segunda-feira, 29 de junho de 2026

A verdade sobre energéticos: muita cafeína, açúcar e energia que dura pouco

Colunista

As bebidas energéticas são consumidas tanto por quem quer ter energia, seja para trabalhar ou estudar, seja para render mais nos treinos, quanto por quem gosta da mistura com álcool. Os primeiros casos já exigem atenção, porque os energéticos concentram altas doses de cafeína e açúcar e, em excesso, podem causar palpitações e ansiedade. Quando o consumo é associado ao álcool, a combinação pode até ser fatal.

Não dá para negar que a bebida energética pode provocar uma sensação temporária de mais ânimo e até melhorar a concentração. O ideal é consumi-la ocasionalmente e em quantidades moderadas, preferindo sempre versões com menor teor de açúcar.

A seguir, veja o que realmente há dentro das famosas latinhas (ou garrafas PET).

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A análise dos rótulos mostra que os energéticos combinam diferentes substâncias estimulantes e aditivos. Esses compostos prometem aumentar a energia e a concentração, mas também podem intensificar os efeitos no organismo, principalmente quando consumidos em excesso.

A seguir, veja os principais componentes encontrados nas bebidas energéticas:

Cafeína: principal estimulante dos energéticos, aumenta o estado de alerta. Em excesso, pode causar insônia, ansiedade e aceleração dos batimentos cardíacos.

Açúcar: presente em grandes quantidades na maioria das versões, fornece energia rápida, mas eleva o risco de ganho de peso e de alterações na glicemia.

Taurina: substância produzida pelo organismo e adicionada às bebidas para potencializar o efeito energético.

Guaraná: ingrediente de origem vegetal que contém cafeína e pode reforçar o efeito estimulante.

Vitaminas do complexo B: participam do metabolismo energético e ajudam o corpo a transformar nutrientes em energia.

L-carnitina: associada ao uso de gordura como fonte de energia, comum em produtos voltados ao desempenho físico.

Ginseng: extrato vegetal ligado à sensação de disposição e vitalidade.

Aromatizantes, corantes e adoçantes: componentes utilizados para dar sabor, aparência e doçura à bebida, principalmente nas versões sem açúcar.

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Quantidade recomendada

Para adultos saudáveis, a recomendação é que o consumo diário de cafeína não ultrapasse 400 mg, considerando todas as fontes, como café, chás, refrigerantes e bebidas energéticas. Já para adolescentes, o limite máximo indicado é de 100 mg por dia.

Para efeito de comparação, uma lata de energético pode conter entre 80 mg e 200 mg de cafeína, dependendo da marca e do tamanho da embalagem. Uma xícara de café coado de cerca de 100 ml possui entre 60 mg e 80 mg, enquanto uma lata de refrigerante de cola (350 ml) tem aproximadamente 30 mg a 40 mg.

Por isso, é fácil ultrapassar a recomendação diária de cafeína ao longo do dia.

Quais são os riscos do consumo excessivo?

Nos últimos anos, pesquisas mostram que o consumo excessivo de energéticos pode causar palpitações, falta de ar, aumento da pressão arterial, insônia e ansiedade. O sistema nervoso também é afetado, provocando sintomas como tonturas, náuseas, tremores e irritabilidade. Quando o efeito estimulante passa, é comum surgir fadiga intensa, alterações de humor e dificuldade de concentração.

O consumo frequente pode gerar um ciclo de equilíbrio e cansaço, aumentando a necessidade de cafeína e açúcar, o que pode impactar a glicemia e a sensibilidade à insulina. Outros efeitos relatados são: dores de cabeça, diarreia e ganho de peso.

Alguns grupos devem ter atenção especial:

  • Crianças e adolescentes, que ainda estão com os sistemas cardiovascular e nervoso em desenvolvimento.
  • Gestantes e lactantes também entram nessa lista, devido aos possíveis impactos no bebê.
  • Pessoas com doenças cardíacas, pressão alta, diabetes ou transtornos de ansiedade podem apresentar sintomas mais intensos ao consumir esse tipo de bebida.

Energético e álcool: uma combinação perigosa

O consumo de energéticos com álcool tem se tornado cada vez mais comum entre jovens, impulsionado pelo sabor adocicado e pela facilidade de ingestão, que pode levar ao consumo mais rápido e em maior quantidade. No entanto, essa combinação aumenta o risco de acidentes e comportamentos de risco, como dirigir ou ter relações sexuais sem proteção.

Além disso, os efeitos da mistura no organismo são contraditórios: enquanto a cafeína acelera corpo e mente, o álcool atua como depressor do sistema nervoso central, mascarando a sensação de embriaguez e dificultando a percepção dos próprios limites.

A mistura também impacta diretamente o sistema cardiovascular, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Em situações mais graves, pode desencadear arritmias e até ataques cardíacos.

Fontes: Elaine Gomes da Silva, nutricionista do HU-UFSCar (Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos); Gardênia Pinheiro, nutricionista e docente no curso de nutrição da FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas); Thays Pomini, nutricionista, especialista em nutrição estética esportiva, nutrição fitoterápica e em genética e epigenética.

 

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