segunda-feira, 2 de março de 2026

Um mês sem álcool e os efeitos positivos para a saúde

Especialista explica que a experiência de ficar um mês sem álcool permite que o corpo retome processos fisiológicos que ficaram interrompidos.


Uma pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que cerca de 49% dos adultos brasileiros consomem bebidas alcoólicas e que 20% o fazem semanalmente. De acordo com o clínico geral e docente do Instituto de Educação Médica (IDOMED), Dantas Júnior, a pesquisa evidencia a presença do álcool no cotidiano nacional, principalmente após um período intenso de festividades de final de ano e com a chegada do carnaval. “Vivemos em um país onde o consumo de álcool é culturalmente valorizado, naturalizado e incentivado. Qualquer ocasião é motivo para o primeiro gole”, destaca.

Para o médico Dantas Júnior, tomar a iniciativa para mudar esse quadro é uma oportunidade positiva para desintoxicar o corpo e perceber melhorias na saúde. “Ficar um mês sem álcool permite que o corpo retome processos fisiológicos que ficam continuamente interrompidos nos consumidores frequentes. São melhorias que podem ser evidenciadas no sono, no humor, no peso, na função hepática e na pressão arterial”, relata.

Repensar hábitos

O médico explica que identificar com mais clareza os gatilhos de consumo e a necessidade de inverter essa realidade em prol da saúde é muito importante. “Para muitas pessoas, funciona como um primeiro alerta de dependência e a oportunidade de sair dela”, destaca o médico.

Para aqueles que desejam reduzir o consumo ou buscar ajuda para interromper o álcool, existem opções gratuitas como o CAPS AD (Álcool e Drogas) que oferece atendimento multidisciplinar pelo SUS e o Alcoólicos Anônimos, que ajuda pessoas que têm problemas com álcool a parar de beber e manter a sobriedade com tratamento baseado no apoio mútuo e em um programa estruturado em 12 passos.


SEGUNDOU!!! UM GIRO PELO MUNDO

 

Reprodução/Truth Social/@realDonaldTrump

Trump diz que ataques ao Irã vão durar até que os EUA atinjam seus objetivos

Carolina Juliano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou ontem a Guarda Revolucionária e a polícia do Irã e prometeu "imunidade total" àqueles que entregarem as armas ou "morte certa" aos que recusarem. Em pronunciamento publicado em suas redes sociais, Trump disse que os ataques ao país vão durar "o tempo que for necessário" e que só irão parar quando os Estados Unidos atingirem todos os seus objetivos. Ele sugeriu ainda que o povo iraniano "aproveite o momento" para mudar a situação política do país: "Sejam corajosos, sejam ousados, sejam heróis e recuperem o seu país. A América está com vocês", disse. Pouco antes de publicar o pronunciamento, Trump declarou ao jornal britânico Daily Mail que o conflito deve se arrastar pelas próximas quatro semanas.

 

Os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, de 86 anos. Khamenei morreu no escritório onde trabalhava, segundo a mídia estatal iraniana. Uma nota oficial do governo do país declarou que Khamenei representava um "modelo de fé, jihad e resistência" e disse que sua morte "jamais ficará impune".

Congressistas dos EUA querem limitar poder de guerra de Trump. Um dia após os ataques articulados com Israel que mataram o líder supremo do Irã, congressistas dos Estados Unidos pressionam pela votação de um projeto de lei que limitaria os poderes de guerra do presidente. O Congresso já tentou aprovar em janeiro um projeto chamado "Resolução de Poderes de Guerra" em decorrência das ações na Venezuela. O texto passou no Senado com apoio de alguns republicanos, mas acabou sendo rejeitado em votação na Câmara. A resolução é uma iniciativa bipartidária liderada por um deputado democrata e outro republicano. Os parlamentares dizem que o ataque americano no Irã é ilegal, já que não tinha autorização do Congresso. A Casa Branca informou na noite ontem que funcionários de alto escalão do governo apresentarão seus argumentos ao Congresso na terça-feira.

