A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu ao ministro André Mendonça (STF) que envie à primeira instância um inquérito em que Fábio Luís Lula da Silva (foto), filho mais velho do presidente Lula, é investigado, informou Fabíola Cidral. A investigação apura se Lulinha usou sua condição de filho do presidente para beneficiar a World Cannabis, empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, interessada em vender canabidiol ao Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde diz que não há nenhum contrato com a empresa e que nenhum pagamento foi feito. O argumento da PGR é que não há indícios de envolvimento de pessoas com foro privilegiado na investigação. A defesa de Lulinha disse ter recebido o pedido sem surpresa. "Desde o início, a defesa vem sustentando o que a PGR disse: não há autoridade com foro privilegiado nesse inquérito, não há verba pública, não há relação direta ou indireta com o INSS", disse o advogado Marco Aurélio Carvalho. Segundo apuração de Carla Araújo, porém, André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, considerou o pedido da PGR "sem sentido" e deve mantê-lo no STF. "Mendonça diz a aliados que há conversas com citação de pessoas com foro e, por isso, o correto seria manter o caso no STF." Para Josias de Souza, a transferência do caso Lulinha para a primeira instância realizaria um sonho do Planalto. "Aos olhos do governo, ficaria claro que as traficâncias atribuídas ao filho do presidente não ultrapassaram as fronteiras do segundo escalão do governo. Segundo, as investigações sairiam das mãos do ministro André Mendonça." Segundo Daniela Lima, o envio da investigação sobre Lulinha à primeira instância poderia solucionar o impasse entre André Mendonça e a Polícia Federal, que acusa o ministro de ingerência em suas atribuições constitucionais. Daniela Lima também diz ver uma desigualdade no tratamento dado às investigações que envolvem Lulinha e à que envolve o pedido de milhões de reais feito por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. "São muitas questões em aberto. Muito movimento de um lado, nos casos que envolvem o filho do presidente Lula. Nenhum movimento, sabido, até aqui, no caso que envolve o próprio Flávio Bolsonaro". |
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