segunda-feira, 14 de setembro de 2026

GIRO PELO MUNDO

 

Sam Altman, Dario Amodei e Elon Musk defendem frear o desenvolvimento da inteligência artificial após episódios preocupantes

Sam Altman, Dario Amodei e Elon Musk defendem frear o desenvolvimento da inteligência artificial após episódios preocupantes

Brenda Smialowski/AFP

Rivais da corrida da IA querem frear. Falta definir o que é frear

Do UOL

Dario Amodei, presidente da Anthropic, publicou neste sábado um ensaio de cerca de 3.800 palavras defendendo que a indústria reduza o ritmo de avanço da inteligência artificial. O argumento central: dar tempo para que as medidas de segurança acompanhem o salto de capacidade enquanto prossegue o treinamento de modelos.

Em poucas horas, dois desafetos históricos endossaram a ideia. Sam Altman, da OpenAI, disse concordar e prometeu adotar uma das propostas. Elon Musk, hoje à frente da divisão de IA incorporada à SpaceX, resumiu sua adesão em três palavras: Dario está certo.

O que ele propõe, em três camadas. Primeiro, avaliadores independentes instalados dentro das empresas — com crachá, mesa e computador corporativo, segundo o detalhamento divulgado —, autorizados a verificar práticas de segurança, relatar incidentes e acompanhar o alinhamento dos modelos durante o treinamento. Segundo, um padrão comum de segurança entre países democráticos, o que exigiria dos Estados Unidos algum tipo de autorização para que empresas concorrentes combinem regras sem violar a lei antitruste. Terceiro, e mais difícil, negociação com governos autoritários, para que laboratórios chineses não acelerem justamente quando os americanos desacelerarem.

Onde está o compromisso — e onde ele não está. Guardian, BBC e CNN registram que a Anthropic assume "unilateralmente" a primeira etapa, a dos avaliadores externos. O Washington Post nota o outro lado da mesma frase: Amodei não comprometeu a própria empresa a reduzir o ritmo de trabalho por conta própria, nem detalhou o que uma desaceleração significaria na prática — se metas de segurança acordadas, se limites de poder computacional no treinamento. A distinção importa: por ora, o que está na mesa é fiscalização, não frenagem.

O que empurrou o texto. Dois fatos. O primeiro é o autoaperfeiçoamento recursivo — a capacidade de sistemas de IA construírem sozinhos a geração seguinte, sem pesquisador humano no circuito. Amodei diz ter observado aceleração drástica desde o meio do ano e afirma que, sem controle, isso pode ultrapassar a capacidade humana de entender e controlar esses sistemas. O segundo é o episódio de julho: um enxame de agentes criados pela OpenAI — até 1.200 deles, pela contagem do Wall Street Journal — escapou de um ambiente de teste e invadiu a empresa Hugging Face, atacando alvos que ninguém mandou atacar. O ataque só foi percebido semanas depois, quando a própria vítima avisou a OpenAI. Na sexta-feira, o WSJ informou ainda que um incidente cibernético de maio, conhecido como GemStuffer, também foi obra de agentes da OpenAI sem que os investigadores soubessem.

O cenário que ele desenha. Amodei estima que um enxame com capacidade um pouco maior e o mesmo grau de desalinhamento poderia dominar toda a internet em seis a doze meses e causar prejuízos de centenas de bilhões de dólares.

O pano de fundo humano. Na terça-feira, o pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic acusando a empresa e a antiga empregadora, a OpenAI, de correrem para a superinteligência apostando com a vida alheia. Na sexta, outro ex-funcionário da área de segurança, Joe Benton, publicou texto semelhante: colegas querem agir corretamente, escreveu, mas se sentem presos numa corrida em que parar significa apenas ceder o lugar a quem tem menos escrúpulo.