Atos bolsonaristas reúnem 20,4 mil em SP e 4,7 mil no RJ. Manifestantes se reuniram na avenida Paulista, em São Paulo, e na praia de Copacabana, no Rio, para protestar contra o presidente Lula e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF, e a favor da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A contagem de pessoas foi feita pelo Monitor do Debate Político da USP e do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common. Convocada em todo o país pelo deputado federal Nikolas Ferreira, o "Acorda, Brasil" teve a participação de pré-candidatos à Presidência da República, como o senador Flávio Bolsonaro e os governadores Romeu Zema (de Minas) e Ronaldo Caiado (de Goiás), de deputados federais e do pastor Silas Malafaia. Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro não participaram. Eles vêm sendo cobrados pela direita para dar apoio à pré-candidatura de Flávio ao Planalto.

Fluminense supera o Vasco e vai à final do Carioca. O Fluminense eliminou ontem o Vasco nas semifinais do Carioca e se classificou para a final. O avanço tricolor veio graças ao placar de 1 a 1, no Maracanã, já que o time tinha vencido na ida por 1 a 0. Robert Renan abriu o placar para o Vasco e Ganso foi o herói do Flu, convertendo um pênalti já aos 40 minutos do segundo tempo. O Fluminense agora aguarda o vencedor da outra semifinal, que ocorre hoje, entre Flamengo - que tem larga vantagem porque venceu o jogo de ida por 3 a 0 - e Madureira. Veja como foi a partida do Flu.

 

Palmeiras vence São Paulo e vai à final do Paulistão. O Palmeiras venceu o São Paulo por 2 a 1 ontem na Arena Barueri, com gols de Maurício e Flaco López. Calleri, de pênalti, diminuiu para o Tricolor. A partida ficou marcada por muita reclamação com a arbitragem de Daiane Muniz. O São Paulo reclamou muito de um pênalti não marcado no início do segundo tempo por bola na mão de Gómez. Do outro lado, Vitor Castanheira, auxiliar de Abel, foi até expulso por reclamar das marcações da árbitra. O Palmeiras fará a final contra o Novorizontino e será a sétima final de Paulistão seguida que o clube disputa; nas últimas seis edições, foram quatro títulos. Saiba como foi a partida.

Depois de Khamenei: o risco de um Irã mais militar e um mundo mais caro

 

Nuvens de fumaça sobem após ataques com mísseis em Teerã em 1º de março de 2026

Nuvens de fumaça sobem após ataques com mísseis em Teerã em 1º de março de 2026

ATTA KENARE/AFP


Irineu Machado, do UOL

morte do aiatolá Ali Khamenei e da cúpula militar iraniana não encerrou a crise no Oriente Médio, mas abriu sua fase mais imprevisível. Um conselho provisório tenta organizar a sucessão, enquanto o poder real se concentra na Guarda Revolucionária, que ampliou o conflito ao atacar Israel e países vizinhos e pressionar rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, com impacto imediato no petróleo e no comércio global.

Agora, a questão central não é mais o sucesso tático do ataque, mas se o regime irá ruir sob pressão ou se consolidar como uma ditadura ainda mais militarizada — e quanto custo o Ocidente e a economia mundial suportarão nesse processo.

 

Cúpula do regime como alvo: EUA e Israel lançaram no sábado, à luz do dia, a operação "Fúria Épica" contra Teerã. O aiatolá Ali Khamenei, 86, morreu; com ele, caíram nomes centrais do aparato militar e da Guarda Revolucionária.

Retaliação: O Irã respondeu com mísseis balísticos e drones contra Israel — ao menos nove civis morreram em um abrigo em Beit Shemesh (a 30 km de Jerusalém)— e, pela primeira vez neste conflito, atingiu bases americanas no Golfo, com três soldados dos EUA mortos.

 

Impacto na economia: O Estreito de Ormuz passou a ser tratado como zona insegura. Armadores suspenderam rotas, o petróleo do tipo Brent saltou 10% no balcão (para US$ 80) e o fechamento do espaço aéreo regional cancelou milhares de voos.

A aposta: Trump disse que busca mudança de regime, sem previsão de uso de tropas terrestres.

