A eleição presidencial começa a ganhar contornos mais nítidos, mas longe de qualquer desfecho previsível. Entre disputas internas na direita, movimentos táticos do centrão, riscos institucionais envolvendo o Banco Master e leituras divergentes das pesquisas, o dia foi marcado por análises que apontam um cenário aberto, tenso e cheio de armadilhas. A seguir, o que dizem nossos colunistas. Reinaldo Azevedo sustenta que descartar Tarcísio de Freitas da disputa presidencial é um erro grave — tanto para adversários quanto para aliados. Embora o governador de São Paulo sinalize foco na reeleição, ele permanece como alternativa viável caso a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro entre em colapso. O colunista analisa a estratégia do clã Bolsonaro, especialmente a lógica de Eduardo Bolsonaro, para quem até a derrota pode ser politicamente funcional. No pano de fundo, Reinaldo alerta o governo Lula: a crença de que basta bons resultados econômicos para garantir vitória ignora o peso das turbulências políticas e institucionais. O jogo segue aberto, e vence quem errar menos. Daniela Lima mostra que, apesar dos bons números de Tarcísio em simulações de segundo turno, o centrão considera irreversível, neste momento, a candidatura de Flávio Bolsonaro. Avaliações internas indicam que o governador "perdeu o timing" ao não se afirmar como líder natural da direita. Ainda assim, o apoio a Flávio segue em compasso de espera: sem sinais de que ele possa ampliar seu eleitorado além do bolsonarismo fiel, partidos preferem priorizar a eleição de bancadas, de olho no fundo eleitoral. O resultado é um cenário de indefinição calculada. Leonardo Sakamoto aprofunda o foco no caso Banco Master, destacando a prisão temporária de Fabiano Zettel, aliado e suposto testa de ferro de Daniel Vorcaro. Para o colunista, a eventual delação do dono do banco tem potencial explosivo muito maior do que casos recentes envolvendo o bolsonarismo, pois atravessa governo, oposição e mercado. Ele aponta a atuação de políticos e instituições que, segundo sua análise, estariam tentando esvaziar investigações e evitar uma delação que escancararia como grandes interesses financeiros moldam o poder no país. A Polícia Federal, afirma, precisa ir até o fim. José Paulo Kupfer vê como encenação a reunião que tentou apresentar "convergência absoluta" entre TCU e Banco Central no processo de liquidação do Banco Master. Para ele, o encontro não restabeleceu a segurança jurídica e apenas disfarçou um grave atropelo institucional. O colunista alerta que a interferência do TCU além de sua jurisdição ameaça a independência do Banco Central e mantém abertos riscos regulatórios sérios. Sem reforço claro de limites legais, diz, a porta continuará aberta para novas investidas que fragilizam o sistema financeiro. Alexandre Borges lê a pesquisa Genial/Quaest como um sinal ambíguo para Lula. Embora o presidente lidere todos os cenários, os índices elevados de rejeição e desaprovação indicam fragilidade. Para o colunista, não há vantagem confortável, sobretudo em segundo turno. Ele destaca a segurança pública como o principal calcanhar de Aquiles do governo e alerta que o medo é um poderoso motor eleitoral. Com a campanha ainda distante, Borges conclui: o favoritismo existe, mas qualquer sensação de tranquilidade é ilusória. Em resumo, a sucessão presidencial continua indefinida; a direita está fragmentada, o centrão calcula cada passo, e o governo enfrenta riscos políticos e institucionais que vão além da economia. Nada está decidido, e a disputa promete ser menos sobre certezas e mais sobre erros evitados. |
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