sábado, 5 de setembro de 2026

Colunistas do UOL veem guerra inédita e jogo eleitoral em crise no STF

 

Ministros aparecem rindo em foto em meio à crise no STF

Ministros aparecem rindo em foto em meio à crise no STF

Brenno Carvalho - 2.set.26/Agência O Globo


Asdrúbal Figueiró

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirou hoje do inquérito das fake news o pedido de investigação de André Mendonça, apresentado ontem por Alexandre de Moraes, relator do processo.

Fachin determinou que o pedido seja anexado à Petição (PET) 16704, aberta ontem pela presidência do tribunal para apurar supostas irregularidades na condução de investigações. Com a medida, Fachin assume o acompanhamento do assunto, que sai da alçada de Moraes.

No documento, Moraes pede a investigação de Mendonça pela suspeita dos crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade.

Na terça-feira, Mendonça levantou o sigilo de uma investigação que ele próprio determinou à PF e que expôs Moraes como destinatário de mensagens encontradas no celular de Vorcaro.

Nas mensagens, Vorcaro pede que Moraes interfira em investigações do Banco Master e pergunta se deve sair do país dias antes de ser preso.

O relatório da PF também revelou que Moraes acessou a última versão do contrato de R$ 131 milhões firmado entre Vorcaro e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, dias antes da assinatura.

Na visão da colunista do UOL Marcela Mattos, a reação de Alexandre de Moraes à iniciativa de Mendonça com o pedido de investigação foi muito mais dura do que se esperava.

"Alexandre de Moraes trucou o ministro André Mendonça. Isso eleva a crise em vários degraus."

Daniela Lima compara o conflito interno instalado no STF a uma guerra e diz que a crise chegou a "patamar inédito e de consequências imprevisíveis".

Daniela informa que, em um dos relatórios usados como base para o pedido de Moraes de investigação de Mendonça, a PF afirma que o ministro indicado por Jair Bolsonaro "vinha direcionando os casos" e "direcionando politicamente as investigações" sob sua supervisão.

"Segundo a PF, em bom português, Mendonça age com dois pesos e duas medidas", diz a colunista.

Josias de Souza diz que não há dúvidas de que há uma guerra no Supremo e que Fachin está com a difícil tarefa de administrá-la.

O colunista também viu fragilidades no pedido de investigação de Moraes contra Mendonça. Segundo Josias, o requerimento está ancorado em um documento "apócrifo".

João Paulo Charleaux diz que se tornou evidente agora que grande parte do racha no STF tem a ver com os interesses na eleição deste ano.

"André Mendonça é identificado com o campo bolsonarista. Alexandre de Moraes, embora não tenha sido indicado por Lula, é o personagem das condenações do 8 de Janeiro, e [André Mendonça] é visto como um antagonista desse personagem."

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