreads bancários praticados no país, que aprisionam as famílias a dívidas impagáveis.

José Paulo Kupfer vê o programa como "bom e necessário", mas insuficiente, fornecendo só um bem-vindo alívio imediato. Ele também alerta para o "risco moral" que se cria quando, ao perdoar dívidas, estimula-se o comportamento irresponsável do consumidor.

Para o economista Bernardo Guimarães, na Folha de S.Paulo, o Desenrola é uma gambiarra que pode ter o efeito de, no médio prazo, aumentar o endividamento e os juros. Ele defende o crédito barato como possível solução do problema.

Joanna Moura reflete sobre o crescente papel das bets no endividamento e afirma que é leviano querer tirar das apostas online o seu naco de responsabilidade no problema. Ela saúda o Desenrola 2.0 —uma "corda" lançada aos inadimplentes— mas prevê que ele não impedirá que o povão volte a afundar na areia movediça das dívidas.

E Mônica Bergamo, também da Folha, apurou que o governo deve ampliar em junho o Desenrola também para o endividado —aquele que, apesar de pagar as dívidas em dia, ainda assim está "enforcado" pelas suas obrigações financeiras.

Felipe Salto: Os spreads bancários e o Desenrola 2.0

José Paulo Kupfer: Sem atacar falhas estruturais, Desenrola 2.0 pode incentivar 'risco moral'

Bernardo Guimarães: Desenrola é gambiarra; crédito barato é solução?

Joanna Moura: Bets e a areia movediça do endividamento no Brasil

Mônica Bergamo: Governo deve lançar em junho Desenrola para 'enforcado' que paga dívida em dia

Mariana Barbosa: Alterações no cartão consignado sinalizam que produto não deve acabar

Aline Sordili: Inteligência artificial já é conselheira financeira em um país de endividados


GIRO PELO MUNDO

 

Embarcações no Estreito de Hormuz, perto de Bandar Abbas, Irã

Embarcações no Estreito de Hormuz, perto de Bandar Abbas, Irã

Amirhosein Khorgooi/Isna/Wana/via Reuters - 4.mai.2026

Tensão com guerra naval aumenta no estreito do petróleo

A guerra entre Estados Unidos e Irã fez do Estreito de Hormuz uma zona de combate e segue afetando os fluxos mundiais de petróleo. O governo Trump lançou a operação "Project Freedom" para escoltar navios-tanque. O governo dos EUA diz que seis embarcações e drones iranianos foram destruídos, o que o Irã nega, e o Irã respondeu com mísseis que atingiram o porto petrolífero de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

Teerã também expandiu unilateralmente suas "águas territoriais" para áreas próximas à costa dos Emirados, o que pressiona o frágil cessar‑fogo mediado por Paquistão e China. O ataque a Fujairah tem significado simbólico: segundo análise de Natasha Turak, da CNBC, grande parte das exportações de petróleo dos Emirados evita o estreito passando por esse porto; ao atingi‑lo, o Irã demonstrou que pode ameaçar rotas alternativas e impactar o mercado global.

 

Para contextualizar: o Estreito de Hormuz é responsável pelo trânsito de cerca de 20% do petróleo mundial. O conflito ocorre após meses de tensão crescente, com os EUA acusando o Irã de fornecer drones à Rússia e o Irã reclamando de sanções norte‑americanas. A escalada desta semana fez os preços do petróleo voltarem a disparar e levou governos europeus e asiáticos a apelarem por moderação.

Explosão mortal na "capital dos fogos de artifício" da China

 

Uma fábrica de fogos de artifício em Liuyang, província de Hunan, explodiu e deixou 26 mortos e 61 feridos. A cidade é conhecida por produzir cerca de 70 % dos fogos exportados pela China. O presidente Xi Jinping ordenou investigação, responsabilização dos donos e reforço da segurança. Equipes de resgate evacuaram moradores devido ao risco de novas explosões e 500 socorristas trabalharam durante a noite para conter o incêndio. O episódio reabre o debate sobre segurança industrial em um setor essencial para a economia local.

