sexta-feira, 17 de julho de 2026

De quem é a culpa pelo tarifaço?

 

Jamieson Greer, representante da USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), durante entrevista a jornalistas em Bruxelas

Jamieson Greer, representante da USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), durante entrevista a jornalistas em Bruxelas

Piroschka Van De Wouw/REUTERS



Asdrúbal Figueiró

Pré-candidatos ao Palácio do Planalto, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro se acusam mutuamente de ter culpa pelas tarifas de importação de 25% sobre produtos brasileiros anunciadas pelos EUA.

A medida, anunciada ontem à noite, se soma à taxa de 10% já cobrada pelos EUA sobre produtos de todos os países e incidirá sobre exportações no valor de US$ 11 bilhões por ano, segundo a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).

Em nota à imprensa, Lula diz que a taxação "faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro". Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirma que "a culpa do tarifaço é de Lula!".

Para Leonardo Sakamoto, a medida teve motivações comerciais e políticas. "Os EUA querem dobrar o Brasil, obrigando-nos a jogar o Pix no lixo, dar salvo-conduto às big techs e eleger Flávio Bolsonaro."

O colunista diz que essa não deve ser a última ação do governo americano para ajudar o pré-candidato do PL. "A eleição está apenas começando."

O anúncio do tarifaço foi seguido por uma postagem na rede X em que o secretário de Estado, Marco Rubio, acusou Lula e o governo brasileiro de não terem negociado com os EUA de "boa-fé".

Segundo Janaína Figueiredo, no governo, algumas pessoas prefeririam tratar o comentário pelo lado político: "Rubio combinou o ataque com o bolsonarismo". Outras negaram a acusação: "Foram mais de 30 reuniões no último ano, presenciais, virtuais e por telefone, nos níveis presidencial, ministerial e técnico."

Mariana Sanches diz que, nos EUA, a medida foi questionada pelo senador democrata Tim Kaine. "Se temos um superávit comercial, isso significa que estamos vendendo mais do que compramos", disse Kaine, em questionamento ao indicado por Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez.

Em entrevista ao Canal UOL, Rubens Barbosa, embaixador em Washington entre 1999-2004, indicado no governo FHC, disse que a nota de Rubio é o primeiro ataque político dos EUA ao Brasil, mas que Lula já atacou Trump 62 vezes.

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