segunda-feira, 1 de junho de 2026

PCC e CV 'terroristas': ato dos EUA traz medo e incerteza. E na eleição?

 

Dinheiro apreendido pela PF em ação contra PCC. O colunista Wálter Maierovitch afirma que país não tem nada a ganhar, só a perder, com o ato do governo americano contra as organizações criminosas

Dinheiro apreendido pela PF em ação contra PCC. O colunista Wálter Maierovitch afirma que país não tem nada a ganhar, só a perder, com o ato do governo americano contra as organizações criminosas

Divulgação/PF


Roger Modkovski

Aparentemente instado pelos filhos 01 e 03 do ex-presidente preso Jair Bolsonaro, o governo do presidente Donald Trump, nos EUA, incluiu os grupos criminosos PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) na lista das entidades "terroristas", o que gerou apreensão no Brasil e pode ter consequências negativas na vida do país —e qual será o efeito na eleição presidencial?

PCC e CV terrorista: o que isso muda?

A atitude do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, de ir pedir esse favor a Trump, foi encarada por analistas como uma tentativa de tirar o foco de outro pedido de favor que ele fez: o de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

O presidente Lula, que deve enfrentar o filho de Bolsonaro nas urnas, chamou os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro de traidores da pátria e condenou a decisão do governo americano

A colunista Daniela Lima relata que o governo acompanhou a repercussão da decisão americana em tempo real, com pesquisas qualitativas que mostraram que o público parece ter entendido o assunto, com reações entre o medo e a desconfiança de interferências na soberania brasileira.

Analistas alertaram para as péssimas consequências que a decisão pode trazer o país. Para o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, a decisão pode transformar o Brasil em um "pária internacional".

Thais Bilenky acrescenta que as regras de compliance impostas pela medida podem prejudicar os negócios e fazer a Faria Lima, centro dos negócios, se voltar contra Flávio Bolsonaro.

O colunista Ronilso Pacheco interpreta a atitude dos irmãos Bolsonaro sob a chave do ressentimento e da irresponsabilidade. "Não se espera inteligência, compromisso com o país e honestidade dos Bolsonaros e seus bolsonaristas", analisa Pacheco, sobre uma atitude tomada sem pensar nas consequências pesadas que pode ter sobre o país.

E Leonardo Sakamoto chama a atenção para o fato de que, no seu apelo a Trump, Flávio Bolsonaro não citou as milícias que dominam regiões de seu próprio estado, o Rio de Janeiro. "Flávio pede que Trump bata nos criminosos no Brasil. Mas, antes de terceirizar a soberania nacional e posar de salvador da pátria, deveria explicar por que sua coragem acaba sempre na porta dos amigos, dos financiadores e dos fantasmas que moram dentro do próprio gabinete", diz Sakamoto.

Josias de Souza acredita que a decisão possa ter um final pífio, sem efeitos eleitorais claros, embora ofereça risco à nossa soberania. Ele lembra que Trump se meteu recentemente nas eleições de Canadá, Austrália, Romênia e Hungria, e perdeu em todas.

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