Aparentemente instado pelos filhos 01 e 03 do ex-presidente preso Jair Bolsonaro, o governo do presidente Donald Trump, nos EUA, incluiu os grupos criminosos PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) na lista das entidades "terroristas", o que gerou apreensão no Brasil e pode ter consequências negativas na vida do país —e qual será o efeito na eleição presidencial? PCC e CV terrorista: o que isso muda? A atitude do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, de ir pedir esse favor a Trump, foi encarada por analistas como uma tentativa de tirar o foco de outro pedido de favor que ele fez: o de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O presidente Lula, que deve enfrentar o filho de Bolsonaro nas urnas, chamou os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro de traidores da pátria e condenou a decisão do governo americano A colunista Daniela Lima relata que o governo acompanhou a repercussão da decisão americana em tempo real, com pesquisas qualitativas que mostraram que o público parece ter entendido o assunto, com reações entre o medo e a desconfiança de interferências na soberania brasileira. Analistas alertaram para as péssimas consequências que a decisão pode trazer o país. Para o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, a decisão pode transformar o Brasil em um "pária internacional". Thais Bilenky acrescenta que as regras de compliance impostas pela medida podem prejudicar os negócios e fazer a Faria Lima, centro dos negócios, se voltar contra Flávio Bolsonaro. O colunista Ronilso Pacheco interpreta a atitude dos irmãos Bolsonaro sob a chave do ressentimento e da irresponsabilidade. "Não se espera inteligência, compromisso com o país e honestidade dos Bolsonaros e seus bolsonaristas", analisa Pacheco, sobre uma atitude tomada sem pensar nas consequências pesadas que pode ter sobre o país. E Leonardo Sakamoto chama a atenção para o fato de que, no seu apelo a Trump, Flávio Bolsonaro não citou as milícias que dominam regiões de seu próprio estado, o Rio de Janeiro. "Flávio pede que Trump bata nos criminosos no Brasil. Mas, antes de terceirizar a soberania nacional e posar de salvador da pátria, deveria explicar por que sua coragem acaba sempre na porta dos amigos, dos financiadores e dos fantasmas que moram dentro do próprio gabinete", diz Sakamoto. Já Josias de Souza acredita que a decisão possa ter um final pífio, sem efeitos eleitorais claros, embora ofereça risco à nossa soberania. Ele lembra que Trump se meteu recentemente nas eleições de Canadá, Austrália, Romênia e Hungria, e perdeu em todas. Mariana Sanches: EUA listam PCC e CV como organizações terroristas após pedido de Flávio Mônica Bergamo: Governo Lula chama Flávio e Eduardo Bolsonaro de 'traidores envolvidos com o crime' e condena decisão de EUA sobre PCC e CV Mônica Bergamo: 'Brasil vai virar um pária internacional', diz Lewandowski depois de decisão dos EUA sobre PCC e PV Thais Bilenky: Exigências dos EUA podem voltar Faria Lima contra Flávio Bolsonaro Daniela Lima: Medo e desconfiança: Planalto monitorou reação a ato dos EUA sobre CV e PCC Ronilso Pacheco: Cínicos, Flávio e Eduardo celebram o ressentimento e a irresponsabilidade Leonardo Sakamoto: Flávio Bolsonaro apela a Trump contra PCC e CV, mas poupa milícia e aliados Leonardo Sakamoto: 'Trump, interfira no Brasil' virou lema de campanha dos Bolsonaros Leonardo Sakamoto: Faria Lima apoiará Flávio Bolsonaro se Trump atacar bancos a pedido dele? Josias de Souza: A pedido de Flávio, Trump enfiou seu pé-frio na sucessão do Brasil Josias de Souza: Trump monta palanque no Brasil Wálter Maierovitch: Irmãos Bolsonaro prestam mais um desserviço para o Brasil José Fucs: Flávio sobrevive à crise do áudio e ganha fôlego com Trump André Santana: Decisão de Trump sobre PCC e CV é cortina de fumaça no Brasil e nos EUA Janaina Figueiredo: Ameaças de Eduardo Bolsonaro a diplomatas por coletiva de Flávio Bolsonaro preocupam Itamaraty |
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