Mas em que pese a gravidade do resultado negativo do atual julgamento para o governo (que Trump promete driblar usando opções do Representante Comercial da Casa Branca, que são mais morosas e limitadas), o histórico da Suprema Corte até agora não apenas é amplamente favorável a Trump como viabilizou boa parte de sua agenda de governo. Entre os mais de 20 casos de interesse do governo na Corte em 2025, a vontade de Trump prevaleceu em pelo menos 80% deles. A Corte determinou, por exemplo, que juízes federais ao redor do país não tinham autoridade para dar decisões liminares que interrompessem em todo o território nacional ordens executivas do presidente, podando uma das maiores ferramentas da oposição neste segundo mandato de Trump. Quando o tema foi imigração, a Corte abriu caminho para que os agentes do ICE (Agência de Imigração e Controle de Alfândega, na sigla em inglês) usassem características raciais e étnicas para justificar a abordagem de pessoas nas ruas dos EUA - algo que nenhum departamento de polícia do país jamais pode fazer. E liberou que Trump enviasse deportados de terceiros países para o Sudão do Sul, que enfrenta uma profunda crise humanitária em um contexto de guerra civil. Em outro processo, os juízes garantiram ao presidente o direito de cassar o status temporário de migração humanitária de mais de meio milhão de venezuelanos, haitianos, cubanos e nicaraguenses, que passaram a estar sujeitos à deportação imediatamente. E sustentaram a decisão da Casa Branca de enviar forças do ICE e da Patrulha de Fronteira para operações de deportação em massa na Califórnia, algo que não acontecia antes da chegada de Trump no poder e que se repetiu em outros Estados, como Minessota. Na frente administrativa, o Tribunal autorizou que Trump desmantelasse boa parte da estrutura do governo federal, que ele chama de "deep state". Garantiu que o presidente podia levar a cabo demissões em massa de funcionários federais em cerca de 20 agências e órgãos (em um processo que levou à extinção da USAID). Para isso, Trump chegou a criar o Departamento de Eficiência Governamental, o DOGE, inicialmente chefiado pelo bilionário Elon Musk. Em assuntos identitários e educacionais, a Suprema Corte ainda autorizou Trump a banir pessoas trans das Forças Armadas do país e a obrigar cidadãos americanos a incluir em seus passaportes o sexo de nascimento, conforme nos registros natais, mesmo que a pessoa tenha feito transição de gênero. O Tribunal também assegurou o direito do governo de cortar US$65 milhões em treinamentos previamente autorizados para professores em temas como "igualdade" e "diversidade". A Corte já indicou também que deve sustentar leis estaduais que banem atletas transgêneros de competições esportivas, algo que o próprio presidente já defendeu publicamente. Em questões orçamentárias, os magistrados ainda permitiram que Trump interrompesse pagamentos emergenciais de benefícios alimentares durante o shutdown do país, o que deu ao republicano poder de pressão sobre os democratas no Congresso para que aprovassem o orçamento federal, em novembro do ano passado. E permitiu que o republicano congelasse US$4 bilhões em assistência internacional, apesar da aprovação do Congresso para o uso do dinheiro. |
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