O PT chega ao começo da campanha eleitoral de 2026 com sua maior taxa de rejeição (37%) e sua menor taxa de simpatizantes (27%) dos últimos ciclos eleitorais. O saldo negativo de dez pontos percentuais é inédito para um ano eleitoral desde 2018. Os dados são do Ipsos-Ipec (antigo Ibope). Dez pontos percentuais podem não parecer muito, mas equivalem a 15 ou 16 milhões de eleitores. Entre o final do segundo mandato de Lula e o começo do primeiro mandato de Dilma Rousseff, ou seja, entre 2010 e 2012, o PT experimentou sua maior taxa de preferência partidária. Chegou a 33%, ou um terço do eleitorado. Nessa época, o Ibope não media rejeição aos partidos. Em 2018, com Lula preso e Fernando Haddad como candidato a presidente, o PT recuperou parte do que havia perdido entre os protestos de 2013, a Lava Jato e o impeachment de Dilma, e voltou a 29% de simpatizantes. É também o primeiro registro da quantidade de eleitores que rejeitavam o partido: 29%. Ou seja, durante a eleição em que Jair Bolsonaro derrotou Haddad no segundo turno presidencial, o PT tinha zerado seu saldo de preferência menos rejeição. Quatro anos depois, na eleição de 2022, o PT voltou a registrar um saldo positivo: 31% dos eleitores declararam simpatia pelo partido ao ver sua sigla na cartela do sucessor do Ibope (então chamado apenas Ipec), enquanto 22% rejeitavam a legenda. Saldo de 9 pontos percentuais. Lula derrotou Bolsonaro nessa eleição. O que isso significa para as chances de reeleição de Lula em 2026? Mostra que a rejeição alta do presidente (48%) guarda relação com o aumento da rejeição ao PT. Não dá para dizer o que é causa e o que é consequência, mas uma certamente influencia a outra. Do mesmo modo, do outro lado da moeda, a liderança de Lula na pesquisa de intenção de voto espontânea (26% contra 16% de Flávio Bolsonaro, segundo o Datafolha) também está correlacionada aos 27% de preferência partidária do PT. Hoje, o PT segue com mais simpatizantes que o PL dos Bolsonaro: 27% a 19%. A taxa atual de 27% de simpatia é mais alta do que era na reta final da eleição presidencial de 2014, quando a preferência pelo PT oscilou entre 13% e 16% (dados do Ibope). Mesmo assim, Dilma conseguiu se reeleger. É certo, porém, que após a eleição, o PT perdeu ainda mais popularidade, chegou a um recorde negativo de 11% de preferências em 2016 e não conseguiu impedir o impeachment de Dilma. Daqui até a urna em 4 de outubro, tanto a taxa de simpatia quanto a de rejeição ao PT devem variar ao sabor da economia e da campanha eleitoral. E elas devem influenciar possivelmente mais a taxa de sucesso dos candidatos a deputado do PT do que de Lula. O presidente é maior do que seu partido, tanto em simpatizantes quanto em opositores. |
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