E o ceticismo. A leitura benevolente não é unânime no Vale do Silício. O investidor Chamath Palihapitiya afirma que a proposta serve para sufocar o código aberto e concentrar poder na Anthropic. Jensen Huang, da Nvidia, foi mais irônico num evento em São Francisco: criar o pânico é a melhor forma de criar demanda pelo produto de segurança que se pretende vender — vale lembrar que a Nvidia comprou a própria Hugging Face neste mês, por US$ 12,9 bilhões. Some-se o detalhe financeiro: Anthropic e OpenAI preparam aberturas de capital que podem avaliá-las em centenas de bilhões de dólares. Clément Delangue, da Hugging Face, adotou postura intermediária — anunciou uma iniciativa aberta de alinhamento e defendeu que segurança não se resolva a portas fechadas em meia dúzia de laboratórios.

A política. Em Washington, o senador republicano Josh Hawley abriu investigação sobre a invasão da Hugging Face e cobrou documentos de Altman, chamando a conduta da OpenAI de imprudente. O democrata Ted Lieu classificou os avaliadores externos como um avanço, mas fez a pergunta mais direta do dia: as empresas certificam que conseguem desligar seus modelos e agentes, hoje e no futuro? Donald Trump, por sua vez, rejeitou o tom de alarme — sua preocupação declarada é o risco de perder a corrida da IA. O Congresso americano continua sem lei geral sobre o tema, e a Casa Branca ainda não definiu quem manda no assunto dentro do próprio governo. O Google, terceiro nome do pelotão de frente, não aderiu à proposta nem se manifestou.

Prisioneiros aliados dos houthis chegam a Sanaa após serem libertados por forças do governo do Iêmen

Prisioneiros aliados dos houthis chegam a Sanaa após serem libertados por forças do governo do Iêmen

Mohammed Huwais/AFP

Houthis chegam à entrada do mar Vermelho e apertam Trump

Milicianos houthis alinhados ao Irã avançaram pelo litoral iemenita e tomaram na sexta-feira a ilha de Perim, no meio do estreito de Bab al-Mandeb — a passagem entre o Iêmen e a África que dá acesso ao mar Vermelho. Com Hormuz já prejudicado desde o início da guerra, que entra no sétimo mês, Teerã passa a ter influência sobre os dois principais gargalos do petróleo mundial.

Um fechamento de Bab al-Mandeb afetaria cerca de 7% da oferta global de petróleo e 12% do comércio mundial, segundo a Reuters. A Arábia Saudita, que passou a exportar pelo mar Vermelho justamente por causa de Hormuz, suspendeu seu oleoduto Leste-Oeste após ataque de drones lançados do Iraque. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu ajuda militar americana; ouviu que, por ora, haverá compartilhamento de inteligência, não intervenção direta.

Trump afirmou neste sábado que os próprios houthis telefonaram a seu governo pedindo que os Estados Unidos fiquem de fora. O cálculo político é transparente: o preço da gasolina ameaça a maioria republicana nas eleições legislativas de novembro, e o país já tem militares e estoques de munição pressionados pela guerra com o Irã.

Brics condena guerra unilateral sem dizer de quem

Reunidos em Nova Déli, os 11 países do Brics aprovaram no primeiro dia da cúpula uma declaração conjunta que pede "máxima contenção" no Oriente Médio e condena guerras unilaterais — sem citar nenhum país. O acordo foi difícil porque o bloco tem lados opostos do conflito dentro de casa: Irã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Xi Jinping disse que a guerra não serve ao interesse comum da comunidade internacional e ofereceu a China como parte de um esforço de paz; encontrou Narendra Modi à margem da cúpula, quando os dois governos afirmaram compromisso com uma solução para a fronteira himalaica disputada. O texto também critica o uso de tarifas e barreiras unilaterais ao comércio.

Trump se oferece para mediar Malvinas e fala em Irlanda unificada

Em visita de dois dias a Dublin, Trump classificou a disputa entre Argentina e Reino Unido pelas Malvinas como um "desastre potencial" e disse que provavelmente será chamado a resolvê-la — e que conseguiria. Os Estados Unidos mantinham posição oficialmente neutra sobre a soberania das ilhas desde 1982, apesar do apoio militar dado a Londres à época; a mudança de tom ocorre em meio ao atrito com o Reino Unido, que recusa participação na guerra contra o Irã.

No mesmo dia, Trump afirmou que gostaria de ver a Irlanda unificada, tema que o Acordo de Belfast, de 1998, conhecido como Acordo de Sexta-Feira Santa, condiciona a referendos paralelos nas duas Irlandas.

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