A restrição, e talvez proibição total, das bets e apostas online no Brasil é uma das jogadas de Lula para tentar garantir a sua eleição na reta final da campanha. A avaliação é dos colunistas do UOL Rodrigo Mattos, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky. "Ele quer dizer: 'eu sou o cara que vai acabar com o jogo no Brasil e, se não acabar, é porque o Congresso não deixou e quem não deixou vão ser os bolsonaristas do PL ou os aliados dele'", diz Toledo. No começo da semana, Lula chamou as bets de "uma doença" e prometeu que o governo anunciaria "decisões" sobre o assunto em breve, o UOL apurou que o governo prepara uma MP (medida provisória) para proibir jogos online e restringir apostas esportivas. Ontem, alguns dos maiores clubes do Brasil brasileiro afirmaram, em nota publicada em seus sites, que proibir as apostas online representaria "o fim do futebol brasileiro". O patrocínio de bets é uma das principais fontes de renda do setor. O texto foi publicado nas redes sociais de Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Botafogo, Fluminense, Vasco da Gama e Grêmio, entre outras equipes, além das federações regionais de São Paulo e Rio de Janeiro. Paulo Vinicius Coelho diz que a manifestação dos clubes é equivocada. "Alguém dirá desonesta, outros dirão hipócrita; outros, péssima, ora com hipérboles, ora eufemismos. A tentação é analisar o erro de quem escreveu, mas a necessidade é entender e solucionar o problema." PVC, porém, defende que as mudanças sejam feitas com prazo. Para Juca Kfouri, dizer que o fim do patrocínio das bets será o fim do futebol é "apenas patético, ridículo, hipócrita, cínico e risível." "Ninguém sabia que o futebol brasileiro nasceu em 2019, quando o Fortaleza foi o primeiro a ter a publicidade da NetBet em sua camisa." Alicia Klein vai na mesma linha e classifica o argumento dos clubes de ideia estúpida. "A ideia de que a modalidade sustentada por dezenas de milhões de torcedores falecerá com o fim de uma categoria de patrocínio tem tanto lastro na realidade quanto a ideia de que a Fórmula 1 acabaria sem a propaganda de cigarros." Milly Lacombe diz que os clubes sentaram-se para redigir uma carta que entrará para a história como uma peça de infâmia. Para a colunista, ao dizer que quem pagará a conta do fim do patrocínio das bets é o torcedor, os clubes demonstram apenas sua ganância. "Eles e elas foram retirados e retiradas dos estádios, precisam pagar para ver qualquer jogo pela TV, precisam virar 'sócios' e 'sócias' para merecerem respeito. Essa conta já está com a torcida." Mauro Cezar Pereira, por outro lado, diz que a nota dos clubes reflete "o óbvio que Brasília finge não ouvir: as apostas de quota fixa viraram uma das principais fontes comerciais do futebol." Na opinião de Mauro Cezar, a proibição das bets vai favorecer os sites ilegais, que não recolhem tributos e não estão sujeitos a nenhum tipo de regulamentação. "Ferramentas de tráfego usadas pelo setor apontam que cerca de 50% do acesso brasileiro já vai para casas sem autorização." |
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