quinta-feira, 11 de junho de 2026

GIRO PELO MUNDO

 

Imagem capturada de um vídeo divulgado pelo Comando Central dos Estados Unidos em 11 de junho de 2026 mostra o que os militares afirmam serem ataques contra "capacidades iranianas de vigilância militar, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea"

Imagem capturada de um vídeo divulgado pelo Comando Central dos Estados Unidos em 11 de junho de 2026 mostra o que os militares afirmam serem ataques contra "capacidades iranianas de vigilância militar, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea"

HANDOUT/AFP

Segunda noite de bombas: EUA pressionam o Irã, que revida nos vizinhos

Os Estados Unidos lançaram na madrugada desta quinta-feira (horário de Teerã) a segunda rodada consecutiva de ataques aéreos contra o Irã, e os iranianos responderam disparando mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. É o golpe mais duro até agora no frágil cessar-fogo acordado em abril, dois meses depois do início da guerra deflagrada por bombardeios conjuntos de EUA e Israel em fevereiro.

O Comando Central americano, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, diz que atingiu sistemas de vigilância, comunicação e defesa antiaérea no sul do Irã. A mídia estatal iraniana relatou explosões em Bandar Abbas, Karaj e em cidades próximas ao Estreito de Hormuz — corredor marítimo por onde passava um quinto do petróleo mundial e que Teerã afirma ter fechado por completo. Washington nega: segundo os americanos, navios comerciais continuam cruzando o estreito.

O presidente Donald Trump apresentou os ataques como instrumento de pressão nas negociações de paz, que patinam. "Eles demoraram demais para negociar um acordo; agora vão pagar o preço", escreveu. Seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, foi mais direto: se for preciso, disse, os EUA vão "negociar com bombas".

A retaliação iraniana deixou rastros: uma menina de 11 anos ferida por destroços no Bahrein, espaço aéreo do Kuwait fechado por horas e 20 mísseis interceptados pela Jordânia, segundo os governos locais. O Irã acusa os americanos de terem destruído reservatórios que abasteciam de água potável cerca de 20 mil pessoas no sul do país, em meio a temperaturas acima de 38°C — análises de imagens de satélite feitas por veículos americanos dão sustentação à denúncia. O Pentágono não comentou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, resumiu o momento: o cessar-fogo virou um "fogo menor", e nada garante que não volte a ser fogo total. A guerra já matou milhares de pessoas, encareceu o petróleo — o barril do tipo Brent passou de US$ 95 — e virou problema eleitoral para Trump, com a gasolina cara corroendo sua popularidade a cinco meses das eleições legislativas americanas.

Peru: Fujimori vira sobre Sánchez na reta final da apuração

Keiko Fujimori retomou a liderança na apuração do segundo turno presidencial peruano graças aos votos do exterior, historicamente favoráveis à direita. Com 98,2% das atas apuradas, a candidata tem 50,002% contra 49,999% do esquerdista Roberto Sánchez — diferença inferior a mil votos. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela disputa a presidência pela quarta vez, depois de perder três segundos turnos seguidos.

A definição pode demorar: restam atas impugnadas, cuja revisão deve se arrastar até meados de julho. Sánchez, que concorreu em nome do ex-presidente preso Pedro Castillo, convocou seus apoiadores a "defender o voto" nas ruas — uma marcha nacional está marcada para sexta-feira em Lima. Observadores da organização Transparencia descartaram indícios de fraude sistemática, mas a desconfiança é antiga: a própria Fujimori denunciou, sem provas, fraudes nas eleições que perdeu.

Belfast: segunda noite de violência contra imigrantes

A polícia da Irlanda do Norte usou canhões d'água para dispersar cerca de 300 manifestantes que incendiaram veículos e atacaram agentes perto de Belfast, na segunda noite consecutiva de distúrbios contra imigrantes. A violência explodiu depois que um refugiado sudanês foi acusado de esfaquear um homem local — cuja família, em nota, repudiou os tumultos e defendeu a contribuição dos imigrantes ao país.

O governo britânico acusa "agitadores de má-fé" de inflamar os ânimos pelas redes sociais, com menções diretas a Elon Musk, dono da plataforma X, que compartilhou publicações culpando a imigração pela crise. Vinte e sete pessoas ficaram desabrigadas após ataques a casas de estrangeiros. Londres promete endurecer a lei que obriga plataformas a remover conteúdo incitando violência — mas a mudança só entra em vigor em julho, na melhor das hipóteses.

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