A divulgação de uma carta dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em desagravo ao diretor-geral Andrei Rodrigues trouxe à tona, ainda que de maneira velada, um conflito entre a direção da instituição e André Mendonça — um dos dois ministros do STF indicados por Jair Bolsonaro. Na manifestação, sem citar Mendonça, os delegados dizem "reafirmar sua confiança na Direção da Polícia Federal" e afirmam ser "indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia administrativa necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades institucionais". Para Wálter Maierovitch, a Polícia Federal tem razão, porque, em sua visão, o ministro André Mendonça tentou "dirigir o trabalho da polícia" e criar uma relação de subordinação inconstitucional. " O ministro está se intrometendo, está querendo dirigir o trabalho da polícia. E ele não pode. Ele é um juiz de verificações de observância de preceitos constitucionais." Josias de Souza diz que o pano de fundo do conflito é "a percepção dos investigadores de que Mendonça duvida da transparência e do empenho na apuração de suspeitas que recaem sobre Lulinha". O colunista também nota que o manifesto dos delegados transforma "desavenças que eram sussurradas no escurinho" em uma "lavagem de roupa suja sob holofotes". Antes de ganhar contornos públicos, a disputa já havia se tornado objeto de preocupação de outros ministros do Supremo, informou Daniela Lima. " André Mendonça tem alarmado colegas da corte por conduzir, sem freios, um processo de intervenção sem precedentes na história recente do país nos trabalhos da Polícia Federal", disse a colunista. |
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