Os advogados de Jair Bolsonaro negaram hoje que o ex-presidente tenha autorizado o uso de sua voz e imagem em um avatar criado por inteligência artificial exibido durante a convenção, no sábado, que confirmou a candidatura presidencial de seu filho Flávio (PL-RJ). A manifestação foi uma resposta a um despacho do ministro Alexandre de Moraes (STF), exigindo explicações de Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, com os direitos políticos suspensos e proibido de fazer declarações públicas. Para Wálter Maierovitch, Alexandre de Moraes atropelou as garantias constitucionais de Jair Bolsonaro ao esquecer que a "Constituição consagra a garantia ao silêncio pelo suspeito ou acusado". "Essa garantia penetrou no sistema democrático, habitou as constituições e virou regra obrigatória do chamado 'justo processo'", diz Maierovitch. Leonardo Sakamoto afirma que a resposta de Bolsonaro não deve surpreender ninguém. Para o colunista, ao dizer que não autorizou o uso de sua voz e imagem, Bolsonaro jogou Flávio ao mar. A manobra, segundo Sakamoto, sugere uma aposta na benevolência do presidente do TSE, ministro Nunes Marques — "alguém com quem o ex-presidente podia compartilhar uma tubaína e que chegou ao STF graças à articulação do próprio Flávio com o centrão". Na avaliação de Josias de Souza, o questionamento de Moraes a Bolsonaro também embute uma provocação a Nunes Marques. "É como se Moraes cutucasse Nunes Marques com o pé para ver se ele reage. Presidente do TSE e relator da ação do PT contra o uso do bolsofake, o ministro vai se fingindo de morto." |
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