Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, respondeu a uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o tarifaço, reafirmando a posição do governo Donald Trump de apoiar a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros. Tive teve acesso ao documento, inicialmente publicado pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Flávio anunciou, em 2 de junho, o envio de uma carta em que pediu que a Casa Branca não aplicasse novas tarifas aos produtos brasileiros. No texto, o pré-candidato à presidência da República expressou "preocupação" com a adoção da medida, e citou dados da dívida pública e endividamento pessoal. "Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas infligiria sério dano ao povo brasileiro", escreveu. Ele também prometeu a Rubio que, se for eleito presidente, pretende concluir rapidamente um novo acordo comercial e de investimentos com os EUA, além de montar uma equipe de transição com o governo Trump. O pré-candidato ainda agradeceu o secretário de Estado pela classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. A resposta de Rubio veio nessa terça-feira (23). O secretário de Estado norte-americano destacou que a investigação que propôs as novas tarifas não ficaram a cargo dele, mas do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA, na sigla em inglês), e que "diferenças substanciais em relação à solução das irregularidades apontadas nesta investigação" permanecem, apesar de conversas com o governo do Brasil. Segundo o representante dos EUA, "são questões relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal". Rubio também falou sobre a audiência pública marcada para discutir o caso: "Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de consulta pública e da audiência aberta que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA organizará em 6 de julho". Flávio Bolsonaro se inscreveu para participar da audiência - ele deve falar na sessão do dia 7 de julho. Em cinco minutos, o pré-candidato pretende defender que o tarifaço benefeciará o atual governo, enquanto prejudicará "os exportadores brasileiros, os importadores americanos, os consumidores dos EUA e a oposição brasileira, que é a principal vítima doméstica da conduta em questão", segundo texto envio na inscrição. O jornalista Paulo Figueiredo disse à coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, que o senador fará uma "defesa efusiva do Pix" e proporá "uma negociação de boa fé com o Brasil" ao pedir a suspensão das tarifas.  Carta de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro sobre o tarifaço - Reprodução Tarifaço O USTR comandou uma investigação contra o Brasil, na chamada Seção 301, em que aponta práticas que considera "não razoáveis". Dentre elas estão supostos abusos do Judiciário, ameaças à liberdade de expressão, desmatamento ilegal, corrupção, pirataria e questões relacionadas a patentes. Para o órgão norte-americano, práticas do governo brasileiro restringem o comércio. Após a conclusão de uma primeira investigação, o USTR propôs a taxação de 25% sobre produtos brasileiros. Dias depois, uma segunda apuração levou à alocação de tarifas de 12,5% sobre a economia brasileira e de outros países. Segundo os EUA, assim como o Brasil, a União Europeia e parte da China falharam na adoção de práticas para banir a exportação de produtos vinculados ao trabalho forçado. O governo do presidente Lula (PT) divulgou uma nota em que classifica as novas tarifas como "injustificáveis", promete reciprocidade e culpa Flávio Bolsonaro pela decisão dos EUA. |
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