O presidente Lula disse que está tentando conversar novamente com o presidente americano, Donald Trump, para pedir que ele "não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição". A declaração de Lula foi feita um dia após o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, dizer que os EUA preparam ataques militares por terra em países da América Latina contra grupos que, segundo os EUA, estariam envolvidos no narcotráfico. Ontem, o governo brasileiro também iniciou o processo de aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, em retaliação às tarifas impostas pelos EUA contra a importação de produtos brasileiros. Para João Paulo Charleaux, a iniciativa anunciada por Pete Hegseth pode ser usada como parte de uma estratégia maliciosa do governo Trump, que se opõe à reeleição de Lula, para tentar passar a mensagem de que o atual governo acoberta e protege terroristas internacionais. "Se isso acontecer, o discurso nacionalista e soberanista de Lula, que até aqui tem tido efeito positivo para a campanha dele, no que diz respeito às tarifas, passaria a ser testado em um novo patamar, mais volátil, violento e imprevisível." Josias de Souza vê no início do processo de aplicação da reciprocidade uma motivação mais política do que econômica. "Lula passou a tratar os Estados Unidos à moda Trump: politizou de vez a agenda comercial." Para o colunista, o objetivo de Lula não é retaliar, mas usar o tema para deixar clara a presença de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio no palanque de Flávio Bolsonaro. José Paulo Kupfer também considera improvável que o Brasil use de fato a ferramenta da retaliação. Segundo Kupfer, o movimento faz parte do "balé diplomático", que envolve o Brasil, os EUA e até a China - que se juntou à queixa brasileira contra os americanos na OMC. "Neste primeiro momento, a julgar pelo teor do comunicado oficial encaminhado aos americanos, a intenção do governo brasileiro aponta claramente o caminho da negociação — e não da retaliação." |
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