sábado, 5 de setembro de 2009

TRABALHO ESCRAVO

TRABALHO ESCRAVO
Fiscalização liberta trabalhadores que forneciam carvão para a produção de ferro-gusa

Agência Brasil
BRASÍLIA - Um dia depois da Comissão Pastoral da Terra (CPT, ligada à Igreja Católica) divulgar relatório sobre a violência no campo no primeiro semestre – e o coordenador da comissão, Dirceu Fumagalli, apontar o Pará como estado mais violento e o setor de minério de ferro como um dos responsáveis pelos conflitos – fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego resgataram 11 trabalhadores explorados em situação análoga à de escravos na produção do carvão usado nos altos fornos de siderúrgicas.

Os trabalhadores foram encontrados em uma carvoaria próxima à localidade de Gravatá, no município de Eldorado dos Carajás (sudeste do Pará). Segundo o ministério, os trabalhadores, que reaproveitavam madeira extraída sem licença da Secretaria de Meio Ambiente do estado, não tinham carteira do trabalho assinada e não usavam equipamento de proteção individual para prevenção de acidentes.

Conforme o auditor fiscal Benedito Lima, que coordenou a ação, os trabalhadores dormiam em alojamento erguido por eles próprios, feito com madeira e palha de babaçu. “Não havia instalações sanitárias. As pessoas bebiam a água também usada por animais”, relata o auditor. O carvão produzido nessas condições era fornecido para alguma siderúrgica instalada na região de Marabá. “Está sendo investigada qual”, afirmou Lima. A Polícia Federal também está procurando o dono da carvoaria, que fugiu do local.
As siderúrgicas usam o carvão para alimentar os altos fornos que a 1.500 graus Celsius transformam o minério de ferro extraído na região em ferro-gusa, exportado para a fabricação de lâminas de aço. Com a crise econômica internacional, as exportações de ferro fundido do Pará despencaram. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações do estado caíram mais de 60% na comparação de janeiro a julho de 2009 com o mesmo período no ano passado.

Para a socióloga Eleonor Palhano, professora da Universidade Federal do Pará, a crise econômica agrava as condições de exploração do trabalho na região. “A Amazônia não está deslocada desse contexto internacional”. Para ela, é fundamental “entender como o capital avança na região” e cria “formas de excluir, e não de incluir”.

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