segunda-feira, 20 de julho de 2026

GIRO PELO MUNDO: EUA acumulam baixas e ampliam ataques ao Irã; guerra ameaça se alastrar

 

Cortejo fúnebre de integrantes do grupo opositor curdo-iraniano Komala, mortos em ataque com mísseis à sede da organização, em Sulaymaniyah, no Iraque

Cortejo fúnebre de integrantes do grupo opositor curdo-iraniano Komala, mortos em ataque com mísseis à sede da organização, em Sulaymaniyah, no Iraque

Ako Rasheed/Reuters


Do UOL

Os Estados Unidos anunciaram neste domingo a morte de mais um militar, o terceiro em três dias, e lançaram a oitava noite consecutiva de bombardeios contra o Irã. Segundo o Comando Central americano (Centcom), o soldado morreu no norte do Iraque durante a detonação controlada de um drone iraniano abatido; outro ficou ferido. Na sexta-feira, um ataque iraniano a uma base na Jordânia havia matado dois militares e deixado um desaparecido — o Centcom afirma ter localizado restos mortais ainda não identificados no local. Com isso, sobem para 17 os militares americanos mortos desde o início da guerra, deflagrada por EUA e Israel em fevereiro.

A escalada enterra de vez o acordo preliminar de cessar-fogo fechado em junho, que ruiu em menos de um mês. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou que a assinatura do presidente Donald Trump "não tem valor" após o que chamou de violações repetidas do pacto. Washington, por sua vez, diz que os novos ataques visam "punir rapidamente" a Guarda Revolucionária pelos militares mortos e degradar a capacidade iraniana de bloquear o Estreito de Hormuz — por onde passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra e onde o tráfego de navios praticamente parou.

O conflito atinge cada vez mais a infraestrutura civil dos dois lados. O Irã afirma que os EUA bombardearam pontes, um túnel e o canteiro de obras de uma usina nuclear em construção no sudoeste do país — a agência atômica da ONU disse que o local, em estágio inicial, não continha material nuclear. Teerã, por sua vez, atacou aliados dos americanos na região: no Kuwait, uma planta de energia e dessalinização foi atingida pelo segundo dia seguido; Jordânia e Bahrein também acionaram suas defesas aéreas. Autoridades iranianas contabilizam ao menos 50 mortos e mais de 500 feridos nos ataques americanos das últimas semanas.

Terremoto no Peru mata ao menos seis e destrói vilarejo andino

Um sismo de magnitude 5,1 atingiu na noite de sábado a região de Junín, na serra central peruana, deixando ao menos seis mortos, cerca de 30 feridos e 300 desabrigados, segundo a Defesa Civil do país. A destruição se concentrou no povoado rural de Pumpunya, a mais de 3.200 metros de altitude, onde a maioria das casas é de adobe (tijolo de barro cru). A pouca profundidade do tremor e a fragilidade das construções explicam o estrago desproporcional à magnitude, dizem as autoridades. Entre as perdas está a Cruz do Senhor de Cani Cruz, monumento de pedra erguido por volta de 1534 e patrimônio cultural do país.

Hungria: presidente assina a própria destituição e denuncia "abuso de poder"

O presidente húngaro, Tamás Sulyok, promulgou no sábado a reforma constitucional que encerra imediatamente seu mandato — medida que ele próprio classificou como "exemplo histórico grave e vergonhoso de abuso do poder político", mas que disse ser legalmente obrigado a sancionar. A reforma é a peça central do projeto do premiê Péter Magyar, eleito em abril, para desmontar a estrutura institucional construída em 16 anos de governo de Viktor Orbán, aliado de Sulyok. O texto também impõe limite de 12 anos aos parlamentares e idade máxima de 70 anos aos juízes constitucionais. Do exterior, Orbán reagiu: "A tirania já não é uma ameaça, é uma realidade".

Reuters desmonta tese de Trump sobre voto de estrangeiros nos EUA

Levantamento da agência Reuters em registros judiciais federais contradiz a alegação de Trump de que o voto de não cidadãos é uma fraude generalizada nos EUA. Desde 1996, quando a prática virou crime federal, apenas 129 pessoas foram processadas — e nenhum caso envolveu esquema coordenado ou pagamento por votos. Muitos réus eram residentes legais que acreditavam ter direito ao voto, induzidos por erros administrativos ou orientações equivocadas de funcionários. A apuração ganha peso porque Trump usa o tema para justificar uma ofensiva sobre o sistema eleitoral antes das eleições legislativas de novembro, incluindo processos contra estados e exigência de prova de cidadania para votar.

Outras notícias

Ucrânia — O presidente Volodymyr Zelensky tenta conter a crise aberta pela demissão surpresa do popular ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, defensor do programa de drones que ajudou a frear avanços russos. Milhares protestaram em Kiev pedindo, em vez disso, a saída do comandante do Exército, general Oleksandr Syrskiy, com quem Fedorov colidia. A turbulência coincide com um dos maiores ataques russos de mísseis balísticos contra a capital desde o início da guerra.

México — A Marinha prendeu em Mérida Justo Aurelio Rivera Parrazales, apontado como operador financeiro do Cartel do Nordeste. Foram apreendidos 15 carros de luxo, armas, metanfetamina e equipamentos avaliados em 145 milhões de pesos.

Venezuela — O governo anunciou um plano de recuperação ambiental para o litoral de La Guaira, estado mais devastado pelos terremotos de 24 de junho, que deixaram mais de 5.100 mortos e cerca de 2,1 milhões de toneladas de escombros, segundo estimativa oficial feita com a ONU.

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