segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Vale a pena trocar açúcar por mel? Produto saudável também exige atenção

 


Samantha Cerquetani

O mel é uma alternativa ao açúcar refinado em uma alimentação mais equilibrada. Menos processado e com pequenas quantidades de antioxidantes e minerais, ele é usado em cafés, chás, frutas e outras preparações do dia a dia.

Mas isso não significa que o ingrediente possa ser consumido sem moderação. Apesar das diferenças nutricionais, o mel continua sendo uma fonte de açúcar e também exige atenção à quantidade ingerida.

A seguir, veja o que realmente muda entre o mel e o açúcar refinado, os possíveis benefícios do alimento, os cuidados no consumo e o que observar no rótulo antes da compra.

O mel é mesmo uma opção mais saudável?

De forma geral, sim. O mel tem uma composição nutricional mais rica do que o açúcar refinado. Além dos açúcares naturais, ele preserva pequenas quantidades de antioxidantes, minerais e outros compostos produzidos pelas abelhas. Já o açúcar refinado passa por um maior processo de refinamento e acaba oferecendo basicamente sacarose.

No entanto, na quantidade de calorias, a diferença é menor do que muita gente imagina. Uma colher de sopa de mel tem cerca de 48 calorias, enquanto a mesma porção de açúcar refinado fica em torno de 59 calorias.

No organismo, ambos aumentam a carga de açúcar da alimentação. Quando aparecem em excesso na rotina, podem contribuir para o ganho de peso, alterar a glicose e provocar problemas metabólicos.

Benefícios do mel

Consumido com equilíbrio, o mel pode trazer algumas vantagens em relação ao açúcar refinado. Entre elas:

  • Maior ingestão de antioxidantes, que ajudam a proteger as células do organismo;
  • Alívio de irritações na garganta e episódios de tosse;
  • Fornecimento rápido de energia antes de atividades físicas;
  • Substituição de açúcares mais processados na alimentação.
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Nem todo produto vendido como mel é realmente puro. Em alguns casos, há adição de glicose, xaropes e outros itens que alteram a composição original do alimento. Por isso, o primeiro passo é verificar a lista de ingredientes e o ideal é que conste apenas "mel" na embalagem.

Outros detalhes também ajudam a identificar a qualidade do produto:

  • Expressões como "composto à base de mel" indicam mistura com outros ingredientes;
  • O selo de inspeção sanitária, como o SIF (Serviço de Inspeção Federal), ajuda a garantir controle de qualidade;
  • Preços muito baixos podem ser sinal de adulteração;
  • Embalagens mal vedadas merecem atenção;
  • A tabela nutricional ajuda a conferir a quantidade de açúcares e carboidratos por porção.

Também é importante saber que a cristalização é natural. Com o tempo, alguns tipos de mel podem ficar mais espessos ou formar cristais, sem que isso signifique perda de qualidade.

Veja alguns rótulos de mel:

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Arte UOL

Qual é a quantidade recomendada?

Mesmo sendo natural, o mel faz parte dos chamados açúcares livres, grupo que inclui o açúcar refinado, xaropes e outros açúcares adicionados em produtos industrializados.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o ideal é consumir cerca de 25 gramas de açúcar por dia (aproximadamente seis colheres de chá). Por isso, o mel também deve ser consumido com moderação. Em geral, cerca de uma colher de sopa por dia já costuma ser suficiente.

E o excesso nem sempre vem apenas da colher colocada no café. Refrigerantes, biscoitos recheados, sobremesas, cereais matinais e bebidas industrializadas podem concentrar grandes quantidades de açúcar "escondido".

Quem precisa ter mais cuidado ao consumir

Pessoas com diabetes, pré-diabetes ou resistência à insulina precisam ter atenção ao consumo de mel. Apesar da composição mais natural, ele ainda provoca aumento da glicose no sangue.

Quando aparece em excesso na alimentação, o mel também pode contribuir para ganho de peso, acúmulo de gordura no fígado e alterações metabólicas ligadas ao maior risco cardiovascular.

Outro ponto importante envolve crianças menores de 2 anos, que não devem consumir mel devido ao risco de botulismo infantil.

Como consumir?

O mel pode substituir o açúcar em bebidas e diferentes receitas, desde bolos e sobremesas até vitaminas e preparações agridoces. Também combina com frutas, iogurtes, cereais e molhos para carnes e saladas.

Mas a forma de preparo faz diferença. Temperaturas muito altas podem reduzir parte dos antioxidantes e compostos naturais presentes no mel. Por isso, uma alternativa é usá-lo em preparações frias ou adicioná-lo apenas ao final das receitas.

Fontes: Gisele Pontaroli Raymundo, nutricionista e professora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná; Stefani de Morais, nutricionista clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo); Waleska Araújo, nutricionista do Hospital Universitário Onofre Lopes da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)




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