quinta-feira, 2 de abril de 2026

Escândalo no TJMA: Delator revela que rede de venda de sentenças tinha vingança e punição

Operação da PF resultou no afastamento de dois desembargadores. As sentenças eram vendidas por R$ 250 mil.

 atualizado 

De acordo com as informações apresentadas, o magistrado teria passado a atuar diretamente contra o delator após o rompimento financeiro entre as partes.


Em um dos episódios citados, em um processo de reintegração de posse, Guerreiro Júnior proferiu decisão liminar favorável a um empresário apenas duas horas após o caso ser redistribuído para sua relatoria.


Ainda conforme o delator, há indícios de que essa decisão específica teria sido “comprada” mediante a transferência de cerca de 2.000 hectares de terra ao magistrado.


O relato aponta também que, após a suposta aquisição de decisões judiciais, o delator suspendeu o pagamento das parcelas anuais referentes à compra da propriedade rural.


A partir desse momento, segundo ele, passou a sofrer uma sequência de decisões judiciais desfavoráveis, proferidas com rapidez incomum e em desacordo com as normas legais.


Operação, pilhas de dinheiro e bolsas de luxo


Uma operação foi deflagrada nessa quarta-feira (1º/4). Ao todo, foram apreendidos 26 smartphones e 38 mídias digitais, entre HDs e pen drives. A operação também resultou no sequestro de 20 veículos, avaliados em R$ 13.524.183,00. Além disso, foram confiscados R$ 573.955,00 em espécie e US$ 8.360,00. Entre os itens de destaque, as autoridades apreenderam um helicóptero, bolsas de luxo, joias e acessórios. Os três últimos itens estão avaliados em cerca de R$ 500 mil.


Dois desembargadores, Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior Júnior, foram afastados. Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em diferentes estados. As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).


Segundo a investigação, o grupo atuava para direcionar decisões judiciais em processos, com prioridade seletiva e distribuição estratégica.

A apuração aponta a participação de magistrados, assessores e outros envolvidos, que teriam atuado em conjunto para favorecer partes em disputas milionárias, especialmente ligadas a conflitos agrários.


A coluna apurou que os alvos da operação foram:


Antônio Pacheco Guerreiro Júnior – desembargador (afastado)

Luiz de França Belchior Silva – desembargador (afastado)

Douglas Lima da Guia – juiz de direito

Tonny Carvalho Araújo Luz – juiz de direito

Lúcio Fernando Penha Ferreira – ex-assessor

Sumaya Heluy Sancho Rios – ex-assessora

Maria José Carvalho de Sousa Milhomem – assessora

Eduardo Moura Sekeff Budaruiche – assessor

Francisco Adalberto Moraes da Silva – ex-servidor do TJMA

Karine Pereira Mouchrek Castro – ex-assessora

Ulisses César Martins de Sousa – advogado

Eduardo Aires Castro – advogado

Antônio Edinaldo de Luz Lucena – empresário

Lucena Infraestrutura Ltda – empresa investigada

Manoel Nunes Ribeiro Filho – investigado

Aline Feitosa Teixeira – investigada

Jorge Ivan Falcão Costa – investigado


Além das buscas, a Justiça determinou prisão preventiva do principal operador do esquema, afastamento de cinco servidores, monitoramento eletrônico de seis investigados, proibição de acesso ao TJMA e bloqueio de bens de até R$ 50 milhões.


As medidas atingem gabinetes, escritórios de advocacia e empresas. As ações ocorrem em cidades do Maranhão, além de endereços no Ceará, em São Paulo e na Paraíba. Segundo a PF, as penas somadas podem chegar a 42 anos de prisão.


FONTE: https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/delator-revela-que-rede-de-venda-de-sentencas-tinha-vinganca-e-punicao#goog_rewarded


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