Carro avança sobre multidão em Leipzig

Na Alemanha, dois pedestres morreram e cerca de 20 pessoas ficaram feridas - três em estado grave - quando um carro dirigido por um homem de 33 anos avançou contra uma área de compras no centro de Leipzig. As vítimas fatais eram um homem de 77 anos e uma mulher de 63 anos. A polícia tratou o ato como "ataque deliberado" e deteve o motorista no local. O incidente ocorreu na rua Grimmaische, que liga a praça Augustusplatz ao mercado central, e obrigou lojas e restaurantes a fechar. Autoridades estaduais abriram investigação por homicídio e tentam esclarecer se houve motivação terrorista. O prefeito Burkhard Jung descreveu a situação como chocante e expressou solidariedade às famílias. O caso reacende debate sobre segurança em áreas de pedestres; em anos recentes, a Alemanha enfrentou ataques semelhantes em Berlim, Magdeburgo e outras cidades.

Surto de hantavirose em cruzeiro

Na costa atlântica, o navio de expedição MV Hondius interrompeu uma travessia entre a Argentina e Cabo Verde após a morte de três passageiros, incluindo um casal holandês, por suspeita de hantavirose. Outros três viajantes apresentaram sintomas e a Organização Mundial da Saúde confirmou ao menos um caso. A hantavirose é transmitida por contato com excrementos de roedores e não possui tratamento específico. Autoridades argentinas evacuaram os doentes em Buenos Aires, e as 132 pessoas a bordo passariam por triagem sanitária. Investigadores tentam descobrir se o vírus foi contraído no navio ou em excursões terrestres; até agora não há sinais de contaminação entre tripulantes.

 

Política indiana: BJP conquista Bengala Ocidental

O Partido do Povo Indiano (BJP), do primeiro‑ministro Narendra Modi, obteve vitória inédita na eleição estadual de Bengala Ocidental, encerrando décadas de domínio de partidos regionais. Com 44% dos votos, a legenda superou o Trinamool Congress de Mamata Banerjee e forças de esquerda. Analistas apontam que o BJP usou transferências em dinheiro e programas de bem‑estar para atrair mulheres e muçulmanos, base histórica do Trinamool, e que a revisão do cadastro eleitoral teria elevado o peso do eleitorado hindu. O resultado fortalece Modi antes das eleições gerais de 2027 e sinaliza avanço do nacionalismo hindu em estados até então refratários.

UE se aproxima da Armênia

 

União Europeia realizará seu primeiro cume com a Armênia em Yerevan. Reportagem do The Guardian informa que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, e o primeiro‑ministro português, António Costa, levarão uma missão de especialistas para ajudar o país a enfrentar ataques cibernéticos e campanhas de desinformação atribuídas à Rússia. O encontro também discutirá cooperação em energia e transporte. A influência russa na Armênia diminuiu desde a guerra de 2023 em Nagorno‑Karabakh, e o governo de Nikol Pashinyan tem buscado aproximação com o Ocidente.

 

Economia russa em crise afeta popularidade de Putin

O jornal El País analisou pesquisas do instituto estatal VTsIOM, do centro FOM e do independente Levada, que mostram a popularidade de Vladimir Putin caindo para cerca de 65,5 % no final de abril, abaixo dos mais de 74 % do início do ano. A queda estaria ligada à inflação e ao agravamento da crise econômica, não à guerra, segundo o sociólogo Denis Volkov. A percepção pública sobre a economia se deteriorou continuamente, e menos russos acreditam que o país esteja no caminho certo. O Kremlin teme protestos sociais e estuda medidas para mitigar o desgaste.

El Chapo comandava cartel da prisão

Outra exclusividade de El País revela que Joaquín "El Chapo" Guzmán, preso no presídio de segurança máxima ADX Florence, conseguiu driblar a vigilância e enviar recados aos filhos, líderes do Cartel de Sinaloa, por meio de seus advogados. Um relatório do Departamento de Prisões dos EUA, obtido pelo jornal, mostra que ele determinou pagamentos de drogas e ameaças a informantes, orientando atividades de tráfico e lavagem de dinheiro. O documento acusa parentes e advogados de facilitar as mensagens e conclui que os irmãos Ovidio, Ivan e Jesus Guzmán (os "Chapitos") continuam a gestão do cartel. Após a descoberta, o governo reforçou as restrições de comunicação do prisioneiro.

