quinta-feira, 26 de março de 2026

GIRO PELO MUNDO: Guerra no Irã. Caso Epstein.

 

Navios cargueiros no Golfo, perto do Estreito de Hormuz

Navios cargueiros no Golfo, perto do Estreito de Hormuz

Reuters

Trump envia plano de paz ao Irã enquanto manda paraquedistas ao Oriente Médio

Irineu Machado, do UOL

O governo Trump enviou ao Irã, pela mão discreta do Paquistão, um plano de paz de 15 pontos. As exigências são conhecidasdesmantelamento nuclear, entrega do urânio enriquecido, redução do programa de mísseis e — uma novidade decisiva — o fim do financiamento ao Hezbollah e aos houthis. Em troca, o levantamento das sanções.

 

A TV estatal iraniana classificou a proposta como "excessiva" e "irracional" e anunciou sua rejeiçãoTeerã apresentou cinco condições próprias, entre elas reparações de guerra e o reconhecimento internacional de sua soberania sobre o Estreito de Hormuz.

Nos bastidores, porém, o quadro é outro. Altos funcionários iranianos confirmaram à agência Reuters que o Irã enviou uma resposta inicial a Washington e continua analisando a proposta. O diretor da AIEA, Rafael Grossi, sinalizou que negociações podem ocorrer no fim de semana em Islamabad e sugeriu que um acordo poderia envolver apenas uma "pausa" no enriquecimento de urânio — não o desmantelamento total que Teerã jamais aceitaria publicamente.

 

Trump declara que os iranianos "querem muito fazer um acordo". Ao mesmo tempo, autoriza o envio de milhares de paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada para o Oriente Médio — unidade especializada em tomar infraestruturas críticas em território hostil, o que alimenta rumores sobre uma possível operação na Ilha de Kharg, coração das exportações de petróleo iraniano.

Em Israel, a taxa de interceptação de 92% impressiona menos quando se considera o que os outros 8% significam: mísseis iranianos atingiram áreas civis em Dimona, cidade que abriga instalação nuclear sensível. O esgotamento progressivo dos caros interceptadores israelenses começa a pesar. Israel respondeu com seu primeiro ataque no Mar Cáspio, bombardeando o porto de Bandar Anzali para desmantelar uma rota de contrabando de munições e drones Shahed entre Rússia e Irã. Teerã, por sua vez, disparou mísseis contra Diego Garcia, no Oceano Índico — o ataque mais distante já tentado pelo regime, que fez soar alarmes em chancelarias europeias.

O tráfego no Estreito de Hormuz — por onde passa 20% do petróleo mundial — caiu 90%. Refinarias asiáticas pagam até US$ 160 por barril que consiga desviar da região. O CEO da Shell alertou para risco de escassez de combustíveis na Europa já em abril.

Com a aprovação em queda para 36% —piso histórico do governo Trump—, pressionada pelo preço da gasolina, a Casa Branca tomou uma decisão que seus próprios aliados chamam de paradoxal: aliviou temporariamente as sanções sobre o petróleo iraniano, permitindo a venda de 140 milhões de barris. A medida pode render US$ 14 bilhões a Teerã enquanto os bombardeiros americanos sobrevoam o país.

 

A Human Rights Watch e outros pesquisadores documentaram o uso de fósforo branco por Israel em áreas civis no sul do Líbano, verificando imagens geolocalizadas que mostram a explosão dessas munições sobre zonas residenciais na cidade de Yohmor. O uso do armamento em áreas civis é apontado como violação das leis de guerra: o fósforo branco inflama ao contato com o oxigênio, atinge até 800 °C e causa queimaduras gravíssimas. Um levantamento independente registrou cerca de 250 usos por Israel — 39% em áreas residenciais e 44% em terrenos florestais. A tática já queimou mais de 2.000 hectares, supostamente para destruir esconderijos do Hezbollah, comprometendo a fertilidade do solo. As Forças de Defesa de Israel pediram cautela, sugerindo que os rastros visuais podem ser confundidos com granadas de fumaça comuns.

No parlamento israelense, o projeto de lei que institui a pena de morte na forca para prisioneiros palestinos condenados por terrorismo avançou para votação final. Impulsionada pelo partido de extrema-direita Otzma Yehudit, do ministro Itamar Ben-Gvir — que chegou a exibir um broche em formato de corda de forca —, a legislação permite que as execuções sejam aplicadas por tribunais militares na Cisjordânia, por maioria simples, sem pedido formal da promotoria e sem direito a apelação, devendo ocorrer em até 90 dias após a condenação. A ONU e a União Europeia exigiram a retirada do projeto, classificando-o como discriminatório e alertando que o enforcamento constitui tortura sob o direito internacional. Vale lembrar que a pena capital é historicamente excepcional em Israel: foi aplicada pela última vez contra Adolf Eichmann, em 1962.

O recuo de Trump à ameaça de destruir as usinas elétricas do Irã resultou de pressão direta das monarquias árabes do Golfo, relata reportagem da agência Reuters. Após o ultimato americano de 48 horas para a reabertura do Estreito de Hormuz, Teerã avisou as capitais do Golfo, via intermediários, que responderia com "retaliação ilimitada" — e que os mísseis iranianos teriam como alvo as vitais instalações de energia e dessalinização dos próprios vizinhos árabes. O temor de serem arrastados para um conflito no qual não consentiram levou esses governos a pressionarem Washington com força. O episódio expôs as limitações militares dos EUA na região e evidenciou que a capacidade iraniana de escalar o conflito de forma assimétrica funciona como um eficiente mecanismo de dissuasão.

Jeffrey Epstein em foto do registro de criminosos sexuais do Estado de Nova York, de 2017

Jeffrey Epstein em foto do registro de criminosos sexuais do Estado de Nova York, de 2017

Imagem distribuída pela Reuters

Sobreviventes de Epstein rompem o silêncio

Cinco mulheres abusadas pelo financista Jeffrey Epstein concederam entrevista conjunta à BBC — a primeira vez que se reuniram publicamente. Uma delas, Joanna Harrison, decidiu falar após ter sua identidade acidentalmente exposta na liberação de milhões de arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA. "Era minha maneira de tentar respirar", disse.

Chauntae Davies revelou fotos inéditas de uma viagem à África no jato particular de Epstein, na qual estavam presentes a cúmplice Ghislaine Maxwell, o ator Kevin Spacey e o ex-presidente Bill Clinton. Davies relatou ter feito uma massagem em Clinton durante uma parada em Portugal, mas afirmou nunca ter pensado em denunciar os abusos a ele, questionando se o ex-presidente teria feito algo para impedi-los. Clinton nega ter presenciado qualquer abuso.

 

A ex-modelo Lisa Phillips relatou que uma amiga foi supostamente instruída por Epstein a ter relações sexuais com o Príncipe Andrew em 2003. Ao ser questionado sobre o motivo, Epstein teria sorrido e respondido: "Eu gosto de ter coisas contra as pessoas." Andrew foi preso em fevereiro de 2026 sob suspeita de má conduta em cargo público, por supostamente ter compartilhado informações confidenciais com Epstein.

As sobreviventes descreveram o Rancho Zorro, no Novo México, como um lugar "assustador" onde a maioria das agressões ocorria — relatos que levaram o estado a reabrir uma investigação criminal sobre a propriedade. Todas foram unânimes em rejeitar a versão oficial de suicídio de Epstein na prisão, em agosto de 2019.


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