O senador e ex-candidato derrotado nas eleições presidenciais de domingo, Flávio Bolsonaro, fugiu do Brasil e chegou hoje aos Estados Unidos, depois de ter a apreensão de seus passaportes determinada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF). Fontes do Departamento de Estado americano disseram à colunista do UOL em Washington, Mariana Sanches, que os Estados Unidos vão conceder vistos a Flávio e à sua família. A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada na noite de domingo em resposta a um pedido da Polícia Federal, encaminhado ao ministro depois do fim da apuração. Flávio é investigado em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e suspeito de lavagem de dinheiro. O inquérito é acompanhado por Alexandre de Moraes, que foi escolhido por sorteio. Tomaz também deixou o país na semana passada. A PF argumentou que havia "risco concreto de evasão [de Flávio Bolsonaro] do território nacional" e citou declarações do irmão de Flávio, Eduardo, sugerindo que o senador deixasse o país caso perdesse as eleições. Eduardo já vive nos Estados Unidos, onde está foragido. Ele foi condenado em junho a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, por articular sanções do governo Trump ao Brasil para tentar interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O olhar dos colunistasPara Josias de Souza, ao fugir, Flávio Bolsonaro dá "uma banana para os quase 60 milhões de votos que obteve no domingo". O colunista argumenta que a atitude pode levar a oposição a sair da sombra da família Bolsonaro. "Numa democracia, é essencial a existência de opositores com projetos alternativos. A direita nacional, refém do bolsonarismo, tem uma nova oportunidade para se endireitar." A atitude do senador foi ironizada por Leonardo Sakamoto. "Flávio Bolsonaro prometeu ser o candidato da mudança. Em dois dias, cumpriu a promessa e mudou-se de país. Cruzou a fronteira, pegou um voo particular e se pirulitou." Na opinião de João Paulo Charleaux, a decisão de Moraes de determinar a apreensão dos passaportes de Flávio tende a ser um "desastre" político para o governo Lula. " Uma decisão de Alexandre de Moraes é interpretada internacionalmente como simpática ao governo Lula, ainda que ele não tenha sido indicado ao STF pelo governo Lula e não seja petista ou lulista." Wálter Maierovitch diz que Alexandre de Moraes se precipitou e deu "combustível para fortalecer a polarização e o choramingo dos Bolsonaros". "Flávio irá vestir, mais uma vez, o figurino de perseguido político e certamente será acolhido por Donald Trump." |
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