terça-feira, 13 de outubro de 2026

CENSURA: TSE suspende circulação de jornal do Sindipetro

 Isso se chama censura. E é preciso ter coragem para dizer isso em voz alta.


Numa decisão tomada às escondidas, sem o menor constrangimento democrático, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, determinou a apreensão de 30 mil exemplares de um jornal produzido pelo Sindicato dos Petroleiros de São Paulo. O motivo? Os trabalhadores ousaram escrever, na própria publicação, as razões pelas quais acreditam que uma determinada candidatura seria mais favorável aos seus interesses.

Isso se chama censura. E é preciso ter coragem para dizer isso em voz alta.

O que o Sindipetro Unificado fez não é novidade na história do movimento sindical brasileiro. Trabalhadores organizados sempre se comunicaram com suas bases, debateram eleições, defenderam posições políticas. É exatamente para isso que sindicatos existem: para que a classe trabalhadora tenha voz própria num país onde os grandes veículos de comunicação raramente a representam.

A decisão foi tomada em sigilo, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, e impõe multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Não houve contraditório. Não houve transparência. Houve, isso sim, uma operação silenciosa para calar quem trabalha antes que a informação chegasse às mãos de quem precisava lê-la.

É revelador que a mesma estrutura jurídica que deveria garantir a lisura do processo eleitoral seja acionada para sufocar a expressão política dos de baixo, enquanto o capital privado financia campanhas, monopoliza o debate e pauta a mídia tradicional sem que nenhuma liminar caia do céu.

A liberdade de expressão, quando conveniente, é invocada com entusiasmo. Quando ameaça interesses estabelecidos, vira papel molhado.

O episódio revela uma assimetria estrutural que não é nova, mas que precisa ser nomeada a cada vez que se repete: há uma justiça para quem tem poder e outra para quem tem apenas organização coletiva. Silenciar um jornal de petroleiros não protege a democracia. Fere ela.


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