quinta-feira, 5 de março de 2026

VALE A PENA LER "TUDINHO" NOS MÍNIMOS DETALHES!!! O banqueiro e a morte do sicário.

 

Arte: Marcelo Chello

Daniel Vorcaro foi de banqueiro a fraudador bilionário a mafioso chefe de milícia. Descobriram que o banqueiro tinha um sicário, com apelido de Sicário, e ordens para quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim, moer a empregada e dar um sacode no chef de cozinha. Tudo planejado num grupo de zap chamado A Turma. E era uma turma do barulho: eles conseguiram hackear a PF, o Ministério Público e até a Interpol. O sicário, de apelido Sicário, também foi preso hoje. Ele atendia pelo nome de Luiz Phillipe Moraes Mourão e tentou se matar assim que foi preso. E conseguiu. Sim, o sicário morreu menos de 12 horas depois de ter sido preso. O que será que Sicário levou com ele? De que outro sicário o Sicário tinha medo? E estamos nós aqui tendo que dar essas notícias. (Já começo a achar que passamos a praticar o jornalismo fantástico.)

O que sabemos até agora de certeza mesmo é que os dentes do Lauro Jardim seguem intactos (ele garantiu que sim). Não sabemos se a Monique, que é a empregada, foi moída ou não. Tampouco sabemos se o chef de cozinha virou purê. E ainda queremos saber se, diante da morte de Sicário, vão suicidar o Vorcaro também. Porque o Vorcaro está todo trabalhado no “Alô, polícia, eu tô usando um Exocet!!!!!”

Meia República e meia está preocupada com o Exocet de Vorcaro….

Ok, vamos às explicações para os perdidos. Exocet é aquela palavrinha mara na letra da Kátia Flávia (se você não é dos anos 80, corre dar um Google) que fazia um trocadilho com um míssil francês famoso da época, usado na guerra das Malvinas. Já sicário é uma palavra usada para designar um assassino de aluguel ou matador profissional.

Outros detalhes fantásticos:

A Turma ganhava um milhão de reais por mês para monitorar seus adversários e, segundo a polícia, atuava de forma violenta. O cunhado do Vorcaro, o tal pastor Zettel, era quem fazia os pagamentos. Nas conversas do grupo, reproduzidas na decisão do supremo André Mendonça ao mandar prender Daniel Vorcaro hoje, também apareceram jornalistas.

A determinada altura, o sicário disse que dividia o dinheiro com os meninos, com DCM e mais dois editores. Segundo reportagem da Folha, a polícia investiga se DCM é o site Diário do Centro do Mundo. O DCM nega veementemente que a sigla seja uma referência ao site e nega que tenha recebido dinheiro. Argumenta que faz matérias críticas contra Vorcaro, logo não faria sentido receber o dinheiro.

A mesma alegação — a de que faz matérias críticas — foi usada por Diego Escosteguy, dono do site O Bastidor. Reportagem de Malu Gaspar, de O Globo, conta que a defesa de Daniel Vorcaro soube antes da prisão (como assim? a turma era boa mesmo) e teve acesso ao processo que corria sob sigilo na Justiça Federal. Para poder agir, Vorcaro teria passado a informação para o site de Diego e, assim que ele publicou, usou a reportagem para pedir um habeas corpus antes mesmo de sair a ordem de prisão. A polícia também investiga pagamentos de 2 milhões para o site de Diego. O jornalista afirma que eram apenas relações comerciais normais de um site — ou seja, publicidade — de datas anteriores. E que a publicação da informação era um esforço de reportagem.

Mas não acabou…

A polícia também descobriu que Vorcaro tinha um grupo de zap com dois chefes da área de fiscalização do Banco Central. A galera dava maior consultoria para Vorcaro. E ainda rolava até guia especial na Disney.

E depois da primeira prisão…

A decisão de André Mendonça também mostra que, depois de ser solto, Vorcaro seguiu escondendo dinheiro dos credores do Master na conta do pai. Parece que tinha mais de 2 bi lá.

