quarta-feira, 29 de julho de 2026

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO: Milei acusa Brasil de campanha contra Argentina. Tem fundamento?

 

Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção nacional do PL

Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante a convenção nacional do PL

MARINA UEZIMA/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO


Asdrúbal Figueiró

Na convenção de Flávio Bolsonaro, no sábado, o presidente argentino, Javier Milei, além de xingar o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, também sugeriu que há uma conspiração da esquerda brasileira por trás das críticas nas redes sociais ao comportamento da seleção argentina durante a Copa do Mundo.

"Se vocês revisarem os dados da recente campanha anti-Argentina, o lugar de onde vieram mais ataques foi o Brasil, e não é dos brasileiros, é da progressista socialista (sic)".

O UOL Confere reproduziu um artigo do site argentino Chequeado, que analisou os dados, conferiu os relatórios de monitoramento das publicações online e concluiu: não há elementos que sustentem a acusação.

O perfil do presidente argentino no Instagram, porém, foi invadido por postagens de brasileiros em defesa da soberania nacional e do presidente Lula, informa a coluna hashtag, da Folha de S.Paulo.

A crise diplomática com Buenos Aires levou Lula a se autoimpor um desafio, diz Josias de Souza, citando "um ministro palaciano". Segundo Josias, o petista "quer manter o sangue frio — desde que não fique parecendo que tem sangue de barata". O sucesso da estratégia, porém, depende mais da Casa Rosada do que do Planalto.

Mulheres e eleição

Alexandre Borges escolheu outro tema: a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro entre as mulheres nas pesquisas de intenção de voto para presidente.

Depois de lembrar que, no segundo turno da eleição de 2022, Lula teve 69,3% contra 30,7% de Jair Bolsonaro no Nordeste, o colunista emenda: "No último Datafolha, Lula abriu dez pontos sobre Flávio Bolsonaro no voto feminino: 50% x 40%. A eleição de 2026 tem um novo Nordeste: as mulheres."

Para Borges, que chama Michelle Bolsonaro de "a liderança feminina mais importante do país", a ausência da ex-primeira-dama na campanha de Flávio pode garantir a Lula a vantagem que o Nordeste lhe deu em 2022.

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