Em Brasília funciona assim. Se o Supremo manda você botar um teto nos supersalários dos servidores do Congresso, já que a Constituição manda, você faz o quê? Dribla o Supremo usando um outro tribunal (adoro que os congressistas fazem a Constituição, e resolvem o problema driblando a Constituição… nisso eles são craques). Hoje temos a história do golpe do teto duplex e a volta dos supersalários dos servidores em mais um episódio da briga Supremo x Congresso.
E, claro, temos ainda o efeito Michelle na campanha do Flavitcho. Vem, BRASEW, que já éNoiteNaCidade.
A treta é a seguinte. O Supremo mandou acabar com a farra de penduricalhos e supersalários de servidores públicos etc e tal. Ficou todo mundo tentando dar seu drible no Supremo (e por tabela, na Constituição). Não esqueçam que a Constituição diz que existe um teto de ganho para os servidores públicos e esse teto é o salário supremo que ultrapassa um pouco os 46 mil reais.
Pois eis que hoje ficamos sabendo que o Congresso resolveu dar o drible usando o Tribunal de Contas da União. No começo do dia, a colunista Roseann Kennedy do Estadão já dava a letra do caso. Davi Alcolumbre, a estrela mor do senado, junto com Huguito Motta, que é meio dono da Câmara frigorífica, e o presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, uniram forças para viabilizar o pagamento de supersalários para servidores do Congresso. Tudo seria selado em um julgamento de um processo sob sigilo em que o sindicato do funcionalismo do Legislativo propunha a criação de um “teto duplex”. Com o intuito de não ferir o teto, cria-se outro teto. O servidor ganha um salário e esse seria um teto. Se ele assumir uma função de chefia, em que passa a ganhar gratificação, essa gratificação vira outro teto. Aí temos o teto duplex. Não feriria a Constituição. Mas na vida real, eles conseguem assim ganhar mais do que os 46 mil estabelecidos na Constituição (que os congressistas mesmos fizeram, vale repetir).
Teve o julgamento no TCU e o seu Vital do Rêgo, presidente do tribunal, que mais cedo tinha dito para Roseann que ele não interfere no voto dos outros ministros, foi quem abriu divergência do voto do relator alegando que ninguém vai querer assumir cargo de chefia no Congresso se não tiver teto duplex. Só sei que o julgamento terminou em 8 a 1 a favor dos supersalários. (A gente já não teve um caçador de marajás, não? Onde ele anda?)
O gasto dessa brincadeira é estimado pelo próprio TCU em 211 milhões de reais por ano, direto do dinheiro público, ou melhor dizendo, do seu, do meu, do nosso dinheirinho.
Efeito Michelle
Flavitcho Bolsonaro andou dizendo que não fala com Michelle e nem viu o vídeo que ela postou. Deveria. A Quaest mostrou hoje que o efeito Michelle pegou ele em cheio. A pesquisa mostra Lula ganhando no segundo turno de 45% a 37%. Mas o problema mesmo está nas entrelinhas da pesquisa, na parte que traz os dados dos chamados eleitores independentes. No cenário do segundo turno, Lula subiu de 27% para 40% das intenções de voto. Flavitcho tinha 32% e agora tem só 27%. Outro dado para deixar Flavitcho ligado é que antes 70% dos eleitores do filho do nosso ex diziam que votar em Flavitcho Bolsonaro era uma escolha definitiva. Esse número caiu para 62%.
A propósito, 64% dos bolsonaristas acham que Michelle não devia ter feito o que fez. Ah, boa notícia para Flavitcho? Not. Menos de 30% acham que as declarações de Michelle foram falsas.
As treta da campanha do Lula
Para Lula, ainda há outra boa notícia. Pela primeira vez a linha da aprovação do governo está acima da linha de desaprovação. É basicamente um empate técnico, mas migalhas estão por aí para serem aceitas. Céu de brigadeiro para Lula? NOT. A Folha noticiou hoje em reportagem muito completa, encabeçada por Catia Seabra, que cobre o PT há séculos, que está a maior bateção de cabeça na formação da campanha. Tem o povo que quer tomar o poder na comunicação, outro povo no jurídico, e assim por diante. Estão se brigando real e oficial. Aliás, fiquei sabendo por esta dita reportagem que o Sidônio não será o marqueteiro do Lula na campanha? Sidônio do céu, vou ali comprar um pão doce pra ti.
Parênteses totalmente aleatório e gratuito. A propósito, o opositor do Sidônio na briga pelo marketing do Lula se chama Marcola, que é chefe de gabinete do presidente. Inclusive as contas pessoais de Lula estão sob responsabilidade da coordenação digital do PT. E quem comanda essa área no PT? A conje do Marcola. Pô, Sidônio, tava fácil ganhar essa daí, hein? Vão deixar o Marcola fazer a campanha do Lula? tsc, tsc.
Flávio e Sicário
E o ICL Notícias que publicou hoje uma foto do Flavitcho Bolsonaro com o Sicário, darling! O Sicário é aquele faz tudo do Daniel Vorcaro do Master (faz tudo mesmo. Ele tinha as manhas de hackear até a Interpol e o FBI) que assim que foi preso pela Polícia Federal se matou. O Flavitcho não negou a foto, apenas disse que como pessoa pop tira foto com todo mundo que pede.
Cartinha
Bolsonaro escreve uma carta que é intitulada “Carta aos brasileiros”, entrega para o filho zero um, o filho zero um divulga nas redes, o Xandão questiona que história é essa Porchat? e a defesa do Bolsonaro jura de pés juntos que Bolsonaro não sabia que Flavitcho ia divulgar para todo mundo. Para quem não lembra, Bolsonaro ganhou a prisão domiciliar e com isso estava proibido de fazer uso das redes sociais, mesmo que por terceiros.
Xandão que lute e a gente que acorde, BRASEW.
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