Vamos relembrar

Vorcaro foi preso em novembro quando tentava ir para Dubai depois de anunciar um plano esquisito de que a Fictor ia comprar o Banco Master. No mesmo dia em que foi preso, o Banco Central liquidou o Master. Um buraco de 50 bilhões de reais. De repente, o caso foi parar no Supremo nas mãos de Dias Toffoli, que começou a tomar um monte de decisões pouco usuais no caso. Descobriu-se que Toffoli era dono de um resort, o Tayayá, e que o tal resort tinha tido em algum momento um fundo de Vorcaro como sócio — fundo que esteve envolvido também no escândalo da Reag, investigada por suposta lavagem de dinheiro do PCC. Teve ainda a descoberta de que a esposa de Xandão tinha um contrato de 130 milhões de reais com o Banco Master. Foi aquele bafafá no Supremo, que terminou com Toffoli saindo do caso e André Mendonça assumindo.

Junto com esse rolê, o Centrão em peso teme o que pode acontecer. Antes de ser preso, o que estávamos vendo era uma pressão do Congresso para que Vorcaro fosse depor na casa. Até agora Davi Alcolumbre, a estrela mor do Senado, não quis instalar uma CPI. Vários fundos de pensão de servidores estaduais botaram dinheiro no Master. O dinheiro virou pó. Um desses fundos era do Amapá, administrado por aliados de Alcolumbre.

E assim caminhávamos em meio a fraudes, a governos do Centrão que tentaram salvar o Vorcaro (oi, BRB), a notícias de influenciadores contratados para atacar o Banco Central e agora à notícia do braço violento da organização. Agora é milícia? Máfia?

A maior fraude bancária do país só surpreende a cada dia.

O fator PGR

E o supremo André Mendonça meio que deu uma bronca na Procuradoria-Geral da República porque ela não quis se manifestar em tão pouco tempo sobre a nova prisão de Vorcaro. A jornalistas, em off, os procuradores dizem que não era assim tão urgente, dado que as mensagens do zap da Turma eram de junho e desde então o Lauro seguia com os dentes intactos.

E olha isso aqui, que curioso

No meio desse mukovuco, eis que a revista Oeste (sim, aquela de direita) publicou uma lista curiosa dos parlamentares que estavam na agenda do celular do Vorcaro. São 18 deputados, todos do Centrão, do PL ou do Novo. Achei a informação curiosa. Significa que todos os parlamentares tinham esquema com Vorcaro? Claro que não. Só significa que ele tinha uma boa entrada no meio político. E alguns nomes são bem importantes — do tipo Arthur Lira, Hugo Motta, Nikolas Ferreira…

E por falar nisso…

O ministro Dino suspendeu a quebra do sigilo bancário da empresária amiga do Lulinha na CPI do INSS. Não foi do Lulinha, não se confunda. Foi da empresária. Mas a galera já acha que isso sinaliza que logo vão suspender também a quebra do sigilo do Lulinha. Dino disse que suspendeu por conta da história de se votar a quebra de 87 sigilos de uma vez só. Mas disse que nada impede que a comissão vote de novo, desta vez seguindo outro rito. Vamos ver no que vai dar.

E o Hugo tentando mudar de assunto

A Câmara dos Deputados acabou de aprovar o relatório da PEC da Segurança Pública. Ficou sem o sistema de segurança pública único e sem a mudança da maioridade criminal.

Os bad guys, dia 5

A guerra no Irã continua. Um submarino americano atacou e afundou um navio do Irã. O primeiro-ministro espanhol continua dizendo que é sem sentido. E a novidade foi o ministro da Defesa de Trump dizendo que eles mataram o líder da unidade secreta que planejava matar Trump. Gente do céu. Que mundo é esse?

Acorda, BRASEW, que o Nikolas está querendo roubar nosso slogan.


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