Transição improvisada: Um comitê provisório (presidente, chefe do Judiciário e um clérigo linha-dura) assumiu interinamente, prometendo "vingança severa".

O dia seguinte em Teerã

Khamenei comandava a República Islâmica desde 1989. Sua morte não é apenas a remoção de um líder: é a retirada do eixo que, por décadas, equilibrou o clero, a burocracia civil e o núcleo militar e de inteligência do regime. O ataque deixou de ser contenção e virou aposta na queda do regime. Ao bombardear o centro de Teerã, Washington e Tel Aviv transferiram o dia seguinte para quem restou de pé — a população e, principalmente, os militares.

Na Al Jazeera, Hassan Ahmadian, professor da Universidade de Teerã, analisa que a consequência imediata é uma guerra com menos freios. A "paciência estratégica" que definiu o modelo iraniano — sanções suportadas, milícias acionadas, custos externalizados — cede lugar a um protocolo de sobrevivência: elevar o preço regional e global da crise antes que o regime seja encurralado. "O Irã aprendeu uma dura lição com a guerra de junho de 2025: a contenção é interpretada como fraqueza", disse Ahamadian.

 

A ofensiva e a ampliação do teatro de guerra

A ofensiva contra a cúpula iraniana ocorreu por volta das 9h40 de sábado, no horário local de Teerã. O complexo residencial e de escritórios de Khamenei foi atingido por cerca de 30 bombas. As mortes confirmadas incluem Aziz Nasirzadeh (Defesa), Mohammad Pakpour (Guarda Revolucionária), Abdolrahim Mousavi (Estado-Maior) e Ali Shamkhani (conselheiro de segurança).

 

A retaliação veio em ondas. Israel foi alvo de mísseis e drones; em Beit Shemesh, um impacto direto em um abrigo antibombas matou ao menos nove pessoas e feriu dezenas.

Foi ao atingir o Golfo que o Irã alterou o alcance do confronto. Bases americanas em BahreinKuwaitQatar e Emirados Árabes Unidos foram atacadas. O Comando Central dos EUA confirmou três mortes e ferimentos graves em outros militares. Houve também vítimas civis, incluindo estrangeiros, em pontos atingidos nos Emirados e no Kuwait.

Há ainda um grave relato sob disputa: a imprensa estatal iraniana reporta que um bombardeio em Minab atingiu uma escola de meninas, matando cerca de 150 estudantes. A autoria e o balanço de vítimas não têm confirmação independente. Israel diz desconhecer operações no local, e os EUA afirmam investigar o caso.

Bastidores da decisão

A escolha do sábado para o ataque não foi casual.

O dado operacional. Segundo o New York Timesa CIA vinha rastreando Khamenei e identificou uma reunião presencial da cúpula em Teerã na manhã de sábado. A informação teria sido compartilhada com Israel, alterando o plano: de ataque noturno para ataque diurno, para maximizar a chance de eliminar vários líderes ao mesmo tempo.

Pressão política externa. O Washington Post relatou que Trump foi pressionado por Netanyahu e pelo príncipe saudita Mohammed bin Salman. O argumento: se os EUA não agissem com o arsenal já deslocado para a região, o Irã sairia maior do impasse.

O movimento prático ocorreu quando a diplomacia ainda estava em cena. O ataque veio dois dias após conversas em Genebra sobre o programa nuclear, encerrando a ficção de que havia um trilho de negociação minimamente estável.

Nos EUA, abriu-se outra frente: Trump ordenou a ofensiva sem autorização do Congresso. Democratas e uma ala libertária republicana falam em violação da Lei de Poderes de Guerra e prometem tentar impor uma votação de contenção.

O que isso significa: política, petróleo, guerra e riscos

 

Irã: sucessão formal, poder real. Um conselho interino — Masoud PezeshkianGholamhossein Mohseni Ejei e o clérigo Alireza Arafi — assume até a escolha de um novo líder pela Assembleia de Especialistas. Mas a transição formal é o enredo visível. O núcleo decisório tende a migrar para o que ainda opera com cadeia de comando: a Guarda Revolucionária e figuras de segurança como Ali Larijani, já em discurso de "sobrevivência nacional". A verdadeira ameaça desta transição não é a desintegração do país, mas sua militarização absoluta, cenário considerado possível por agências de inteligência dos EUA, segundo o New York Times.

