A corrida pelas duas vagas ao Senado no Maranhão em 2026 começa a ganhar contornos de guerra de trincheiras — e talvez seja justamente aí que resida o principal drama da eleição: há pré-candidatos demais para cadeiras de menos...
A corrida pelas duas vagas ao Senado no Maranhão em 2026 começa a ganhar contornos de guerra de trincheiras — e talvez seja justamente aí que resida o principal drama da eleição: há pré-candidatos demais para cadeiras de menos, egos demais para acordos de menos e promessas demais para um único padrinho político chamado Luiz Inácio Lula da Silva.
No tabuleiro atual, os nomes mais visíveis são André Fufuca, Duarte Júnior, Eliziane Gama, Pedro Lucas Fernandes, Roberto Rocha, Roseana Sarney e Weverton Rocha. Mas, diferentemente de outras disputas senatoriais, o Maranhão vive um fenômeno raro: quase todos os nomes competitivos dependem diretamente da composição para governador.
A eleição para o Senado, afinal, costuma ser “carona” da majoritária estadual. E isso significa que os senatoriáveis deverão aportar nos quatro grandes barcos hoje colocados no mar eleitoral maranhense: Orleans Brandão, Eduardo Braide, Felipe Camarão e Lahésio Bonfim.
O problema é que há mais pretendentes do que espaços políticos disponíveis.
Pelo campo governista, a tendência é de concentração. Orleans Brandão surge como herdeiro político-natural do grupo do governador Carlos Brandão e deve atrair boa parte da máquina municipalista. Nesse ambiente, há um congestionamento evidente: Weverton Rocha tenta sobreviver politicamente após o desgaste de 2022 e de outros mais; André Fufuca trabalha para transformar o ministério em capital eleitoral; Pedro Lucas busca se consolidar como alternativa moderada; e Roseana Sarney tenta ressuscitar a força histórica do sobrenome Sarney.
Mas dificilmente todos caberão na mesma chapa.
A conta é simples: um candidato ao governo comporta dois nomes ao Senado. E, no caso do grupo brandonista, há pelo menos quatro postulantes competitivos tentando ocupar esses espaços. O cenário aponta para uma inevitável seleção natural baseada em três fatores: capacidade financeira, densidade eleitoral e utilidade política para Brasília.
É aí que Lula entra no jogo.
O presidente parece ter distribuído afagos simultaneamente para Weverton, Fufuca e Eliziane. Só que apoio presidencial não é elástico. Em algum momento, o Palácio do Planalto terá de escolher prioridades — sobretudo porque o PT também possui projeto próprio no Maranhão através de Felipe Camarão.
Hoje, a senadora Eliziane Gama talvez ocupe a posição mais curiosa do tabuleiro. Embora dialogue com o lulismo e mantenha boa relação institucional com o governo federal, sua proximidade política com Eduardo Braide cria uma ponte estratégica importante. Se o barco de Braide rumo ao governo tiver suas velas infladas, Eliziane pode se tornar peça central de uma chapa competitiva, sobretudo pela tentativa de construir um palanque menos ideológico e mais urbano, com forte presença na Grande São Luís.
Braide, aliás, é atualmente o nome mais forte na disputa pelo governo em parte das pesquisas recentes. Levantamento AtlasIntel o coloca liderando com ampla margem em cenários de primeiro e segundo turnos. Isso muda completamente a lógica do Senado: muitos pré-candidatos podem migrar para perto de quem aparenta maior viabilidade eleitoral.
Nesse contexto, Duarte Júnior aparece como uma variável ainda na balança. Algumas pesquisas deixaram sua militância animada. Se decidir entrar de vez na disputa, embaralha toda a engenharia das chapas, porque possui recall eleitoral na capital e forte presença digital.
No campo da direita, Lahésio Bonfim e Roberto Rocha tendem a convergir naturalmente. Lahésio precisa de um nome conhecido para dar musculatura à chapa; Roberto precisa de um palanque competitivo para tentar retornar ao Senado. É uma associação quase intuitiva dentro do eleitorado conservador e bolsonarista do estado.
Já Roseana Sarney vive talvez a perspectiva de eleição mais delicada de sua longa trajetória. O “beija-mão” em Brasília junto a Lula sinalizou tentativa de reconstrução de pontes nacionais, mas até aqui não há sinais claros de que o PT esteja disposto a sacrificar seus próprios aliados para abrir espaço integral ao sarneysismo. Roseana ainda possui peso simbólico, interiorização histórica e memória eleitoral, mas enfrenta um desafio novo: pela primeira vez, o sobrenome Sarney parece não intimidar automaticamente o sistema político maranhense.
No fundo, a disputa ao Senado no Maranhão virou uma espécie de vestibular de sobrevivência política.
Weverton luta para não virar ex-liderança e ainda com alguns fantasmas a rondar sua cabeça; Roberto Rocha tenta provar que ainda existe eleitoralmente; Roseana busca demonstrar que ainda mobiliza; Fufuca tem que deixar de ser apenas “ministro de Lula”; Pedro Lucas tenta escapar da sombra dos caciques; Eliziane procura consolidar independência; e Duarte mede o tamanho do salto.
As pesquisas mostram um quadro ainda extremamente fragmentado, sem favoritos isolados e com alto índice de indecisos. Isso significa que a eleição permanece aberta — mas também indica que muitos desses nomes podem nem chegar até o fim como candidatos.
No “pega pra capar” das convenções, a tendência é sobrar gente importante pelo caminho.
Fonte: https://www.maranhaobrasil.com.br/com-pre-candidatos-a-senador-saindo-pelo-ladrao-quem-vai-disputar-a-eleicao/

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