A guerra interna no STF teve mais dois desdobramentos importantes hoje. De manhã, o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, revertendo a decisão de afastá-lo, tomada ontem por André Mendonça. A informação foi publicada em primeira mão por Daniela Lima. Dino tomou a medida em resposta a um pedido do próprio Rodrigues, sob o argumento, entre outras razões, que o afastamento do diretor da PF prejudicaria inquéritos em andamento. Entre essas investigações, mencionadas por Flávio Dino, está a apuração de suspeita de irregularidades em emendas parlamentares destinadas a uma ONG de Karina Ferreira, dona da produtora de "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. No final da tarde, o presidente da corte, Edson Fachin, derrubou as duas decisões: a de Dino e a de Mendonça. Na prática, a determinação mantém Rodrigues na chefia da PF. Fachin deu 48 horas para que o diretor da PF apresente esclarecimentos, caso queira, antes que a corte decida sobre sua permanência no cargo. Fachin também determinou que todas as decisões envolvendo os ministros do STF passem pela presidência do tribunal e marcou uma sessão extraordinária para discutir o pedido de autorização para investigar Alexandre de Moraes, feito por André Mendonça. Em outra decisão, Fachin assumiu a relatoria do inquérito das fake news, que estava com Alexandre de Moraes desde março de 2019. Para Leonardo Sakamoto, Edson Fachin tentou "baixar a fervura" e ganhar tempo para que "bombeiros" construam um consenso e evitem mais desgaste da imagem do STF. Na opinião do colunista, porém, o prazo até a reunião do dia 15 é muito longo, dado o tamanho da crise por que passa o tribunal. "Vamos ver se outros ministros aceitam essa trégua imposta. Muita coisa pode acontecer até a próxima terça." Josias de Souza diz que as idas e vindas em relação ao afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da PF transformaram o Supremo em "uma várzea", no sentido da expressão que remete a uma partida de futebol amador, sem organização. "No VAR do Supremo, submetido à mais grave crise de sua história centenária, um gol contra pode ser revisto até quatro vezes. Na turma, no gabinete de uma toga rival, na presidência do tribunal e no plenário." Letícia Casado diz que, ao suspender as medidas tomadas por Mendonça e por Dino e levar a discussão para o plenário, Edson Fachin encontrou uma "boa saída" para lidar com a crise interna no Supremo. |
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