A guerra interna no STF ganhou mais um elemento hoje com a revelação pelo UOL de que o Instituto Iter recebeu R$ 5,2 milhões de um então parceiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no período em que o ministro André Mendonça era sócio da instituição. A transação, revelada por Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Marcela Mattos, consistia em um contrato de empréstimo do tipo mútuo conversível entre o Iter e a Cedro Participações, holding de Lucas Kallas, empresário com participação em negócios que envolveram Vorcaro ou empresas ligadas a ele. Em nota, o Iter disse que encerrou o contrato no começo deste ano, pouco antes de Mendonça ter sido sorteado para relatar o caso Master, e que já quitou 5,3% do valor devido, com juros atrelados à Selic. A Cedro afirmou que Vorcaro "jamais teve qualquer relação societária ou vínculo empresarial com os negócios da Cedro Participações ou de suas controladas". No começo do mês, Mendonça anunciou que deixaria a sociedade no Iter, instituição de ensino privada que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva. O anúncio de Mendonça foi feito depois da revelação de que o Iter fechou pelo menos 52 contratos sem licitação com instituições públicas, que somam R$ 8,2 milhões. Para Josias de Souza, o mero fato de um ministro do Supremo ter um instituto privado é uma "excrescência" e não combina com a função de magistrado da Suprema Corte. "Um ministro do Supremo ter um instituto? O Gilmar Mendes tem o IDP. O André Mendonça tem esse Iter. Isso não é compatível com a função de magistrado", disse Josias. "Ninguém graciosamente vai entregar cinco milhões de reais ao instituto vinculado ao ministro do Supremo sem a perspectiva de que aquilo resulte em alguma vantagem." Leonardo Sakamoto argumenta que "conflitos de interesse não começam apenas quando um crime é provado, mas quando as relações privadas se tornam suficientemente próximas dos assuntos públicos para produzir dúvidas razoáveis sobre independência, transparência e imparcialidade." O colunista defende que a apuração de suspeitas não deve ser vista como um ataque aos envolvidos, mas, sim, como uma forma de defesa da democracia. "Mas para que isso seja limpo e justo, precisa ser todo mundo. Sem poupar ninguém." A revelação sobre o negócio envolvendo o instituto de que Mendonça foi sócio e um ex-parceiro de Vorcaro ocorreu horas após o ministro ter sido ovacionado durante um voo hoje cedo entre Brasília e São Paulo. "Segundo passageiros que estavam na aeronave, houve gritos de 'nosso herói' direcionados ao magistrado, que trava uma batalha campal contra o colega Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal", informou Daniela Lima. |
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