terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Maduro se declara inocente e diz ser presidente sequestrado da Venezuela

 

REUTERS/Adam Gray


Carolina Juliano

Nicolás Maduro compareceu ontem a um tribunal em Nova York após ter sido capturado pelos Estados Unidos no fim de semana. Ele e sua esposa, Cilia Flores, negaram as acusações feitas pelos Estados Unidos de envolvimento com o narcotráfico e se declararam inocentes durante a audiência de pouco mais de meia hora. Maduro entrou na sala com os tornozelos algemados e fones de ouvido, provavelmente para ouvir a tradução simultânea. Sua esposa estava sentada ao seu lado. Ao se identificar perante a corte, falou em espanhol que é o presidente da Venezuela e está ali sequestrado, além de se declarar inocente das acusações, como já era previsto. "Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente. Ainda sou presidente do meu país", afirmou. Ao sair do tribunal, Maduro declarou que é um prisioneiro de guerra. O juiz responsável pelo caso ordenou que o venezuelano retorne à corte no dia 17 de março para a segunda audiência do processo que, segundo a imprensa americana, pode demorar mais de um ano. Saiba mais.

Brasil, China e Rússia criticam na ONU a ação dos EUA. Representantes dos governos do Brasil, China e Rússia, entre outros países, criticaram o ataque dos Estados Unidos à Venezuela durante reunião do Conselho de Segurança (CS) da ONU que ocorreu ontem em Nova York. O representante do governo de Donald Trump, por outro lado, disse que se trata de uma operação policial e que "não há guerra". O embaixador do Brasil no Conselho de Segurança disse que o ataque à Venezuela afeta toda a comunidade internacional e cria um precedente perigoso para o mundo. "Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios", declarou. O Brasil tem assento no CS, mas não pode votar, apenas EUA, Rússia, França, Reino Unido e China têm esse direito. A China disse que os americanos "pisotearam a soberania venezuelana" e "colocaram seus poderes acima do multilateralismo". A Rússia exigiu a libertação imediata de Maduro.

 

Delcy Rodríguez é empossada como líder interina da Venezuela. Enquanto Nicolás Maduro comparecia perante um tribunal em Nova York, sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu como presidente interina da Venezuela. Diante dos deputados que acabavam de tomar posse, ela declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento "com pesar". O Supremo Tribunal venezuelano ordenou que Delcy assumisse o cargo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. Na cerimônia, ela afirmou que não irá descansar até ver a Venezuela como uma nação livre e independente e garantir a tranquilidade econômica e social do povo venezuelano. A embaixadora do Brasil na Venezuela compareceu à cerimônia sinalizando que Brasília reconhece Delcy como a líder interina do país vizinho.

Oposição na Venezuela teme novas ações de Trump e pressiona por eleições. O núcleo político de oposição a Nicolás Maduro e ligado a María Corina Machado, ganhadora do Nobel da Paz, comemorou a captura do presidente venezuelano, mas está incomodado com as falas de Donald Trump sobre o futuro do país. De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, esse grupo está estudando a Constituição da Venezuela para encontrar meios de realizar novas eleições presidenciais rapidamente. O documento atual prevê dois caminhos distintos para o caso de ausência de um presidente: no caso de ser uma 'ausência absoluta' - casos como impeachment do líder, incapacidade física e mental, morte ou destituição por decreto do Supremo - afirma que novas eleições devem ser realizadas dentro de 30 dias. Também há a possibilidade de uma "ausência temporária" do líder e, neste caso, o vice assumiria a Presidência por 90 dias, prorrogáveis por mais 90. Saiba mais.

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