Paquistão emerge como mediador entre EUA e Irã

 

Em reportagem detalhada, o El País aponta que o marechal paquistanês Asim Munir, chefe do Exército, tem sido peça-chave na mediação entre Estados Unidos e Irã. O presidente Donald Trump creditou a ele e ao primeiro‑ministro paquistanês a extensão do cessar‑fogo no Golfo. Munir, considerado o verdadeiro poder em Islamabad, mantém boas relações com Teerã e Washington graças a seus cargos de inteligência e sua formação ocidental. Após a guerra de 2025 com a Índia, foi promovido a marechal e ganhou prestígio. O Paquistão também se beneficia de novos acordos com os EUA, incluindo participação em um fundo para reconstrução de Gaza e no desenvolvimento do hotel Roosevelt em Manhattan. Trump chegou a convidá‑lo para a Casa Branca, reforçando laços estratégicos.

 

Primária de Ohio testa influência de Trump

O estado de Ohio realiza hoje sua primária republicana para governador, com as urnas abertas das 6h30 às 19h30 locais. O favorito é o empresário Vivek Ramaswamy, apoiado por Donald Trump e com fundo de campanha de US$ 31 milhões, mas ele enfrenta o populista Casey Putsch, que arrecadou apenas US$ 9 mil. A empresária Heather Hill foi desqualificada, mas ainda consta na cédula. A disputa serve para medir a influência de Trump e abre caminho para as eleições gerais de novembro. Também ocorre uma primária especial para o Senado, já que o vice‑presidente J.D. Vance deixou a cadeira; o democrata Sherrod Brown é favorito para recuperar o posto. Os resultados serão divulgados na noite de terça‑feira.

Iniciativa Pax Silica: Noruega se junta à cadeia global de IA

 

O Semafor noticiou que a Noruega assinará a iniciativa "Pax Silica" para garantir cadeias de suprimentos de tecnologia de inteligência artificial e reduzir a dependência da China. O ministro do Comércio norueguês afirmou que o acordo dará às empresas do país melhor acesso às cadeias de valor avançadas. O conselheiro de segurança norte‑americano Jacob Helberg destacou que a adesão norueguesa é estratégica porque o país possui um dos maiores fundos soberanos do mundo e reservas de minerais cruciais para chips. A assinatura está prevista para amanhã em Washington. O movimento fortalece o eixo EUA‑Europa na disputa tecnológica global.

Met Gala 2026

 

Beyoncé, Anne Hathaway e Sabrina Carpenter lideraram os destaques fashion no tapete vermelho do Met Gala, em Nova York. O evento, cujo tema deste ano celebrava a era de ouro do cinema, contou com aparições de Rihanna e ASAP Rocky, Kylie Jenner e Naomi Osaka, entre outras celebridades. Como de costume, as roupas extravagantes e fotografias inundaram as redes sociais.

Bilionário indiano tenta salvar hipopótamos de Escobar

 

A "herança" animal mais controversa de Pablo Escobar - cerca de 200 hipopótamos descendentes de quatro animais trazidos ilegalmente à Colômbia - está no centro de uma disputa ecológica. A ministra do Meio Ambiente da Colômbia propôs abater 80 hipopótamos para proteger o ecossistema, após falharem tentativas de castração e realocação.

 

Segundo reportagem da BBC, o bilionário indiano Anant Ambani, herdeiro do conglomerado Reliance, ofereceu uma alternativa: levar parte dos hipopótamos para Vantara, seu parque de fauna no estado de Gujarat, como parte de um esforço de conservação. A proposta prevê uma translocação "cientificamente guiada" e depende da aprovação do governo indiano. Ecologistas lembram que espécies invasoras, como esses hipopótamos ou as pítons birmanesas na Flórida, causam danos irreversíveis aos ambientes nativos.

Caso do leite de bebê envenenado

Na Áustria, a polícia prendeu um homem de 39 anos acusado de contaminar potes de papinha da marca HiPP com veneno de rato para extorquir 2 milhões de euros. Cinco potes adulterados foram recuperados em Áustria, República Tcheca e Eslováquia antes que fossem consumidos, mas um sexto ainda não foi encontrado. O suspeito foi detido no estado de Burgenland, e a empresa confirmou que o e‑mail de extorsão chegou a uma caixa pouco usada e só foi lido após o prazo. O caso provocou alerta nas redes de supermercados e aumentou a vigilância sobre alimentos infantis.