O Pix é citado 20 vezes pelo governo americano como um exemplo de prática comercial "irrazoável" no documento em que propõe tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras após investigações do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). José Roberto de Toledo comparou a acusação com o filme Dark Horse, dos Bolsonaro. "A acusação formal é tão verossímil quanto o orçamento do filme Dark Horse, ou ,O Pangaré: o sistema teria gerado "prejuízos e concorrência desleal" para as gigantes americanas de cartões e tecnologia." Ou seja, é Trump usando braço estatal da gringolândia para defender os interesses corporativos da Visa, Mastercard, Google Pay, PayPal e outras pequenas empresas em grandes negócios. José Roberto de Toledo Ele diz que comparou a acusação do governo Trump com os dados oficiais do Banco Central brasileiro de 2019 a 2025. "E o resultado é um vexame para a retórica de Washington." O Pix movimentou assustadores 35,3 trilhões de reais em 2025, e, nem assim, sufocou o mercado privado de cartões. Muito pelo contrário. O bolo total de cartões no Brasil saltou de 1,75 trilhão de reais em 2019 para 4,27 trilhões em 2025 — um crescimento nominal de 144%. O cartão de crédito sozinho foi de 1,06 trilhão para 3 trilhões de reais. E os cartões pré-pagos das fintechs explodiram de 22,4 bilhões para 319,3 bilhões de reais. José Roberto de Toledo Toledo afirma que os cartões saíram ganhando enquanto a verdadeira vítima é a carteira de dinheiro. "Sabe quem ganha taxas sobre cada plástico emitido por esses novos bancos digitais? Visa e Mastercard. O Pix acabou engordando o faturamento delas através da digitalização." A verdadeira vítima é a carteira de dinheiro. O Pix passou o rolo compressor sobre a moeda sonante. O volume de saques em dinheiro vivo nos caixas eletrônicos caiu de 3,31 trilhões de reais em 2019 para 2,01 trilhões em 2025. Foram 1,3 trilhão de reais que deixaram de ser sacados em espécie e viraram transação digital instantânea. O Pix tirou o brasileiro da fila do caixa eletrônico e bancarizou o país. E o batedor de carteira virou ladrão de celular. José Roberto de Toledo Ele questiona o motivo por trás do incômodo das empresas americanas. "Porque o incômodo gringo não é contábil; é sobre a arquitetura de poder. Trata-se do temor diante de um efeito de demonstração — o famoso 'mau exemplo'." O Pix provou que uma infraestrutura pública nacional pode oferecer pagamentos instantâneos, baratos e universais, reduzindo o espaço de intermediação privada em pagamentos cotidianos. Se o Brasil conseguiu, outros países podem copiar. José Roberto de Toledo Toledo continua e lista os quatro riscos estruturais, sendo eles Renda Futura: Mesmo sem perder volume agregado, o Pix estabelece um teto competitivo para as cobranças. Ele torna socialmente difícil justificar tarifas altas em pagamentos instantâneos simples. Não destrói o cartão de crédito, mas reduz o espaço de pedágio em pequenos comércios e transações do dia a dia. Controle da Interface: Quem domina o botão de pagamento domina os dados, a recorrência e a fidelidade do usuário. O Pix obrigou os bancos a colocarem o sistema público no centro do aplicativo. O incômodo americano é ver que um modelo estatal capturou a interface que, de outra forma, seria ocupada por carteiras privadas como Apple Pay ou Google Pay. Precedente Regulatório: O Brasil criou uma norma de interoperabilidade forçada. Para as empresas americanas, o perigo é a tese de que pagamentos digitais essenciais devem ser tratados como infraestrutura pública neutra, como uma estrada ou rede elétrica. Tanto é que o próprio Federal Reserve correu atrás criando o seu FedNow. Geopolítica Financeira: Reduzir a dependência de redes privadas estrangeiras e carteiras de Big Techs garante ao país soberania operacional. Isso incomoda Washington porque reduz a capacidade das empresas e do governo dos EUA de definirem padrões, preços e intermediação global. |
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