Os protestos que começaram entre comerciantes de Teerã se espalharam por mais de cem cidades do Irã, impulsionados por inflação elevada, crise energética e colapso do poder de compra. Para Wálter Maierovitch, trata-se de uma revolta social sem liderança, o que reduz drasticamente as chances de mudança política. O colunista explica que a ausência de figuras capazes de organizar a insatisfação favorece a repressão do regime teocrático, sustentado por uma Guarda Revolucionária numerosa, disciplinada e ideologicamente coesa. Sem apoio internacional viável e sob apagões de internet e comunicações, a tendência, avalia, é de contenção violenta da revolta. No Brasil, Marco Antonio Sabino chama atenção para o risco de o cansaço operar como mecanismo de sobrevivência institucional. Ao mesmo tempo em que defende a permanência do caso Banco Master no centro do noticiário, ele critica o rápido esvaziamento do escândalo do INSS, apesar da gravidade das denúncias e do volume de recursos desviados de aposentados. Para o colunista, a diferença de tratamento expõe como certos temas desaparecem das manchetes antes de serem devidamente compreendidos, permitindo que responsabilidades políticas se diluam enquanto a rotina segue quase intacta. Essa distância entre evidências, ação política e resposta do Estado aparece, sob outro ângulo, no texto de Alexandre Borges sobre segurança pública. Ele critica a decisão do governo Lula de não criar um Ministério da Segurança Pública e vê no cálculo político um erro estratégico. Num país com dezenas de pastas ministeriais, sustenta, tratar a violência urbana como tema secundário ignora a principal preocupação do eleitor e abre espaço para adversários num cenário eleitoral ainda longe de ser confortável para o Planalto. O debate sobre responsabilização institucional ganha contornos concretos na coluna de Leonardo Sakamoto. Enquanto o hacker Walter Delgatti avança para o regime semiaberto, o Brasil aguarda a decisão da Justiça italiana sobre a extradição de Carla Zambelli, apontada como mentora da operação. Sakamoto destrincha os adiamentos, os pareceres favoráveis à extradição e a tentativa da defesa de transformar crimes comuns em perseguição política. Para o colunista, o desfecho tende a ser menos espetacular do que a fuga e mais revelador do funcionamento banal da Justiça. |
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