O governo Trump enviou ao Irã, pela mão discreta do Paquistão, um plano de paz de 15 pontos. As exigências são conhecidas: desmantelamento nuclear, entrega do urânio enriquecido, redução do programa de mísseis e — uma novidade decisiva — o fim do financiamento ao Hezbollah e aos houthis. Em troca, o levantamento das sanções. A TV estatal iraniana classificou a proposta como "excessiva" e "irracional" e anunciou sua rejeição. Teerã apresentou cinco condições próprias, entre elas reparações de guerra e o reconhecimento internacional de sua soberania sobre o Estreito de Hormuz. Nos bastidores, porém, o quadro é outro. Altos funcionários iranianos confirmaram à agência Reuters que o Irã enviou uma resposta inicial a Washington e continua analisando a proposta. O diretor da AIEA, Rafael Grossi, sinalizou que negociações podem ocorrer no fim de semana em Islamabad e sugeriu que um acordo poderia envolver apenas uma "pausa" no enriquecimento de urânio — não o desmantelamento total que Teerã jamais aceitaria publicamente. Trump declara que os iranianos "querem muito fazer um acordo". Ao mesmo tempo, autoriza o envio de milhares de paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada para o Oriente Médio — unidade especializada em tomar infraestruturas críticas em território hostil, o que alimenta rumores sobre uma possível operação na Ilha de Kharg, coração das exportações de petróleo iraniano. Em Israel, a taxa de interceptação de 92% impressiona menos quando se considera o que os outros 8% significam: mísseis iranianos atingiram áreas civis em Dimona, cidade que abriga instalação nuclear sensível. O esgotamento progressivo dos caros interceptadores israelenses começa a pesar. Israel respondeu com seu primeiro ataque no Mar Cáspio, bombardeando o porto de Bandar Anzali para desmantelar uma rota de contrabando de munições e drones Shahed entre Rússia e Irã. Teerã, por sua vez, disparou mísseis contra Diego Garcia, no Oceano Índico — o ataque mais distante já tentado pelo regime, que fez soar alarmes em chancelarias europeias. O tráfego no Estreito de Hormuz — por onde passa 20% do petróleo mundial — caiu 90%. Refinarias asiáticas pagam até US$ 160 por barril que consiga desviar da região. O CEO da Shell alertou para risco de escassez de combustíveis na Europa já em abril. Com a aprovação em queda para 36% —piso histórico do governo Trump—, pressionada pelo preço da gasolina, a Casa Branca tomou uma decisão que seus próprios aliados chamam de paradoxal: aliviou temporariamente as sanções sobre o petróleo iraniano, permitindo a venda de 140 milhões de barris. A medida pode render US$ 14 bilhões a Teerã enquanto os bombardeiros americanos sobrevoam o país. A Human Rights Watch e outros pesquisadores documentaram o uso de fósforo branco por Israel em áreas civis no sul do Líbano, verificando imagens geolocalizadas que mostram a explosão dessas munições sobre zonas residenciais na cidade de Yohmor. O uso do armamento em áreas civis é apontado como violação das leis de guerra: o fósforo branco inflama ao contato com o oxigênio, atinge até 800 °C e causa queimaduras gravíssimas. Um levantamento independente registrou cerca de 250 usos por Israel — 39% em áreas residenciais e 44% em terrenos florestais. A tática já queimou mais de 2.000 hectares, supostamente para destruir esconderijos do Hezbollah, comprometendo a fertilidade do solo. As Forças de Defesa de Israel pediram cautela, sugerindo que os rastros visuais podem ser confundidos com granadas de fumaça comuns. No parlamento israelense, o projeto de lei que institui a pena de morte na forca para prisioneiros palestinos condenados por terrorismo avançou para votação final. Impulsionada pelo partido de extrema-direita Otzma Yehudit, do ministro Itamar Ben-Gvir — que chegou a exibir um broche em formato de corda de forca —, a legislação permite que as execuções sejam aplicadas por tribunais militares na Cisjordânia, por maioria simples, sem pedido formal da promotoria e sem direito a apelação, devendo ocorrer em até 90 dias após a condenação. A ONU e a União Europeia exigiram a retirada do projeto, classificando-o como discriminatório e alertando que o enforcamento constitui tortura sob o direito internacional. Vale lembrar que a pena capital é historicamente excepcional em Israel: foi aplicada pela última vez contra Adolf Eichmann, em 1962. O recuo de Trump à ameaça de destruir as usinas elétricas do Irã resultou de pressão direta das monarquias árabes do Golfo, relata reportagem da agência Reuters. Após o ultimato americano de 48 horas para a reabertura do Estreito de Hormuz, Teerã avisou as capitais do Golfo, via intermediários, que responderia com "retaliação ilimitada" — e que os mísseis iranianos teriam como alvo as vitais instalações de energia e dessalinização dos próprios vizinhos árabes. O temor de serem arrastados para um conflito no qual não consentiram levou esses governos a pressionarem Washington com força. O episódio expôs as limitações militares dos EUA na região e evidenciou que a capacidade iraniana de escalar o conflito de forma assimétrica funciona como um eficiente mecanismo de dissuasão. |
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