quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Irã: revolta sem rumo político

 

Manifestantes incendeiam veículos em protesto contra a crise cambial em Teerã

Manifestantes incendeiam veículos em protesto contra a crise cambial em Teerã

Reuters


Irineu Machado, do UOL

Os protestos que começaram entre comerciantes de Teerã se espalharam por mais de cem cidades do Irã, impulsionados por inflação elevada, crise energética e colapso do poder de compra. Para Wálter Maierovitch, trata-se de uma revolta social sem liderança, o que reduz drasticamente as chances de mudança política. O colunista explica que a ausência de figuras capazes de organizar a insatisfação favorece a repressão do regime teocrático, sustentado por uma Guarda Revolucionária numerosa, disciplinada e ideologicamente coesa. Sem apoio internacional viável e sob apagões de internet e comunicações, a tendência, avalia, é de contenção violenta da revolta.

No Brasil, Marco Antonio Sabino chama atenção para o risco de o cansaço operar como mecanismo de sobrevivência institucional. Ao mesmo tempo em que defende a permanência do caso Banco Master no centro do noticiário, ele critica o rápido esvaziamento do escândalo do INSS, apesar da gravidade das denúncias e do volume de recursos desviados de aposentados. Para o colunista, a diferença de tratamento expõe como certos temas desaparecem das manchetes antes de serem devidamente compreendidos, permitindo que responsabilidades políticas se diluam enquanto a rotina segue quase intacta.

 

Essa distância entre evidências, ação política e resposta do Estado aparece, sob outro ângulo, no texto de Alexandre Borges sobre segurança pública. Ele critica a decisão do governo Lula de não criar um Ministério da Segurança Pública e vê no cálculo político um erro estratégico. Num país com dezenas de pastas ministeriais, sustenta, tratar a violência urbana como tema secundário ignora a principal preocupação do eleitor e abre espaço para adversários num cenário eleitoral ainda longe de ser confortável para o Planalto.

O debate sobre responsabilização institucional ganha contornos concretos na coluna de Leonardo Sakamoto. Enquanto o hacker Walter Delgatti avança para o regime semiaberto, o Brasil aguarda a decisão da Justiça italiana sobre a extradição de Carla Zambelli, apontada como mentora da operação. Sakamoto destrincha os adiamentos, os pareceres favoráveis à extradição e a tentativa da defesa de transformar crimes comuns em perseguição política. Para o colunista, o desfecho tende a ser menos espetacular do que a fuga e mais revelador do funcionamento banal da Justiça.

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