segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para discutir a crise na Venezuela

 

Jim Watson e Federico Parra/AFP


Carolina Juliano

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reúne na manhã de hoje em um encontro extraordinário convocado pela Colômbia para discutir o ataque dos Estados Unidos à Venezuela no último sábado, com a captura do presidente Nicolás Maduro. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou no sábado que considera a ação dos EUA um "precedente perigoso". O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, disse ao Conselho de Segurança que os EUA violaram a Carta de fundação da ONU, chamou a ação comandada por Trump de "guerra colonial", e afirmou que o ataque tem como objetivo pilhar os recursos naturais do país, "incluindo as maiores reservas de petróleo do mundo". O governo brasileiro declarou que o Brasil irá participar da reunião, e o presidente Lula repudiou os ataques e disse que os bombardeios e a prisão de Maduro e sua esposa "ultrapassam uma linha inaceitável".

UE pede respeito à vontade do povo venezuelano para país sair da crise. Um dia após os Estados Unidos atacarem a Venezuela e capturarem Nicolás Maduro, a União Europeia divulgou uma declaração pedindo respeito à vontade do povo venezuelano. O documento, apoiado por 26 Estados-membros — todos, exceto a Hungria —, pediu "calma e moderação por parte de todos os atores, para evitar uma escalada e garantir uma solução pacífica para a crise". "Respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo a única forma de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual", disse o comunicado. Para a UE, Maduro não tem legitimidade democrática. O texto pede a libertação de opositores de seu regime e faz um apelo por respeito ao direito internacional. Leia mais.

Maduro comparecerá hoje perante juiz nos EUA. Um tribunal federal dos Estados Unidos anunciou ontem que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comparecerá diante de um juiz do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, para ser notificado formalmente das acusações apresentadas contra ele. Maduro é acusado pela Justiça norte-americana de crimes de narcotráfico e terrorismo, e sob essas alegações foi capturado em Caracas no sábado ao lado de sua esposa, Cilia Flores. A secretária de Justiça do governo Donald Trump disse que o casal e outras quatro pessoas responderão por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína nos EUA, porte de armas de fogo e conspiração para portar armas de fogo. A acusação inclui também o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e Nicolás Ernesto Maduro, filho do presidente venezuelano.

 

Vice de Maduro recebe apoio de militares e é ameaçada por Trump. Após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o poder em Caracas se reorganizou ao redor da vice, Delcy Rodríguez, que obteve respaldo das Forças Armadas do país para seguir no poder. O governo norte-americano inicialmente demonstrou ter aceitado a vice como nova governante do país e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se disse aberto a negociar com a ela. Donald Trump, no entanto, ameaçou Delcy Rodríguez, e disse que "se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito caro, provavelmente maior do que o de Maduro". No sábado, Trump havia dito que os EUA governariam a Venezuela com o objetivo de abrir a indústria petrolífera do país à exploração de empresas americanas.

Brasil e aliados de esquerda criticam tentativa de Trump de se apropriar de recursos da Venezuela. Os governos do Brasil, da Espanha e de um grupo de países governados por líderes da esquerda na América do Sul publicaram uma nota na qual rechaçam a operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai dizem estar preocupados com tentativas de "controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos". Para esses países, qualquer ação nesse sentido é incompatível com o direito internacional e representa uma ameaça à estabilidade regional. Os governos também dizem que a crise na Venezuela precisa ser resolvida "exclusivamente por meios pacíficos" e pedem respeito às decisões do povo venezuelano. Leia mais.

Nenhum comentário: