No penúltimo dia antes das eleições de domingo, o cancelamento do debate presidencial pela TV Globo dominou as discussões sobre a campanha eleitoral. A decisão da emissora foi tomada após Flávio Bolsonaro (PL) desistir de participar do programa poucas horas antes do início, sob a alegação de "censura e interferência do Judiciário". A desistência de Flávio Bolsonaro só foi anunciada após a decisão de Gilmar Mendes (STF) determinando a participação de Renan Santos (Missão), candidato que aparece numericamente em quarto lugar, empatado com Ronaldo Caiado (PSD), na última pesquisa Datafolha. Antes disso, a ministra Estela Aranha (TSE) havia proibido que a TV Globo exibisse um púlpito vazio com o nome do presidente Lula. O desfecho provocou reações opostas entre os dois lados que lideram a disputa: petistas viram o resultado como uma vitória, enquanto Flávio acusou o Judiciário de agir para favorecer o presidente. No campo jurídico, as decisões também provocaram polêmica. Wálter Maierovitch criticou as medidas. Para o colunista, a ministra Estela Aranha "legislou, quebrou a tradição do debate", e Gilmar Mendes "não era o juiz natural constitucional". A avaliação, porém, não foi unânime entre especialistas ouvidos pelo UOL. Advogados e professores de direito se dividiram na avaliação sobre as decisões do STF e do TSE, com uma pequena vantagem para os que não viram problema nas medidas. Josias de Souza diz que Lula e Flávio Bolsonaro empataram na hipocrisia. "Lula e Flávio Bolsonaro confrontaram-se à distância. Transformaram o cancelamento do debate da Globo num mote para lamentar a ausência de debate. (...) Mataram todas as tentativas de debate. E chegam ao tribunal das urnas fazendo pose de órfãos do contraditório." Segundo Daniela Lima, Flávio, Lula e Renan travam uma guerra de narrativas sobre os motivos pelos quais o debate foi cancelado, mas a colunista destaca o alcance que Renan Santos conseguiu com a polêmica e o impacto que isso pode ter na disputa. "Na frente da TV Globo, ele fez um discurso que viralizou, teve mais de 35 milhões de visualizações. Este é o candidato que, na via da direita, tem o tom maior mais alto contra Flávio Bolsonaro." Para Ricardo Kotscho, sem debate, a campanha eleitoral termina o primeiro turno de maneira melancólica. "O sentimento dominante nos eleitores é o de frustração e desencanto com a campanha presidencial de 2026, o ano que terminou sem ter começado a discutir as questões vitais para o futuro do país." Ronilso Pacheco diz que a TV Globo errou e não deveria ter cancelado o evento por causa da desistência de Flávio Bolsonaro e da ausência anunciada anteriormente por Lula. "Os outros candidatos perdem, eu acho que eles tinham o direito de levar o debate adiante." |
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