quarta-feira, 6 de maio de 2026

50,5% dos brasileiros adultos têm dívidas em atraso. Desenrola desenrola?


Consumidores no Feirão Limpa Nome. Dívidas afetam rotina das famílias e são tema eleitoral em 2026

Consumidores no Feirão Limpa Nome. Dívidas afetam rotina das famílias e são tema eleitoral em 2026

Divulgação/Serasa


Roger Modkovski

O Brasil tem 82,8 milhões de inadimplenteso equivalente a 50,5% da população adulta do país, segundo estudo da Serasa divulgado nesta terça-feira (5). Inadimplente é quem tem dívidas em atraso, diferentemente do endividado, que ainda está conseguindo quitar os boletos.

O tema das dívidas está na boca do povo, pauta a campanha eleitoral e levou o governo federal a lançar ontem o programa Desenrola 2.0, para ajudar na renegociação de dívidas em atraso.

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O economista Felipe Salto afirma que o Desenrola 2 tem elementos importantes, mas não será suficiente para resolver o problema de maneira estrutural. Para Salto, é necessário estudar os elevados spreads bancários praticados no país, que aprisionam as famílias a dívidas impagáveis.

José Paulo Kupfer vê o programa como "bom e necessário", mas insuficiente, fornecendo só um bem-vindo alívio imediato. Ele também alerta para o "risco moral" que se cria quando, ao perdoar dívidas, estimula-se o comportamento irresponsável do consumidor.

Para o economista Bernardo Guimarães, na Folha de S.Paulo, o Desenrola é uma gambiarra que pode ter o efeito de, no médio prazo, aumentar o endividamento e os juros. Ele defende o crédito barato como possível solução do problema.

Joanna Moura reflete sobre o crescente papel das bets no endividamento e afirma que é leviano querer tirar das apostas online o seu naco de responsabilidade no problema. Ela saúda o Desenrola 2.0 —uma "corda" lançada aos inadimplentes— mas prevê que ele não impedirá que o povão volte a afundar na areia movediça das dívidas.

E Mônica Bergamo, também da Folha, apurou que o governo deve ampliar em junho o Desenrola também para o endividado —aquele que, apesar de pagar as dívidas em dia, ainda assim está "enforcado" pelas suas obrigações financeiras.

Felipe Salto: Os spreads bancários e o Desenrola 2.0

José Paulo Kupfer: Sem atacar falhas estruturais, Desenrola 2.0 pode incentivar 'risco moral'

Bernardo Guimarães: Desenrola é gambiarra; crédito barato é solução?

Joanna Moura: Bets e a areia movediça do endividamento no Brasil

Mônica Bergamo: Governo deve lançar em junho Desenrola para 'enforcado' que paga dívida em dia

Mariana Barbosa: Alterações no cartão consignado sinalizam que produto não deve acabar

Aline Sordili: Inteligência artificial já é conselheira financeira em um país de endividados


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