sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Dino e operação da PF põem Dark Horse de volta na campanha eleitoral

 

10.set.2026 - Karina Ferreira da Gama ao lado do deputado federal Mário Frias (PL-SP), em foto de dezembro de 2022

10.set.2026 - Karina Ferreira da Gama ao lado do deputado federal Mário Frias (PL-SP), em foto de dezembro de 2022

Reprodução / Redes sociais



Asdrúbal Figueiró

O deputado federal bolsonarista Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, produtora do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, foram alvo hoje de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal.

A polícia apura a suspeita de que dinheiro de emendas parlamentares destinadas a ONGs de Karina Gama tenha sido desviado para a produção do filme. Só Mario Frias destinou R$ 1 milhão a uma das entidades de Gama.

A empresária também é investigada pela Polícia Civil paulista por suspeita de irregularidades em um contrato de R$ 157 milhões com a gestão Ricardo Nunes, na Prefeitura de São Paulo.

A ação da Polícia Federal foi autorizada pelo ministro Flávio Dino (STF), no âmbito do inquérito que apura desvio de recursos de emendas parlamentares.

Horas depois do início da operação, Dino retirou o sigilo da decisão que autorizou a ação. Mario Frias também foi proibido de sair do país e de manter contato com Karina Gama e com os demais investigados no caso.

Segundo Daniela Lima, a Polícia Federal investiga a existência de uma rede de lavagem de dinheiro que teria a empresa Go Up Entertainment, de Karina Gama, no centro da operação.

"A principal perna da apuração é de que a produção do filme foi direcionada para esse grupo porque já havia uma 'rede de tecnologia instalada para lavagem de dinheiro', dinheiro de várias origens, inclusive emendas."

Josias de Souza nota que a operação da PF e a decisão de Flávio Dino autorizando-a ocorrem no momento em que o bolsonarismo fatura eleitoralmente a crise do Supremo - desencadeada pela revelação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro (Master) a Alexandre de Moraes, autorizada por André Mendonça.

"Ao enviar os rapazes da PF aos endereços do deputado Mario Frias e da empresária Karina Gama, o ministro colocou o Dark Horse para trotar no rumo da campanha de Flávio Bolsonaro", diz Josias.

Durante um evento de campanha em Roraima, Flávio Bolsonaro classificou a operação da PF como uma tentativa de interferir nas eleições.

"O que tem claramente é uma tentativa de interferência política, mais uma vez. Agora, do ministro Flávio Dino."

Leonardo Sakamoto, porém, lembrou que, na semana passada, ao ser questionado sobre repasses de Daniel Vorcaro supostamente para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro, Flávio respondeu: "Tem de perguntar para a produtora".

"Ora, foi exatamente o que o ministro do STF autorizou a PF a fazer. (...) De certo ponto de vista, Flávio Dino está apenas seguindo a sugestão de Flávio Bolsonaro."

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