Ministros do STF viram nas suspeitas sobre as urnas eletrônicas levantadas por Flávio Bolsonaro uma tentativa de desacreditar o sistema de votação brasileiro, alinhada a setores do governo dos Estados Unidos. A apuração é da colunista do UOL Letícia Casado. Para uma ala do Supremo, "a fala de Flávio foi um sinal de que ele vai encampar o tema dos ataques às urnas na campanha, contando com o apoio dos americanos para questionar eventual derrota", relatou Casado. A declaração de Flávio Bolsonaro foi feita ontem, em um evento com a participação de diplomatas estrangeiros em Brasília, organizado pela consultoria Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report. Citando um relatório da CIA tornado público por Donald Trump há duas semanas, Flávio disse que a agência de espionagem americana suspeita da participação da empresa venezuelana Smartmatic em um plano para fraudar as eleições de 2012 na Venezuela. Em seguida, ele tentou ligar a empresa às eleições no Brasil. "Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma... Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana". O UOL Confere checou: a afirmação de Flávio Bolsonaro é falsa. "A Smartmatic não fornece urnas eletrônicas ou softwares para as eleições brasileiras. A empresa foi criada por venezuelanos nos Estados Unidos e atualmente tem sede em Londres, no Reino Unido." Além disso, o próprio relatório da CIA, citado por Flávio, afirma textualmente que, na avaliação da agência, "não houve fraude eletrônica em larga escala" na eleição venezuelana de 2012. Na opinião de Alexandre Borges, o questionamento às urnas feito pelo pré-candidato do PL é uma admissão de derrota. "Faltando onze semanas para o primeiro turno, Flávio Bolsonaro já procura culpado por uma derrota que ainda nem aconteceu." Josias de Souza lembrou que a tática de desacreditar as urnas eletrônicas para diplomatas estrangeiros já foi usada por Jair Bolsonaro em 2022. Flávio reencena "um enredo que tornou o pai inelegível". Para Wálter Maierovitch, Flávio Bolsonaro pode ter o registro de candidatura cassado pela Justiça Eleitoral se insistir em disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas. "Uma vez realizado ou postulado o registro de candidaturas, aquele que comete fake news, aquele que desinforma com objetivo evidentemente eleitoral, com violação ao princípio constitucional da lealdade das eleições, pode ter o seu registro de candidato cassado." Carla Araújo: PT prepara ação no TSE contra Flávio após 'ataque coordenado' contra urnas |
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