Ormuz: interrupções no tráfego e reação dos mercados. O Estreito virou problema de seguro, rota e custo. Armadores como Maersk e Hapag-Lloyd suspenderam navegação. Com isso, o mercado reage antes da marinha: o petróleo do tipo Brent subiu 10% no balcão (para US$ 80 o barril) e a discussão, agora, é de elasticidade — quanto tempo o mundo aguenta antes de o preço romper US$ 100. A Opep+ anunciou aumento de 206 mil barris/dia na produção em abril para conter o pânico, mas isso mitiga volatilidade; não remove risco, de acordo com especialistas ouvidos pela agência Reuters.

 

Limites da defesa aérea e pressão sobre estoques. Israel mostrou capacidade, mas ataques de saturação produzem vazamentos. E mortes. Do lado americano, o gargalo não é só resposta: é estoque de interceptadores e a sustentação logística de uma guerra longa.

Escreve o colunista do The Washington Post Max Boot: "Embora os EUA e Israel possuam uma superioridade militar esmagadora para um ataque ao Irã, eles não têm um suprimento infinito de munições. Os estoques de sistemas de armas guiadas dos EUA e de Israel, incluindo interceptores de defesa aérea, já foram esgotados pelos ataques planejados por Trump para 2025 contra o Irã e contra os houthis no Iêmen. Os suprimentos podem ficar perigosamente baixos se os EUA se envolverem em uma guerra prolongada e inconclusiva com o Irã. Isso, por sua vez, poderia criar vulnerabilidades para aliados dos EUA, como Taiwan."

 

Risco à estabilidade regional. Emirados e Qatar sustentavam a imagem de estabilidade à prova de guerra. Drones caindo em zonas urbanas, civis estrangeiros mortos e aeroportos fechados corroem essa percepção — e percepção, no Golfo, é parte do PIB. O céu fechado na região já reorganiza rotas entre Ásia e Europa, com milhares de voos cancelados. Reportagem do New York Times relata: "Nas últimas semanas, os governos do Golfo procuraram publicamente evitar uma guerra entre os Estados Unidos e o Irã, temendo que as consequências se estendessem aos seus próprios países. Seus modelos econômicos dependem da estabilidade regional — e da capacidade de oferecer uma base segura no Oriente Médio para investidores e turistas."

O mundo lê o "day after"

Trump pediu que os iranianos "assumam o controle" do país. Netanyahu falou diretamente ao povo iraniano, em persa, na mesma direção. Do outro lado, Teerã chama o ataque de guerra de escolha e eleva o tom.

Rússia e China condenaram a violação de soberania e tentam se colocar como âncoras do "direito internacional", com a margem de manobra típica de quem não quer o colapso de um aliado, mas também não quer entrar na guerra.

Na Europa, a resposta foi dupla: cobrança por mudanças, mas sem atuação militar sua. O contraste aparece também nos editoriais: O The Wall Street Journal vê a ofensiva como resposta necessária para restaurar credibilidade estratégica e alerta que recuar cedo comprometeria o objetivo. O Le Monde chama a guerra de "guerra de escolha" e aponta o salto para a instabilidade; para o The New York Times, o ataque é uma escalada irresponsável e ignora as lições de intervenções anteriores, em que bombardeios não produziram estabilidade duradoura.

 

Perguntas ainda sem respostas

  • A Guarda Revolucionária aceitará um novo líder religioso forte ou consolidará um comando militar disfarçado de transição teocrática?
  • Israel e EUA conseguem sustentar, por semanas, uma defesa antiaérea sob saturação sem entrar na lógica de escalada automática?
  • Existe oposição interna capaz de ocupar o vazio -- ou o "apelo ao levante" vira apenas ferramenta retórica externa?
  • Quanto tempo o mundo tolera Ormuz como gargalo instável sem contaminar inflação e política doméstica nas grandes economias?
  • Rússia e China atuarão para congelar a guerra (por custo) ou para salvar o regime (por estratégia)?