quinta-feira, 30 de abril de 2026

Em derrota histórica para o governo, Senado rejeita Messias para o STF

 

Gabriela Biló/Folhapress



Carolina Juliano

O advogado-geral da União Jorge Messias foi rejeitado na noite de ontem pelo Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal em uma derrota histórica para o governo. Messias foi indicado pelo presidente Lula à vaga deixada pelo ex-ministro José Roberto Barroso, que se aposentou no fim do ano passado, mas desde o princípio seu nome sofreu rejeição no Senado, principalmente do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que defendia Rodrigo Pacheco para a vaga. O nome de Jorge Messias foi rejeitado por 42 votos a 34 após ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, na qual o AGU foi sabatinado por mais de 8 horas. A votação em plenário foi secreta. Saiba mais.

  • Planalto culpa Alcolumbre por rejeição a Messias. A reprovação da indicação de Jorge Messias para o STF caiu como uma bomba no Palácio do Planalto, segundo reportagem de Lucas Borges Teixeira. O governo atribui a derrota à articulação de Davi Alcolumbre. Messias foi aprovado na CCJ, mas a movimentação contrária começou a ser sentida no meio da tarde. Quando o AGU ainda estava sendo sabatinado, senadores da base passaram a ser informados que Alcolumbre estava se movimentando contra a aprovação desde terça-feira e que a base não chegaria aos 42 votos. Interlocutores do presidente Lula ouvidos pela colunista da Folha Mônica Bergamo afirmaram que a relação do governo com Alcolumbre está agora comprometida de forma definitiva .
  • Veto à indicação de Messias é o primeiro em 132 anos. O Senado não rejeitava uma indicação para o Supremo desde 1894. A última ocorrência do tipo foi registrada durante a passagem do marechal Floriano Peixoto pela Presidência da República. À época, cinco indicações de Peixoto foram barradas pelo Congresso. Em um dos casos, o indicado até assumiu a vaga, mas teve de deixar o cargo depois. Isso porque a regra da época previa que o indicado assumisse como ministro antes da aprovação do nome pelo Senado. Saiba mais.
  • Governo vê traição do MDB e prevê exonerações. Horas depois da derrota no Senado, o presidente Lula e aliados mapearam traições na votação que rejeitou o nome de Jorge Messias para o STF. No encontro realizado no o Palácio da Alvorada, integrantes do governo e aliados identificaram dissidências no MDB e no PSD. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, além da interferência de Davi Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para a vaga. Moraes teria se oposto a uma nova correlação de forças na corte, uma vez que Messias teria contrariado ministros ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal. Com a rejeição do Senado, cabe agora ao presidente Lula enviar nova indicação.

Congresso analisa hoje veto de Lula ao PL da Dosimetria. Em meio à crise entre Executivo e Legislativo instaurada com a rejeição de Jorge Messias ao STF, o Congresso Nacional realiza hoje sessão conjunta para analisar vetos presidenciais e vai votar a rejeição do presidente Lula ao projeto que reduz as penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. O Congresso aprovou o chamado PL da Dosimetria em dezembro de 2025, mas Lula vetou integralmente a medida e agora deputados e senadores também podem derrubar o veto presidencial. Para isso, são necessários os votos favoráveis de 257 deputados e 41 senadores. Quando foi votado em plenário, o PL teve 291 votos na Câmara e 48 no Senado, por isso a tendência é que o governo sofra nova derrota hoje. O projeto beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro

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