quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Advogado-geral e diretor da PF batem boca sob olhar de Lula e sombra do STF

 

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias

Pedro Ladeira/Folhapress e Edilson Rodrigues/Agência Senado



Asdrúbal Figueiró

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, bateram boca na frente do presidente Lula no último dia 4. A revelação foi feita pela colunista do UOL Marcela Mattos.

Segundo Marcela, Messias questionou Rodrigues sobre a suspeita de que estaria sendo monitorado por agentes da PF: "Você está me espionando?"

Rodrigues respondeu de forma ríspida e classificou a atitude de Messias como um "chilique".

O episódio ocorreu quatro dias antes do pedido de afastamento de Rodrigues da chefia da Polícia Federal, feito pelo ministro André Mendonça e aprovado pela Segunda Turma do STF. A medida foi derrubada no dia seguinte por Flávio Dino e, depois, suspensa por Edson Fachin.

Para Josias de Souza, o episódio expôs a falta de diálogo entre integrantes do comando de órgãos centrais do governo e abriu espaço para disputas que podem contaminar investigações, como as que envolvem o Banco Master.

" Isso só interessa à bandidagem. Porque estão sendo plantadas dúvidas que, lá adiante, serão utilizadas para colher nulidades processuais."

Thais Bilenky diz que a "briga" entre Messias e Andrei é uma continuação da disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes no STF.

"Messias ficou muito associado à imagem do André Mendonça pela campanha que ambos fizeram juntos para a indicação do Messias ao Supremo."

Daniela Lima afirma que a atuação de Messias em momentos recentes de tensão ampliou seu desgaste no Palácio do Planalto e provocou cobranças de ministros e outros interlocutores ao presidente.

Segundo Daniela, um ministro do STF disse a ela que o presidente está pagando um preço altíssimo por ter indicado Messias ao Supremo. Para esse ministro, Messias "não tem visão de país nem de responsabilidade com a democracia".

Na avaliação de Alexandre Borges, Jorge Messias falhou politicamente ao tentar ficar "em cima do muro" na crise que expôs uma divisão dentro do STF.

"O Jorge Messias não pode ficar em cima de um muro porque nessa hora não tem muro. O muro acabou, o muro sumiu. Você realmente tem que tomar uma posição, você tem que tomar um lado."

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