quarta-feira, 18 de março de 2026

Empresário condenado por tentativa de homicídio contra jovem negro no MA foge do fórum antes de receber sentença

Jonathan Silva Barbosa, condenado por tentar matar Gabriel Silva Nascimento, deixou o Fórum de Açailândia antes da leitura da sentença e permanece foragido. Ele já tinha antecedentes criminais.

O empresário Jonathan Silva Barbosa, condenado por tentativa de homicídio contra Gabriel Silva Nascimento, fugiu do Fórum de Açailândia antes da leitura da sentença. Ele foi condenado a 9 anos, 4 meses e 15 dias de prisão em regime fechado, sem a possibilidade de recorrer em liberdade, e permanece foragido.

Jonathan foi um dos últimos a ser ouvido, mas, antes da leitura da sentença, deixou o Fórum sem ser notado. Após o julgamento, a Polícia Civil emitiu um mandado de prisão, mas ele não se apresentou à delegacia e não foi localizado até o momento.

Além disso, Jonathan já tinha antecedentes criminais. Em 2019, ele foi condenado por homicídio culposo no trânsito após atropelar e matar um homem em Açailândia. Nesse caso, cumpriu pena de 2 anos e 8 meses, convertida em multa e suspensão do direito de dirigir.

A defesa de Gabriel, a vítima agredida, informou que não recorrerá da sentença, mas destacou a importância da prisão de Jonathan para o cumprimento da Justiça. "Os jurados acolheram a defesa de que não houve racismo", afirmou o advogado.

O Ministério Público e a acusação também se manifestaram satisfeitos com a condenação, considerando-a justa e proporcional ao crime.

Condenação

O empresário Jhonnatan Silva Barbosa foi condenado a 9 anos de prisão em regime inicialmente fechado por tentar matar Gabriel Silva Nascimento, em Açailândia, no sul do Maranhão. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri na segunda-feira (16). Os jurados desconsideraram o racismo como motivação do crime.

Durante o julgamento, Gabriel Silva Nascimento foi o primeiro a depor diante do juiz e dos jurados. Mais de quatro anos após ser confundido com um ladrão e agredido, o jovem afirmou que aguardava ansioso por justiça.

“Gostaríamos de ter aqui não só ele, mas a moça também que participou, mas esperamos que se resolva.”

Além da vítima, outras cinco testemunhas foram ouvidas durante o julgamento. O júri popular começou por volta das 10h e ocorreu após três adiamentos do processo.

Durante a sessão, Jhonnatan Silva Barbosa permaneceu acompanhado de dois defensores públicos e também teve a oportunidade de prestar depoimento.

Após ouvir testemunhas, acusação e defesa, os jurados se reuniram para decidir o caso. O empresário respondia por tentativa de homicídio triplamente qualificado.

Para a promotoria responsável pelo caso, não havia dúvidas sobre a intenção do réu ao cometer as agressões.

“É inequívoco para o Ministério Público que as manobras que ele fez demonstram, sem sombra de dúvida, a intenção dele de matá-lo.”

Gabriel foi agredido em dezembro de 2021, na porta da própria casa, enquanto fazia manutenção no carro antes de viajar. Segundo a denúncia, ele foi asfixiado e agredido com socos e chutes por Jhonnatan Barbosa e uma mulher.

O processo foi desmembrado, e Ana Paula Costa Vidal, apontada como participante das agressões, será julgada separadamente por lesão corporal.

Para a defesa da vítima, o racismo teria sido o motivo das agressões.

“Ele olhou Gabriel e entendeu que ele era ladrão, só por ser negro, porque não havia nenhum elemento que fizesse com que ele acreditasse nisso.”

Desde o início, o caso foi acompanhado pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humano Carmen Bascarán (CDVDHCB) entidade que atua na defesa dos direitos humanos e no combate ao racismo.

“É extremamente importante que a Justiça dê uma resposta a casos como esse para que a sociedade compreenda a gravidade do crime cometido e entenda que isso não pode acontecer.”

Apesar das discussões durante o processo, os jurados não reconheceram o racismo como motivação do crime.




Nenhum comentário: